Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Visionários

Soichiro Honda: anéis recusados e uma fábrica no chão

A Toyota recusou as primeiras peças de Soichiro Honda. Depois, uma bomba e um terremoto derrubaram suas fábricas. Ele vendeu o que restou e recomeçou.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Soichiro Honda era filho de ferreiro e começou como aprendiz numa oficina mecânica em Tóquio. O nome dele está hoje em motos e carros do mundo inteiro. O caminho até lá teve recusa, guerra e terremoto.

O não

Em 1937, Honda fundou a Tōkai Seiki para fabricar anéis de pistão e fornecer à Toyota. As primeiras peças foram recusadas por falta de qualidade. Em vez de desistir, ele foi estudar: passou a frequentar aulas na escola técnica de Hamamatsu para aprender o que faltava sobre metalurgia. Só depois disso as peças passaram.

Então veio a guerra. Em 1944, um bombardeio de B-29 destruiu a fábrica de Yamashita. Em 1945, a de Iwata desabou no terremoto de Mikawa. Honda vendeu o que restava da empresa à Toyota por 450 mil ienes.

O que fizeram

Com esse dinheiro, em outubro de 1946, abriu o Instituto de Pesquisa Técnica Honda. O primeiro produto foi simples: pequenos motores adaptados a bicicletas, num Japão sem combustível e sem transporte. Em 1948, nasceu a Honda Motor Co. Vieram as motos, os carros e, décadas depois, a presença na Fórmula 1.

Em maio de 1974, Honda recebeu um doutorado honorário da Michigan Technological University e discursou para os formandos. A universidade publicou a tradução do discurso, que fala de originalidade e de buscar a solução de qualquer problema na raiz.

Atenção a uma frase famosa: "O sucesso é 99% fracasso" aparece atribuída a esse discurso em sites de citações, mas não está na transcrição publicada pela universidade. Ela pode ter sido dita em outra ocasião, porém não localizamos a fonte, e por isso não a citamos aqui como dele.

O que isso tem a ver com Bairo

A recusa da Toyota é o tipo de não que Bairo Leandro Gonzalez Martinez reconhece: a peça não passou, e a resposta foi aprender o que faltava. Bairo conta que, depois de perder quase tudo, decidiu construir coisas que não sabia fazer, e passou seis meses diante de um computador, aprendendo com as ferramentas do próprio tempo. Está em A frequência do silêncio.

O terremoto é o outro lado: há quedas que não dependem de você. Honda vendeu as ruínas e usou o dinheiro para começar algo novo. Na história de Bairo, cada negócio que fechou deixou alguma coisa para o próximo, até a sétima tentativa.

Não há comparação de tamanho. Há o mesmo hábito: voltar à oficina.

Fontes