Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Visionários

Coronel Sanders: a estrada que levou os clientes embora

Uma rodovia nova desviou o tráfego do restaurante do Coronel Sanders. Aos 65 anos, ele vendeu o ponto em leilão e recomeçou com uma receita.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Harland Sanders, o rosto da KFC, passou boa parte da vida em empregos que não duravam: fazendeiro, bombeiro de locomotiva, vendedor de seguros, frentista. Na década de 1930, abriu um posto de gasolina com restaurante em Corbin, no estado americano do Kentucky, e o frango frito dele ficou conhecido na região. O título de "coronel" é honorário, dado pelo governo do Kentucky.

O não

O não, desta vez, não veio de uma pessoa. Veio de uma estrada.

Nos anos 1950, a nova rodovia interestadual I-75 passou longe de Corbin. O tráfego que sustentava o restaurante de Sanders havia duas décadas sumiu quase de uma hora para outra. Em 1956, ele vendeu o ponto em leilão, e o dinheiro mal deu para pagar impostos e contas. Tinha 65 anos. A renda fixa que sobrou foi o cheque da Previdência americana, de cerca de US$ 105 por mês.

O que fizeram

Sanders pegou a receita, uma panela de pressão e o carro e passou a rodar o país oferecendo o frango a donos de restaurante, cobrando uma pequena quantia por frango vendido. Ele já tinha um primeiro franqueado desde 1952, o empresário Pete Harman, em South Salt Lake, no Utah. Depois da perda do restaurante, fez da franquia o negócio principal. Em 1964, vendeu a empresa a investidores e continuou como embaixador da marca.

Um número circula muito: Sanders teria ouvido 1.009 recusas antes do primeiro sim. A própria KFC já repetiu o número em redes sociais, mas não localizamos documento de época que o confirme, e a cronologia não ajuda, porque o primeiro franqueado veio antes da perda do restaurante. Por isso o número fica aqui como lenda, não como fato.

O fato é suficiente: aos 65 anos, sem o negócio de uma vida, ele recomeçou.

O que isso tem a ver com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez conhece a sensação de ver um negócio desmoronar por motivos que não estavam nas mãos dele. Ele conta que entrou como sócio num negócio que não se sustentou e perdeu tudo, com cinquenta pessoas que dependiam dele. Não reclamou do sócio, do sistema nem da sorte. Decidiu fazer o que ainda não sabia fazer.

O paralelo com Sanders não é de idade nem de tamanho. É a recusa em tratar uma perda como o fim da história. A estrada que levou os clientes de Sanders embora é, na vida de Bairo, cada porta que fechou e virou base para a próxima.

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Fontes