Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Datas que mudaram tudo

17 de dezembro: o voo de 12 segundos em Kitty Hawk

Em 17 de dezembro de 1903, os irmãos Wright voaram 12 segundos em Kitty Hawk, 69 dias depois de um jornal prever até 10 milhões de anos para isso.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Em 17 de dezembro de 1903, numa praia de dunas e vento forte na Carolina do Norte, Orville e Wilbur Wright fizeram voar o Flyer, um avião motorizado que eles mesmos tinham projetado e construído.

O que aconteceu

Os voos aconteceram em Kill Devil Hills, perto da vila de Kitty Hawk. Foram quatro naquele dia. O primeiro, por volta das dez e meia da manhã, com Orville no comando, durou 12 segundos e percorreu cerca de 37 metros. Os irmãos se revezaram. O quarto e mais longo, com Wilbur, durou 59 segundos e percorreu cerca de 260 metros. Depois disso, uma rajada de vento virou o avião no chão e o danificou.

Havia poucas testemunhas, moradores e homens da estação de salvamento local. Um deles bateu a fotografia que se tornou uma das imagens mais famosas do século XX, com o avião a poucos metros do chão e Wilbur correndo ao lado.

Sessenta e nove dias antes, em 9 de outubro de 1903, o New York Times tinha publicado um editorial dizendo que a máquina voadora capaz de voar de verdade talvez levasse "de um milhão a dez milhões de anos" para ser desenvolvida.

Por que importa

Os Wright não eram cientistas de universidade. Eram fabricantes de bicicletas de Dayton, em Ohio. O que os levou ao voo foi método: refizeram no próprio túnel de vento as tabelas de sustentação que os pesquisadores da época usavam, porque descobriram que estavam erradas, e resolveram o problema do controle do avião no ar.

E houve dúvida também por dentro. Em 1908, Wilbur confessou num discurso em Paris que, em 1901, desanimado, tinha dito ao irmão que o homem não voaria por cinquenta anos.

No Brasil, a primazia do voo é atribuída a Santos-Dumont, que em 23 de outubro de 1906 decolou o 14-Bis por meios próprios, diante de público. As duas datas contam histórias verdadeiras, e cada uma tem a sua página.

A ponte com a visão de Bairo

A previsão dos dez milhões de anos é um retrato perfeito do "não dá" que vem de fora, com toda a autoridade de um jornal importante. A confissão de Wilbur é o "não dá" que vem de dentro. Bairo Leandro Gonzalez Martinez conheceu os dois. Ele conta que ouviu muitas vezes que não era possível e que, mais vezes do que gosta de lembrar, pensou em parar.

A frase que ele usa para isso é uma só: "O impossível é só algo que ainda não foi feito." A regra de vida que ficou das quedas está em O não é a base do sim, e a contagem que deu certo em A sétima tentativa.

Leia também: Irmãos Wright e a previsão dos dez milhões de anos · 23 de outubro, o 14-Bis

Fontes