Bairo GonzalezLeandro · Martinez

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Marie Curie e a Academia que disse não

Quase deixada de fora do Nobel de 1903 e recusada pela Academia de Ciências da França em 1911, Marie Curie ganhou o segundo Nobel no mesmo ano.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Maria Skłodowska nasceu em Varsóvia, em 1867, numa Polônia dividida e ocupada. Na parte governada pelo Império Russo, a universidade não aceitava mulheres. Ela estudou como pôde, trabalhou como preceptora para ajudar a pagar os estudos da irmã e, em 1891, foi para Paris estudar na Sorbonne.

O não

O primeiro não quase passou despercebido. Em 1903, a Academia de Ciências da França indicou ao Nobel de Física Henri Becquerel e Pierre Curie, mas não Marie, que tinha feito boa parte da pesquisa sobre a radioatividade. Um membro do comitê, o matemático sueco Gösta Mittag-Leffler, avisou Pierre. Pierre respondeu que um prêmio sobre radioatividade que deixasse Marie de fora não fazia sentido. Graças a uma indicação feita no ano anterior, a candidatura dela foi aceita. Em dezembro de 1903, os três dividiram o prêmio.

O segundo não foi público. Em 23 de janeiro de 1911, Marie, já viúva, concorreu a uma cadeira na Academia de Ciências da França. Perdeu para Édouard Branly por dois votos. A Academia nunca tinha admitido uma mulher. Parte da imprensa da época atacou a candidatura com argumentos sobre o sexo e a origem estrangeira dela.

O que fizeram

Onze meses depois da recusa, em 1911, Marie Curie recebeu sozinha o Nobel de Química, pela descoberta do rádio e do polônio. Foi a primeira pessoa a ganhar dois prêmios Nobel, e até hoje é a única a ganhá-los em duas ciências diferentes. Durante a Primeira Guerra Mundial, organizou unidades móveis de raio X para atender feridos no front.

Ela nunca entrou na Academia de Ciências. Em 1995, seus restos foram levados ao Panteão de Paris, a primeira mulher homenageada ali pelos próprios méritos.

O que isso tem a ver com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez reconhece em Marie Curie a imigrante. Ela fez a vida num país que não era o seu, numa língua aprendida, e ouviu, mais de uma vez, que não pertencia àquele lugar. Ele, colombiano, chegou ao Brasil ainda jovem e conheceu o outro lado da chegada: ficar sem chão, longe de casa.

Há também a lição da porta que não abriu. A Academia disse não; o Nobel disse sim no mesmo ano. Um não não precisa de revanche para ser superado. Precisa de trabalho que continue. Na regra de Bairo: o não é a base do sim.

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Fontes