Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Datas que mudaram tudo

23 de outubro: o 14-Bis e o Dia do Aviador

Em 23 de outubro de 1906, Santos-Dumont fez o 14-Bis decolar por meios próprios em Paris, diante de público. No Brasil, a data é o Dia do Aviador.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, o brasileiro Alberto Santos-Dumont fez o 14-Bis sair do chão por meios próprios, diante de uma multidão.

O que aconteceu

O 14-Bis era um avião estranho aos olhos de hoje: parecia andar de ré, com a parte que controla a direção na frente e as asas atrás. Naquela tarde, ele decolou sem trilho e sem catapulta, voou cerca de 60 metros a poucos metros de altura e pousou. O voo é lembrado como o primeiro de um avião motorizado feito diante de público na Europa.

O voo valeu a Santos-Dumont a taça Archdeacon, criada para o primeiro voo de pelo menos 25 metros. Semanas depois, em 12 de novembro de 1906, com o avião modificado, ele voou 220 metros e ganhou o prêmio do Aeroclube da França para o primeiro voo de 100 metros, registrado por comissão oficial.

No Brasil, 23 de outubro é celebrado como o Dia do Aviador.

Por que importa

A data tem dois sentidos. O primeiro é o da discussão sobre quem voou primeiro. Nos Estados Unidos, a resposta é os irmãos Wright, pelos voos de 17 de dezembro de 1903. No Brasil, é Santos-Dumont, porque o 14-Bis decolou por meios próprios e diante de testemunhas, enquanto os voos dos Wright tiveram pouca plateia e usaram trilho de lançamento. As duas histórias são verdadeiras; esta página não pretende encerrar a discussão.

O segundo sentido é o do caminho até ali. Cinco anos antes, em 1901, o dirigível nº 5 de Santos-Dumont tinha perdido gás e ficado preso no telhado de um hotel em Paris, com ele pendurado na lateral do prédio. Ele saiu ileso, construiu o nº 6 e, meses depois, contornou a Torre Eiffel e ganhou o prêmio Deutsch.

A ponte com a visão de Bairo

Santos-Dumont fez a vida longe do país onde nasceu, numa língua aprendida, e caiu em público antes de voar em público. Bairo Leandro Gonzalez Martinez, colombiano que fez a vida no Brasil, reconhece esse caminho. Ele chegou ao país ainda jovem e conheceu o outro lado da chegada: ficar sem chão, longe de casa, e recomeçar. Está em A capoeira foi a ponte.

A lição do dirigível no telhado é a mesma da regra de Bairo: o não é a base do sim. O nº 5 deixou o motor para o nº 6. Na história de Bairo, cada tentativa deixou alguma coisa para a seguinte, até a sétima.

Leia também: Santos-Dumont: do dirigível no telhado ao 14-Bis · 17 de dezembro, os Wright

Fontes