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Silvio Santos: do camelô ao rombo que quase levou tudo
Filho de imigrantes, camelô aos 14 anos, Silvio Santos construiu um grupo. Em 2010, deu todo o patrimônio em garantia para cobrir a crise do Panamericano.
Senor Abravanel nasceu em 12 de dezembro de 1930, na Lapa, no Rio de Janeiro, filho de imigrantes judeus que tinham vindo do Mediterrâneo oriental. O Brasil o conheceu como Silvio Santos.
O não
O primeiro não foi a falta de dinheiro em casa. Em meados dos anos 1940, ainda adolescente, ele foi vender nas ruas do centro do Rio para ajudar a família. Era camelô, num tempo em que o comércio ambulante sem licença era perseguido pela fiscalização.
Conta-se, nas biografias, que um diretor da fiscalização da prefeitura, Renato Meira Lima, em vez de apreender a mercadoria do rapaz, ficou impressionado com a voz dele e o indicou para um teste de locutor na Rádio Guanabara. Silvio passou em primeiro lugar, ficou pouco tempo, porque ganhava mais na rua, e voltou a vender. O episódio vem de relatos biográficos, não de documento de época.
O não mais pesado veio muito depois, quando ele já era um dos maiores empresários do país. Em 2010, o Banco Central identificou um rombo de cerca de 4,3 bilhões de reais no Banco Panamericano, do grupo dele, resultado de fraudes contábeis feitas por diretores da instituição.
O que fizeram
Do microfone e da rua, Silvio construiu uma carreira de comunicador e de vendedor. Com Manoel de Nóbrega, ele se envolveu no Baú da Felicidade, um carnê de prêmios pago em parcelas; depois assumiu o negócio sozinho, comprou a parte do sócio e pagou a dívida dele. Em 1981, obteve a concessão que deu origem ao SBT.
Diante da crise de 2010, a decisão dele chamou atenção do mercado: em vez de deixar o banco cair, ofereceu todo o seu patrimônio, incluindo o SBT e o Baú, como garantia de um empréstimo de 2,5 bilhões de reais do Fundo Garantidor de Créditos. Em 2011, vendeu a participação no banco ao BTG Pactual e conseguiu liberar as garantias. Silvio Santos morreu em 17 de agosto de 2024.
O que isso tem a ver com Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez reconhece em Silvio duas coisas.
A primeira é a do filho de imigrantes que começou do zero, na rua, falando com as pessoas. Bairo é ele próprio imigrante, colombiano no Brasil, e conta que começou de novo mais de uma vez, sem chão e sem rede.
A segunda é a responsabilidade. Quando um negócio de Bairo não se sustentou, havia cinquenta pessoas que dependiam dele. Ele não reclamou do sócio, do sistema nem da sorte. Decidiu continuar. Está em Cinquenta vidas.
O paralelo é de atitude, não de tamanho. E esta página não trata de produtos financeiros nem faz recomendação de qualquer tipo.
Leia também: A capoeira foi a ponte · O não é a base do sim
Fontes
- Jornal Opção, "De camelô a bilionário: a trajetória de Silvio Santos": https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/de-camelo-a-bilionario-a-trajetoria-de-silvio-santos-630086/
- Gazeta do Povo, "Silvio Santos: de camelô a bilionário na lista da Forbes": https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/silvio-santos-de-camelo-no-centro-do-rio-de-janeiro-a-bilionario-na-lista-da-forbes/
- Diário do Nordeste, "Retrospectiva 2010 – Sílvio Santos cobre rombo do Panamericano": https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/retrospectiva-2010-silvio-santos-cobre-rombo-do-panamericano-1.903816
- NeoFeed, "O dia em que Silvio Santos quase quebrou": https://neofeed.com.br/finde/o-dia-em-que-silvio-santos-quase-quebrou/
- CNN Brasil, morte de Silvio Santos (2024): https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/silvio-santos-um-dos-maiores-comunicadores-da-tv-brasileira-morre-aos-93-anos/
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