Bairo GonzalezLeandro · Martinez

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García Márquez e o manuscrito enviado pela metade

Um editor mandou García Márquez mudar de profissão. Anos depois, sem dinheiro, ele enviou pelo correio só metade de Cem Anos de Solidão.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Gabriel García Márquez nasceu em 6 de março de 1927, em Aracataca, no Caribe colombiano. Foi criado pelos avós, ouvindo histórias que mais tarde virariam Macondo. Antes de ser romancista, foi jornalista, e passou boa parte da juventude sem dinheiro.

O não

Em fevereiro de 1952, o jovem García Márquez recebeu uma carta de Guillermo de Torre, que comandava o conselho editorial da editora Losada, em Buenos Aires. O romance que ele tinha enviado, A Revoada (La hojarasca), estava recusado. E a carta, segundo os relatos, sugeria que ele procurasse outro ofício. Os amigos do Grupo de Barranquilla o ajudaram a não desistir. O livro saiu em 1955, por outra editora.

O segundo não foi o dinheiro. Em meados dos anos 1960, morando na Cidade do México, García Márquez passou mais de um ano escrevendo Cem Anos de Solidão. A família vivia de empréstimos e do que a mulher dele, Mercedes Barcha, conseguia administrar. Quando o romance ficou pronto, os dois foram ao correio mandar o original à Editorial Sudamericana, em Buenos Aires. O dinheiro só deu para enviar metade. Conta-se que voltaram para casa, empenharam os últimos aparelhos que tinham, um secador de cabelo, um aquecedor e um liquidificador, e voltaram ao correio para mandar o resto.

O que fizeram

Cem Anos de Solidão foi publicado em Buenos Aires em maio de 1967. Virou um dos romances mais lidos da língua espanhola e um marco do realismo mágico. Em 1982, García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

Em 2002, publicou as memórias, Viver para Contar, com uma epígrafe que diz que a vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como a recorda para contá-la.

O que isso tem a ver com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez também nasceu na Colômbia. A história de García Márquez é a de um colombiano que ouviu um não de um editor estrangeiro e, anos depois, mandou pelo correio, pela metade, o livro que mudou a literatura do continente.

O ponto em comum mais bonito está na epígrafe. Na história de Bairo, há um momento em que ele, depois de uma busca espiritual, pede sabedoria e coragem para lembrar como chegar à sua melhor versão, e não para aprender. Para ele, já tinha visto o fim; faltava construir o meio. Está em O Deus do impossível.

Bairo não se compara ao autor de Cem Anos de Solidão. Presta homenagem a um conterrâneo que provou que um não de editor não é a última palavra sobre ninguém.

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Fontes