Bairo GonzalezLeandro · Martinez

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Garrincha: as pernas tortas que o futebol recusou

Garrincha foi recusado por clubes por causa das pernas tortas. Em 1953, num treino no Botafogo, driblou Nilton Santos. Depois, ganhou duas Copas.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, nasceu em 28 de outubro de 1933, em Pau Grande, distrito de Magé, no estado do Rio de Janeiro. Os pais eram de origem indígena, do povo Fulni-ô, vindos de Alagoas. Ele trabalhava numa fábrica de tecidos da vila e jogava no time local.

O não

O corpo de Garrincha parecia dizer não ao futebol. Segundo a biografia escrita por Ruy Castro, Estrela Solitária, a perna direita era cerca de seis centímetros mais curta que a esquerda, e as duas eram curvadas para o mesmo lado. Ele tinha ainda desvio na coluna e na bacia. Ruy Castro registra que há discussão sobre a causa: se era de nascença ou sequela de poliomielite.

Quando tentou os clubes grandes, ouviu não. Foi recusado no Vasco e no São Cristóvão. Passou por testes em outros clubes sem voltar, às vezes por desinteresse dos treinadores, às vezes por medo de perder mais um dia de trabalho na fábrica.

O que fizeram

Em 1953, Garrincha foi treinar no Botafogo. No treino, enfrentou Nilton Santos, lateral da seleção brasileira, e o driblou seguidas vezes. A frase atribuída a Nilton, "ele me deu um baile", virou parte da história: ele mesmo pediu que o clube contratasse o rapaz. O Botafogo pagou pouco por ele, e Garrincha estreou naquele ano.

Ficou no Botafogo até 1965 e marcou centenas de gols pelo clube. Na Copa de 1958, na Suécia, foi peça decisiva no primeiro título mundial do Brasil. Na de 1962, no Chile, com Pelé machucado logo no começo, carregou a seleção e foi um dos destaques do torneio, que muitos chamam até hoje de "a Copa do Garrincha".

A vida fora do campo foi dura. Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, no Rio de Janeiro, de complicações do alcoolismo. A história dele também é um alerta sobre o que acontece quando ninguém cuida de quem já deu tudo.

O que isso tem a ver com Bairo

Na história de Bairo Leandro Gonzalez Martinez, Garrincha lembra a ginga: o movimento que não para, que vai para um lado e volta pelo outro, e nunca fica parado tempo bastante para ser derrubado. É a palavra que a capoeira ensinou a Bairo antes do português. Está em A capoeira foi a ponte.

Há também a parte do corpo que "não servia". Para os clubes que o recusaram, as pernas de Garrincha eram defeito. No Botafogo, viraram o drible. Na história de Bairo, o que parecia fraqueza, a queda, a falta de chão, virou base. Ele resume assim: o não é a base do sim.

O fim triste de Garrincha também ensina, e Bairo não romantiza a queda. Conta as dele com o que custaram. Leia O não é a base do sim e Cinquenta vidas.

Fontes