Método Sétima Tentativa: do não ao sim em 7 passos
Sete passos para empreender depois do não: dizer o sonho, ler o não, provar pequeno, escolher sócios, contar o tempo, aprender e voltar à roda.
Ninguém sabe ao certo quantas vezes Bairo Leandro Gonzalez Martinez tentou, pensou em parar e quase desistiu. Ele conta a própria história por um número: a sétima tentativa, a que deu certo. Não deu certo por sorte. Deu certo porque carregava dentro dela tudo o que as seis anteriores tinham ensinado.
O Método Sétima Tentativa é essa bagagem organizada em sete passos. Não é fórmula de enriquecimento, não promete resultado e não pede que você quebre seis vezes antes de acertar. Pede o contrário: que você aprenda com as quedas dele para precisar de menos quedas suas.
Bairo costuma dizer que não existem coincidências nem casualidades, só propósitos, sonhos e execução. O método segue essa ordem. Os passos 1 e 2 cuidam do sonho e do propósito. Os passos 3 e 4 colocam o sonho à prova. Os passos 5, 6 e 7 são execução.
Passo 1 — Diga o sonho em voz alta
O que é: escrever, numa frase só, o que você quer construir, para quem e por quê. E dizer essa frase para outras pessoas.
Da vida dele: desde menino, na Colômbia, Bairo dizia a quem quisesse ouvir que um dia moraria no Brasil. Não era plano, era uma certeza dita em voz alta antes de existir qualquer caminho. O caminho veio depois, pela capoeira, e em 2002 ele chegou.
Sonho que fica só na cabeça não recebe ajuda, nem crítica, nem cliente. Sonho dito em voz alta começa a encontrar gente.
Exercício: complete, em até 25 palavras: "Eu vou construir ___ para , porque ." Leia em voz alta para três pessoas nesta semana. Anote a primeira pergunta que cada uma fizer: é ali que mora a dúvida que o seu negócio precisa responder.
Passo 2 — Pergunte o que há dentro do não
O que é: tratar cada "não" como informação, não como sentença. Antes de reagir, classifique o não.
Da vida dele: Bairo ouviu duas vezes que uma ideia não daria certo, e reagiu de jeitos diferentes. Quando quis levar inteligência artificial e realidade aumentada ao negócio, disseram que não dava. Ele acreditou, mas desistiu. Anos depois, aquilo virou tendência. Quando decidiu fabricar cosméticos de base natural, disseram de novo que não daria. Dessa vez ele não parou. Deu certo, e os cosméticos naturais viraram tendência também.
Foi aí que ele formulou a frase que virou regra: o não é a base do sim.
Exercício: liste os últimos cinco "nãos" que você ouviu sobre o seu projeto e classifique cada um:
- Não de mercado: ninguém quer pagar por isso. É o único que manda mudar a ideia.
- Não de momento: a ideia é boa, mas chegou cedo ou tarde. Pede paciência e um formato menor.
- Não de pessoa: quem disse não é o seu cliente ou tem outro interesse. Anote e siga.
- Não de execução: a ideia serve, o jeito de fazer não. Pede ajuste, não desistência.
Passo 3 — Prove pequeno: a regra 14/20
O que é: antes de gastar dinheiro de verdade, teste com gente de verdade. A regra é simples: em 14 dias, 20 conversas com pessoas que poderiam pagar pelo que você quer vender. Não com amigos que querem agradar. Com possíveis clientes.
Os números lembram as 14:20 em que Bairo marcou o começo do que construiu, e servem de lembrete: primeiro escutar, depois construir.
Da vida dele: o salão que Bairo abriu com a companheira, quando a filha nasceu, não deu tão certo quanto eles queriam. Mas de dentro dele nasceu uma ideia maior do que o salão: um curso de tratamentos capilares, numa área que só anos depois ganhou espaço no Brasil, a tricologia. A ideia não veio de uma planilha. Veio do dia a dia, de perto de quem já estava ali.
Exercício: marque 20 conversas em 14 dias. Em cada uma, pergunte como a pessoa resolve hoje o problema, quanto isso custa a ela e o que a irrita. Não venda nada. No fim, peça um compromisso pequeno: uma reserva, um pedido, um "me avise quando abrir" com nome e telefone. Se nenhum dos 20 se comprometer com nada, volte ao passo 2.
Passo 4 — Escolha com quem construir
O que é: sócio é decisão tão séria quanto a ideia. E todo acordo entre sócios se escreve antes de dar certo, não depois.
Da vida dele: com a marca de cosméticos de pé, Bairo enxergou o passo seguinte, uma solução com tela sensível ao toque. Era a ideia dele. Os sócios o tiraram do negócio, e a ideia ficou com eles. Anos depois, já na sétima tentativa, ele voltou a construir em equipe, com três velhos conhecidos. Para quem foi deixado na mão, a palavra "juntos" deixou de ser detalhe.
Exercício: antes de assinar qualquer sociedade, respondam por escrito, cada um sozinho, e comparem: quanto cada um põe de dinheiro e de horas? Quem decide o quê? Como alguém sai, e por quanto? O que acontece se um parar de trabalhar? Quem é dono da marca e das ideias? Se as respostas não batem, o problema apareceu a tempo. Leve as respostas a um advogado e transforme em acordo de sócios.
Passo 5 — Conte em tempo de vida
O que é: medir o negócio em tempo, além de dinheiro. Quantas semanas o caixa aguenta? Quantas pessoas dependem dessa decisão? Quantas horas da sua vida isso está custando?
Da vida dele: com o capital juntado em eventos e impressão digital, Bairo entrou como sócio investidor numa empresa. O negócio não era o que parecia e não se sustentou. Ele quebrou de novo, e desta vez, conta, havia cinquenta pessoas que dependiam dele.
Steve Jobs, conta Andy Hertzfeld, convenceu um engenheiro a cortar segundos do tempo de inicialização do Macintosh mostrando que segundos, multiplicados por milhões de pessoas, viravam vidas inteiras. Bairo pensa igual: tempo de vida é a medida de tudo.
Exercício: faça hoje um fluxo de caixa das próximas 13 semanas: o que entra, o que sai, semana a semana. Divida o dinheiro disponível pelo gasto mensal: esse é o seu fôlego, em meses. Escreva também a sua linha vermelha, o ponto em que você para, muda ou pede ajuda, e decida isso agora, de cabeça fria. Antes de pôr dinheiro em negócio alheio, peça os números e mostre a um contador.
Passo 6 — Aprenda o que você não sabe
O que é: quando o caminho conhecido acabou, ir para o desconhecido de propósito, com as ferramentas do seu tempo.
Da vida dele: quebrado, Bairo tomou a decisão mais improvável. Em vez de voltar ao terreno conhecido, decidiu fazer o que não sabia: construir uma moeda, um banco, uma rede. Deu errado, e os mesmos que ele tinha ajudado o deixaram na mão. Ele continuou. Mais tarde, sem saber programar, sentou-se diante do computador e passou seis meses sem sair de casa, aprendendo e construindo. Daqueles meses saiu a base da plataforma do CEASA Bank, erguida sobre uma empresa que já existia desde 2019.
Exercício: faça três colunas. Na primeira, o que você precisa saber e não sabe. Na segunda, o que vai aprender sozinho, em cursos gratuitos como os do Sebrae. Na terceira, o que vai pedir a um parceiro, contratar ou fazer com ajuda de inteligência artificial. Escolha uma coisa da segunda coluna e dê a ela 30 dias.
Passo 7 — Faça silêncio e volte à roda
O que é: depois da queda, parar o barulho antes de decidir, fazer o inventário do que cada tentativa deixou e voltar a jogar.
Da vida dele: houve um momento em que Bairo estava, como ele diz, "falido, quebrado e derrotado", mas ainda com uma chama de esperança e de fé. Foi no silêncio, e na fé que encontrou, que ele diz ter visto a sua melhor versão. Para ele, o símbolo desse silêncio é a frequência de 1420 MHz, a linha do hidrogênio, que os países combinaram deixar livre para que se possa escutar o universo.
E há a capoeira, a sua primeira ponte com o Brasil. Na roda, a ginga nunca para: o corpo vai, volta e não fica parado tempo bastante para ser derrubado. Quem para, cai.
Exercício: antes de qualquer decisão grande, passe 20 minutos sem tela e sem conversa, só com papel. Depois faça o inventário: para cada tentativa que você já fez, escreva o que ela deixou. Na história dele, o curso deixou método, a ideia que chegou cedo deixou o olho para o futuro, os cosméticos deixaram a prova de que ele sabia criar do nada, os sócios deixaram a lição sobre com quem construir. A sua próxima tentativa começa com essa lista na mão.
Se o peso estiver grande demais, não carregue sozinho. O CVV atende de graça, 24 horas, no 188.
O que o método não é
Não é promessa de dinheiro. Não é atalho. Não substitui contador, advogado nem médico. É um jeito de atravessar o "não" sem jogar fora o que ele ensina.
Bairo resume assim: a sétima tentativa tinha todas as outras dentro dela. A sua também pode ter.