Bairo GonzalezLeandro · Martinez

O padrão dos que mudam o mundo

Doze traços que a pesquisa encontra em quem construiu algo grande, os visionários que os viveram e onde eles aparecem na história de Bairo.

Quem construiu as coisas que hoje usamos sem pensar, o carro, o computador pessoal, a mensagem que chega em um segundo, ouviu "não" antes de ouvir "sim". Essa parte quase nunca aparece na foto do sucesso. Mas ela tem um desenho, e a pesquisa sobre empreendedores já conseguiu descrever boa parte dele.

Esta página reúne doze traços que os estudos encontram com frequência em quem construiu empresas que mudaram a vida das pessoas. Para cada um, há o que a pesquisa diz, com a fonte; um visionário conhecido que o viveu, com um fato que pode ser conferido; e o momento da trajetória de Bairo Leandro Gonzalez Martinez em que o mesmo traço aparece.

Não é uma lista para provar nada. É um espelho. Os traços aumentam a chance de alguém construir algo grande e não asseguram nada a ninguém. Saber disso não diminui a história: deixa claro que o que conta é a escolha de seguir em frente.

1. Começar do zero

A pesquisa. Na lista Forbes 400 de 2024, 67% dos mais ricos dos Estados Unidos são classificados como self-made, gente que construiu a própria fortuna em vez de herdá-la. Só 25 tiraram nota máxima na escala da revista, reservada a quem viveu abaixo da linha da pobreza ou enfrentou adversidade pesada (Forbes).

Quem viveu. Jan Koum chegou aos Estados Unidos adolescente e chegou a ficar na fila do auxílio-alimentação. Em 2014, assinou a venda do WhatsApp na porta do antigo escritório de assistência social onde tinha feito essa fila (Forbes).

Em Bairo. Chegou ao Brasil em 2002 e, ao deixar a empresa que o trouxe, ficou sem chão, sem documentos em mãos e com medo. Recomeçou do zero, com a companheira, abrindo um salão quando a filha nasceu. Leia mais

2. Persistência com paixão

A pesquisa. Angela Duckworth chamou de grit a combinação de perseverança e paixão por objetivos de longo prazo. Em seis estudos, esse traço previu conquistas além do que o QI e a disciplina explicavam (Duckworth et al., 2007).

Quem viveu. James Dyson levou cinco anos e 5.127 protótipos até chegar ao aspirador ciclônico que deu nome à empresa (Gizmodo).

Em Bairo. Ninguém sabe quantas vezes ele tentou, pensou em parar e quase desistiu. O número que ele escolheu para contar a história é sete: a sétima tentativa foi a que deu certo. Leia mais

3. Atravessar fronteiras

A pesquisa. Um estudo da National Foundation for American Policy contou 319 empresas de US$ 1 bilhão ou mais, entre 582 startups americanas, com pelo menos um fundador imigrante: 55% (NFAP, 2022).

Quem viveu. Sergey Brin, cofundador do Google, deixou a União Soviética com a família em 1979, aos seis anos (The Immigrant Learning Center).

Em Bairo. Nascido na Colômbia em 1982, dizia desde menino que moraria no Brasil. A capoeira foi a ponte. Leia mais

4. Cair antes de dar certo

A pesquisa. Entre fundadores apoiados por capital de risco, quem já tinha fracassado num negócio anterior teve 22% de chance de sucesso no seguinte; quem empreendia pela primeira vez, 21% (Gompers et al.). O fracasso anterior não tirou ninguém do jogo.

Quem viveu. O primeiro estúdio de Walt Disney, a Laugh-O-Gram, pediu falência em julho de 1923 (Laugh-O-Gram Studio).

Em Bairo. Sócios que o tiraram do negócio, um investimento que não se sustentou, um projeto em que foi deixado na mão. Cada não virou tijolo. Leia mais

5. Aceitar o risco

A pesquisa. Uma meta-análise concluiu que empreendedores têm propensão ao risco maior do que gestores, e que a diferença é maior entre os que buscam crescimento (Stewart e Roth, 2001).

Quem viveu. Em 2008, com Tesla e SpaceX perto de quebrar, Elon Musk dividiu o que lhe restava entre as duas (CNBC).

Em Bairo. Depois de perder tudo, decidiu fazer o que não sabia: construir uma moeda, um banco e uma rede. Leia mais

6. Ver longe

A pesquisa. O McKinsey Global Institute acompanhou 615 empresas entre 2001 e 2014: as que eram geridas com visão de longo prazo tiveram receita acumulada, em média, 47% maior (MGI, 2017).

Quem viveu. Na carta aos acionistas de 1997, Jeff Bezos escreveu que a Amazon decidiria pensando na liderança de longo prazo, não no lucro de curto prazo (carta de 1997).

Em Bairo. Quis levar inteligência artificial e realidade aumentada ao negócio anos antes de virarem tendência. Chegar cedo demais também é chegar sozinho. Leia mais

7. Fé e propósito

A pesquisa. Uma meta-análise de 75 estudos encontrou relação positiva, mas pequena, entre religião e empreendedorismo (Lehmann e Weiße, 2025). E quem trabalha pelos outros persiste mais quando também gosta do que faz (Grant, 2008).

Quem viveu. Truett Cathy fechou seu primeiro restaurante aos domingos em 1946, por convicção cristã. A Chick-fil-A mantém a regra (Chick-fil-A).

Em Bairo. No fundo do poço, numa congregação cristã, ouviu testemunhos e passou a acreditar no Deus do impossível. Leia mais

8. Aprender sozinho

A pesquisa. O que separa os melhores, mostrou Anders Ericsson, é a prática deliberada acumulada por anos (Ericsson et al., 1993).

Quem viveu. Thomas Edison frequentou a escola por poucos meses e aprendeu muito do que sabia lendo por conta própria (National Park Service).

Em Bairo. Não sabia programar. Passou seis meses em casa diante do computador e dali saiu a base da plataforma do CEASA Bank, empresa que já existia desde 2019. Leia mais

9. Assumir o controle

A pesquisa. Quem acredita que o resultado depende das próprias ações tem o que Julian Rotter chamou de lócus de controle interno (Rotter, 1966). Esse traço aparece ligado à criação e ao sucesso de negócios (Rauch e Frese, 2007).

Quem viveu. Soichiro Honda viu uma fábrica bombardeada e outra desabar num terremoto. Vendeu o que sobrou e, em 1946, fundou o instituto que daria origem à Honda (Soichiro Honda).

Em Bairo. Com muita gente dependendo dele, não reclamou. Foi construir. Leia mais

10. Não ter pressa de idade

A pesquisa. Entre as startups de crescimento mais rápido dos Estados Unidos, a idade média do fundador na largada é 45 anos (Azoulay et al., 2020).

Quem viveu. Ray Kroc tinha 52 anos e vendia máquinas de milk-shake quando conheceu os irmãos McDonald, em 1954 (McDonald's).

Em Bairo. Aos 43 anos, registrou em Londres as duas empresas britânicas que hoje dirige. Leia mais

11. Mudar de rota sem mudar de destino

A pesquisa. O Startup Genome Report observou que startups que mudaram de rota uma ou duas vezes levantaram 2,5 vezes mais dinheiro do que as que nunca mudaram ou mudaram demais (Startup Genome, 2011).

Quem viveu. Stewart Butterfield fechou o jogo Glitch em 2012 e transformou a ferramenta interna da equipe no Slack (Slate).

Em Bairo. Salão, curso, cosméticos, eventos, impressão digital, moeda: a rota mudou várias vezes. A direção, não. Leia mais

12. Escolher com quem construir

A pesquisa. Noam Wasserman, de Harvard, estima que 65% das startups de alto potencial fracassam por conflito entre fundadores (CNN).

Quem viveu. Steve Jobs foi afastado da Apple em 1985 e voltou em 1997 (Cult of Mac).

Em Bairo. Os sócios o tiraram de um negócio que ele ajudou a criar. Anos depois, uniu-se a três velhos conhecidos para terminar o que começou. Leia mais

Por que os mesmos traços se repetem

Os pesquisadores que estudam empreendedores costumam chegar a uma conclusão parecida: nenhum traço sozinho faz um fundador. O que pesa é a combinação. A meta-análise de Rauch e Frese mostrou que os traços ligados à tarefa de empreender, como iniciativa, tolerância ao estresse, autonomia e confiança na própria capacidade, preveem melhor a criação e o sucesso de um negócio do que traços gerais de personalidade. Em outras palavras, o que conta é o que a pessoa faz quando a coisa aperta.

Há também um ponto em comum entre as histórias desta página. Em quase todas, o traço apareceu primeiro como dor. A falência de Disney veio antes do Mickey. A fábrica destruída de Honda veio antes da motocicleta. A demissão de Jobs veio antes do iPhone. A pobreza de Koum veio antes do WhatsApp. Ninguém escolheu a queda. Escolheram o que fazer com ela.

Na trajetória de Bairo, a ordem é a mesma. O salão, o curso, a marca de cosméticos, os sócios que o afastaram, a gente que dependia dele, o projeto em que foi deixado na mão. Cada episódio está ligado a um dos traços acima, e cada um deixou alguma coisa na mão dele: método, olho para o futuro, coragem de fazer o que não sabia, a lição sobre com quem construir.

O que o padrão significa

Olhe de novo para os doze. Nenhum deles é talento de nascença. Todos são escolhas que se repetem: começar de novo, tentar outra vez, aprender o que falta, assumir o próprio caminho, confiar em algo maior que o medo.

É por isso que o padrão importa. Ele lembra que tudo o que hoje parece óbvio um dia foi um "não dá". O avião foi um não. O computador em casa foi um não. A mensagem que atravessa o mundo em um segundo foi um não. Antes de virar coisa de todo dia, cada uma dessas ideias foi um sonho na cabeça de alguém que ouviu que era impossível.

Bairo não se compara a Disney, a Jobs ou a Honda. Ele se reconhece no caminho deles, como quem presta homenagem. E a frase que resume a vida dele é a mesma que resume o padrão: o não é a base do sim.

Uma última coisa, dita com honestidade: para cada história que chega até nós, muitas pessoas com os mesmos traços tentaram e não chegaram lá, e é justamente por isso que vale admirar quem segue tentando, não só quem venceu (Denrell, 2003).

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Os traços, um a um

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  3. Por que imigrantes empreendem mais?55% das startups bilionárias dos EUA têm um fundador imigrante. Entenda o que a pesquisa mostra, quem viveu isso e o que o imigrante leva na mala.
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  5. Tolerância ao risco: o traço de quem empreendeEmpreendedores aceitam mais risco que gestores, mostra uma meta-análise. Mas risco bom é risco calculado. Veja a pesquisa, um exemplo real e como treinar.
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