Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Visionários

Thomas Edison e as milhares de coisas que não funcionam

A frase dos "10 mil jeitos que não funcionam" não é bem de Edison. O que ele disse, segundo um colaborador, é ainda melhor. E a lâmpada tem data.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Thomas Edison é talvez o inventor mais citado em frases motivacionais. Muitas dessas frases não são dele, ou não são do jeito que circulam. A história real é mais interessante.

O não

Segundo a biografia escrita em 1910 por Frank Lewis Dyer e Thomas Commerford Martin, colaboradores dele, o menino Edison passou só alguns meses numa escola formal. Ao saber que o professor o tinha chamado de "confuso" (addled, no original), a mãe, que tinha sido professora, tirou-o da escola e passou a ensiná-lo em casa. Circula na internet uma versão comovente em que a mãe teria lido em voz alta uma carta falsa da escola; essa versão foi desmentida pelo Snopes e não entra aqui.

O segundo não foi da própria matéria. Para chegar a uma lâmpada elétrica que durasse, a equipe de Menlo Park testou materiais e mais materiais para o filamento. Em outubro de 1879, um fio de algodão carbonizado ficou aceso por cerca de treze horas e meia. A patente da lâmpada de filamento de carbono foi pedida em 4 de novembro de 1879 e concedida em 27 de janeiro de 1880.

O que fizeram

Edison acumulou mais de mil patentes nos Estados Unidos e montou em Menlo Park um dos primeiros laboratórios de pesquisa industrial do mundo, com equipe dedicada a transformar ideia em produto.

A frase famosa é "Eu não falhei. Só descobri 10 mil jeitos que não funcionam". O Quote Investigator mostra que ela é uma versão posterior de um relato de Walter S. Mallory, colaborador de Edison, publicado na biografia de 1910. Mallory encontrou Edison depois de milhares de experimentos sem sucesso com uma bateria de níquel-ferro e lamentou que não houvesse resultados. Edison teria respondido, sorrindo: "Resultados? Ora, eu tenho muitos resultados! Eu sei milhares de coisas que não funcionam."

O número muda de versão para versão (700, mil, 10 mil, 50 mil). O sentido não muda: cada tentativa que falha diminui o caminho que falta.

O que isso tem a ver com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez costuma dizer que o não é a base do sim. É quase a mesma ideia do "eu sei milhares de coisas que não funcionam": o erro não é o contrário do acerto, é o material de que o acerto é feito.

Na história dele, cada tentativa deixou alguma coisa. O curso deixou método. A ideia que chegou cedo demais deixou o olho para o futuro. A marca de cosméticos deixou a prova de que ele sabia criar do nada. Os sócios que o tiraram deixaram a lição de escolher com quem construir. Ele não sabe dizer quantas vezes tentou; sabe que foi na sétima que deu certo.

Leia: O não é a base do sim · A sétima tentativa · O sol é para todos

Fontes