Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Visionários

Akio Morita: a panela de arroz e o Walkman que não gravava

O primeiro produto da Sony foi uma panela de arroz que não funcionou. Décadas depois, Akio Morita lançou um toca-fitas que não gravava, e ouviu dúvidas.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Akio Morita vinha de uma família tradicional de fabricantes de saquê, no Japão, e era o filho mais velho, destinado a herdar o negócio. Escolheu a física e a eletrônica. Em 1946, num Tóquio destruído pela guerra, fundou com Masaru Ibuka a Tokyo Tsushin Kogyo, uma pequena oficina de consertos de rádio que mais tarde se chamaria Sony.

O não

O primeiro não veio da própria cozinha. Um dos primeiros produtos que a empresa tentou fazer foi uma panela elétrica de arroz: uma tina de madeira com eletrodos de alumínio no fundo. Ela não controlava bem o cozimento, e o arroz saía cru ou queimado conforme o dia. O produto nunca chegou de fato ao mercado.

O segundo veio décadas depois, dentro de uma empresa já grande. Em 1979, a Sony preparava um toca-fitas portátil, pequeno, com fone de ouvido, feito a partir de um gravador da casa do qual se tirou a função de gravar. Muita gente dentro da empresa e no varejo duvidou de um aparelho de fita que não gravava. Relatos da época dizem que Morita assumiu pessoalmente o risco do lançamento; os números atribuídos a essa aposta variam de fonte para fonte, por isso não os repetimos.

No primeiro mês de vendas, em julho de 1979, o Walkman vendeu pouco.

O que fizeram

Depois da panela, a empresa acertou com gravadores de fita, em 1950, e com o rádio transistorizado TR-55, em 1955, o primeiro da Sony. Morita viajou o mundo para vender a marca e insistiu num nome curto, fácil de dizer em qualquer língua: Sony.

O Walkman ganhou o mundo depois de uma campanha que levou o aparelho para as ruas, com gente andando, patinando e pedalando de fone no ouvido. Mudou a forma como as pessoas ouvem música: sozinhas, em movimento, em qualquer lugar. Em 1986, "walkman" entrou no dicionário Oxford.

O que isso tem a ver com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez reconhece nessa história duas lições.

A primeira é a da panela: a primeira tentativa raramente é a que dá certo, e isso não diz nada sobre a última. Na contagem dele, foi na sétima.

A segunda é a do aparelho que "faltava uma função". Às vezes, o que os outros veem como defeito é a própria ideia. Bairo conta que levou ao negócio, anos antes de virar tendência, uma ideia de tecnologia que ouviram dizer que não daria certo. Daquela vez, ele desistiu. Anos depois, a tendência chegou, e ele guardou a lição de não parar na primeira resposta.

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Fontes