Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Visionários

Irmãos Wright e a previsão dos dez milhões de anos

Em outubro de 1903, um jornal previu que o avião levaria até 10 milhões de anos. Sessenta e nove dias depois, os irmãos Wright voaram em Kitty Hawk.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Wilbur e Orville Wright consertavam e fabricavam bicicletas em Dayton, nos Estados Unidos. Não tinham diploma universitário. Tinham método, paciência e uma oficina.

O não

O não mais famoso veio de fora. Em 9 de outubro de 1903, o New York Times publicou um editorial chamado "Flying Machines Which Do Not Fly" ("Máquinas voadoras que não voam"), escrito depois de um fracasso do pesquisador Samuel Langley. O texto dizia que a máquina voadora que realmente voasse talvez fosse desenvolvida, pelos esforços de matemáticos e mecânicos, "em algo entre um milhão e dez milhões de anos".

O outro não veio de dentro, e é ainda mais humano. Em 5 de novembro de 1908, ao receber a medalha de ouro do Aeroclube da França, em Paris, Wilbur confessou que em 1901, desanimado com os testes de planadores, tinha dito ao irmão que o homem não voaria por cinquenta anos. Dois anos depois, eles estavam voando. Wilbur disse que aquilo lhe deu tamanho choque como profeta que ele parou de fazer previsões.

O que fizeram

Em vez de desistir depois de 1901, os irmãos construíram um pequeno túnel de vento na oficina e refizeram as tabelas de sustentação que usavam, porque os dados publicados por outros estavam errados. Em 17 de dezembro de 1903, em Kill Devil Hills, perto de Kitty Hawk, na Carolina do Norte, o Flyer fez quatro voos. O primeiro, com Orville no comando, durou 12 segundos e percorreu cerca de 37 metros. O último, com Wilbur, durou 59 segundos e percorreu cerca de 260 metros. Sessenta e nove dias depois do editorial.

No Brasil, a primazia do voo é atribuída a Santos-Dumont, porque o 14-Bis decolou por meios próprios, sem trilho nem catapulta, diante de público e de comissão oficial, em 1906. As duas histórias são verdadeiras, e cada uma tem a sua página: veja Santos-Dumont e o 14-Bis.

O que isso tem a ver com Bairo

A confissão de Wilbur é a parte que Bairo Leandro Gonzalez Martinez mais reconhece. Às vezes, o "não dá" mais pesado não vem do jornal. Vem de dentro, num dia ruim. O que separou os Wright de todos os outros não foi nunca ter duvidado. Foi voltar à oficina no dia seguinte.

Bairo conta que tentou, pensou em parar e quase desistiu mais vezes do que gosta de lembrar. Também conta que, depois de cada queda, diminuiu o tempo que se permitia ficar no chão. Está em O sol é para todos e em A sétima tentativa. E a regra que ficou é a de sempre: o não é a base do sim.

A data do voo tem página própria: 17 de dezembro.

Fontes