O padrão · Controle
O que é lócus de controle e por que importa
Quem acredita que o resultado depende das próprias ações cria e sustenta mais negócios, mostram as pesquisas. Entenda o traço e como desenvolvê-lo.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Lócus de controle é onde a pessoa coloca a causa do que acontece com ela. Quem tem lócus de controle interno acredita que os resultados dependem, em boa parte, das próprias ações. Quem tem lócus externo atribui tudo à sorte, aos outros ou ao sistema. Entre empreendedores, o lócus interno aparece com frequência, e faz sentido: ninguém abre um negócio acreditando que nada do que faz importa.
O que a pesquisa mostra
O conceito foi proposto pelo psicólogo Julian Rotter em 1966, numa monografia que virou referência. Ele mostrou que as pessoas diferem, de forma estável, na crença de que controlam ou não os reforços da própria vida, e que essa crença muda o jeito como agem (Rotter, 1966).
Quatro décadas depois, Andreas Rauch e Michael Frese reuniram dezenas de estudos sobre a personalidade de donos de negócios numa meta-análise publicada no European Journal of Work and Organizational Psychology. Encontraram que os traços ligados à tarefa de empreender, entre eles o lócus de controle interno, a iniciativa, a confiança na própria capacidade e a tolerância ao estresse, estão associados tanto à decisão de abrir um negócio quanto ao seu sucesso (Rauch e Frese, 2007).
Lócus interno não é achar que tudo depende de você. Crises, mercados e governos existem. É escolher agir sobre a parte que depende.
Quem viveu isso
Soichiro Honda tinha uma fábrica de anéis de pistão, a Tokai Seiki, quando a guerra chegou. Em 1944, um bombardeio destruiu uma das plantas. Em janeiro de 1945, um terremoto derrubou a outra.
Honda não esperou o país se reerguer. Vendeu o que sobrou da empresa à Toyota e, em outubro de 1946, com esse dinheiro, fundou o Instituto de Pesquisa Técnica Honda. Começou adaptando pequenos motores a bicicletas. Em 1948, nascia a Honda Motor (Soichiro Honda).
Na trajetória de Bairo
O momento em que esse traço aparece com mais força na vida de Bairo Leandro Gonzalez Martinez é também o mais duro. Ele tinha entrado como sócio investidor numa empresa que não era o que parecia. O negócio não se sustentou. E, segundo ele conta, havia cinquenta pessoas que dependiam dele.
Há uma reação natural para esse momento, e todo mundo a conhece: reclamar. Do sócio, do sistema, do país, da sorte. Bairo não reclamou. Decidiu fazer algo que não sabia fazer e foi construir.
Anos depois, ele deu a uma de suas frentes, o orquestrador de inteligência artificial CLAIN, um nome que vem do inglês claim: reivindicar o que é seu. O homem que decidiu não reclamar trocou uma palavra pela outra. Em vez de queixa, reivindicação. É o lócus de controle interno virado nome de projeto.
Como desenvolver este traço
- Divida o problema em duas colunas. De um lado, o que depende de você. Do outro, o que não depende. Gaste a energia na primeira.
- Troque "por que comigo" por "o que eu faço agora". A pergunta muda o foco da culpa para a ação.
- Assuma a sua parte nos erros. Sem se destruir. Quem reconhece o próprio erro consegue corrigi-lo; quem culpa os outros repete.
- Comece por uma decisão pequena. Controle se recupera com ações concretas: uma ligação, uma conta paga, um passo dado.
- Cuidado com o excesso. Achar que tudo depende de você leva à culpa e ao esgotamento. Lócus interno saudável reconhece limites.
- Procure ajuda se estiver paralisado. Quando nada parece depender de você por muito tempo, isso pode ser sinal de esgotamento ou depressão. O CVV atende no 188.