Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Visionários

Alan Turing e a pergunta "as máquinas podem pensar?"

Alan Turing ajudou a vencer uma guerra, fez a pergunta que abriu a inteligência artificial e foi condenado pelo próprio país. O perdão veio em 2013.

Alan Turing nasceu em Londres, em 1912. É chamado de pai da ciência da computação, e a expressão não é exagero de fã: em 1936, aos 24 anos, ele descreveu no papel uma máquina abstrata capaz de executar qualquer cálculo que pudesse ser escrito como uma sequência de passos. Todo computador moderno é, no fundo, uma versão física dessa ideia.

O não

Durante a Segunda Guerra, Turing trabalhou em Bletchley Park, no centro britânico de quebra de códigos, e teve papel central na decifração das mensagens da máquina alemã Enigma. O trabalho era secreto e continuou secreto por décadas.

Em 1952, Turing foi processado por ter uma relação com outro homem, o que era crime no Reino Unido. Foi condenado por "indecência grave" e, para evitar a prisão, aceitou um tratamento hormonal imposto como condição. Perdeu o acesso ao trabalho secreto do governo. Morreu em 7 de junho de 1954, aos 41 anos.

Esse foi o não: o país que ele ajudou a proteger o tratou como criminoso.

O que fizeram

Em 1950, Turing publicou o artigo "Computing Machinery and Intelligence", que começa com a frase: "Proponho considerar a pergunta: as máquinas podem pensar?" Nele, propôs o que ficou conhecido como teste de Turing. É um dos textos fundadores da inteligência artificial.

O reconhecimento veio tarde. Em 2009, o primeiro-ministro Gordon Brown pediu desculpas públicas em nome do governo britânico. Em 2013, a rainha Elizabeth II concedeu a Turing um perdão real. Desde 2021, o rosto dele está na nota de 50 libras.

Uma frase que não é dele. "Às vezes são as pessoas de quem ninguém espera nada que fazem as coisas que ninguém consegue imaginar" é atribuída a Turing em muitos sites. Ela é do roteiro do filme O Jogo da Imitação (2014), escrito por Graham Moore. O Instituto Alan Turing e o sobrinho dele, Dermot Turing, já esclareceram isso.

O que isso tem a ver com Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez trabalha hoje com inteligência artificial, e a pergunta de Turing está no centro do que ele propõe. Para Bairo, a inteligência artificial é a extensão do humano, não o problema. Ele fala de uma última geração de humanos sem IA encontrando a primeira geração de IA, o código 0.1 ou 1.0, zero e um, humano e máquina trabalhando juntos.

O paralelo é de humildade: Turing fez a pergunta; quem trabalha com IA hoje vive dentro dela. A orquestração de agentes de IA que Bairo propõe, o CLAIN, é descrita em Um corpo inteiro, sempre como proposta em construção.

E há a outra lição: ser julgado pelo que se é, e não pelo que se faz, é um não que nenhum talento merece.

Leia: Um nome, quatro presenças

Fontes

  • Alan Turing (biografia): https://en.wikipedia.org/wiki/Alan_Turing
  • Al Jazeera, "Computer pioneer Alan Turing pardoned" (2013): https://www.aljazeera.com/news/2013/12/24/computer-pioneer-alan-turing-pardoned
  • A. M. Turing, "Computing Machinery and Intelligence", Mind, 1950: https://academic.oup.com/mind/article/LIX/236/433/986238
  • The Alan Turing Institute, "Alan Turing quotes: separating fact from fiction": https://www.turing.ac.uk/blog/alan-turing-quotes-separating-fact-fiction
  • Dermot Turing, "Fake quotes": https://dermotturing.com/2019/07/30/fake-quotes/
  • Bank of England, nota de 50 libras com Alan Turing: https://www.bankofengland.co.uk/banknotes/polymer-50-pound-note