Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Datas que mudaram tudo

3 de junho: Landell de Moura e a voz sem fio

Em 3 de junho de 1900, em São Paulo, o padre gaúcho Roberto Landell de Moura fez uma demonstração pública da voz humana enviada sem fio, por ondas.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Em 3 de junho de 1900, no alto de Santana, em São Paulo, um padre gaúcho fez uma demonstração pública de um aparelho que enviava a voz humana a distância, sem fio.

O que aconteceu

O padre era Roberto Landell de Moura, nascido em Porto Alegre em janeiro de 1861. Além de sacerdote, era estudioso de física e eletricidade. Segundo os registros biográficos, a demonstração de 3 de junho de 1900 teve entre as testemunhas o cônsul britânico em São Paulo, e a voz foi recebida a vários quilômetros de distância.

No ano seguinte, em 9 de março de 1901, ele obteve no Brasil a patente nº 3.279, para um aparelho destinado à comunicação fonética a distância, com ou sem fio. Depois, foi para os Estados Unidos e, em 1904, obteve três patentes americanas: um transmissor de ondas, em 11 de outubro, e um telefone sem fio e um telégrafo sem fio, em 22 de novembro.

Por que importa

Landell de Moura é lembrado no Brasil como um dos pioneiros das telecomunicações sem fio e da radiotelefonia. Quem inventou o rádio é uma pergunta com muitas respostas, porque várias pessoas, em vários países, trabalharam ao mesmo tempo no problema. O nome do padre brasileiro costuma ser esquecido fora do país, e por isso esta data merece ser lembrada.

Ele também enfrentou o não. Em relato biográfico, contou que uma multidão supersticiosa, convencida de que ele tinha parte com o diabo, invadiu o seu local de trabalho e destruiu os aparelhos, e que quase todos os amigos instruídos viam as suas teorias como contrárias à ciência. O episódio vem de relato do próprio padre, citado por biógrafos; não localizamos documento policial ou de imprensa da época.

Landell de Moura morreu em Porto Alegre, em 30 de junho de 1928, sem ter visto o seu trabalho reconhecido em vida como merecia.

A ponte com a visão de Bairo

Landell de Moura viveu duas vocações que muita gente acha que não combinam: a fé e a ciência. Bairo Leandro Gonzalez Martinez também fala das duas na mesma frase. Ele encontrou a fé no fundo do poço, e diz que, para quem confia no seu Deus da criação, não importa a crença religiosa. Está em O Deus do impossível.

Há ainda a ligação com as ondas de rádio. O projeto de Bairo se chama 1420, a frequência do hidrogênio, que o mundo combinou deixar em silêncio para a ciência ouvir o universo. Ninguém emite nessa faixa, nem o projeto; o número é símbolo. Landell de Moura mostrou que a voz podia viajar pelo ar. A linha do hidrogênio lembra que algumas frequências existem para ser escutadas. Leia A frequência do silêncio.

Leia também: Frank Drake e o silêncio de 1420 MHz

Fontes