Capítulo 5
Cinquenta vidas
Cinquenta pessoas dependendo dele, um negócio que ruiu e uma escolha improvável: construir moeda, banco e rede sem saber como.
Com o capital dos eventos, Bairo entrou numa empresa como sócio investidor.
O negócio não era o que parecia. Não se sustentou.
Faliu de novo.
O peso
Desta vez a queda não era só dele. Havia cinquenta pessoas que dependiam dele. Cinquenta vidas humanas, num negócio em que ele tinha confiado.
Há uma reação natural para esse momento, e todo mundo a conhece. Reclamar. Do sócio, do sistema, do país, da sorte.
Bairo não reclamou.
Anos depois, ele daria a uma inteligência artificial o nome de reclamar, mas no outro sentido da palavra. Esse dia ainda estava longe.
Fazer o que não sabia
Naquele momento, ele tomou a decisão mais improvável que alguém falido pode tomar. Em vez de procurar o terreno conhecido, foi para o desconhecido. Decidiu fazer algo que ele não sabia fazer.
Construir uma moeda. Construir um banco. Construir uma rede de navegação.
Para quem nunca tinha feito nada disso, a lista parece delírio. Para Bairo, era a mesma lógica de sempre: se ninguém faz, é porque alguém precisa fazer.
Na mão
Deu errado.
E não deu errado por falta de ideia. Deu errado por causa de gente. Os mesmos que ele tinha ajudado o deixaram na mão.
É a frase mais curta desta história, e a mais dura de escrever. Ser abandonado por estranhos ensina cautela. Ser abandonado por quem você ajudou ensina outra coisa: que a sua decisão não pode depender da gratidão de ninguém.
Continuar
Isso não o fez desistir.
Ele continuou. E, desta vez, deu certo.