Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Empreender · 10 de março de 2026

Forbes 2026: dois em cada três bilionários começaram do zero

A lista Forbes 2026 tem 3.428 bilionários e 67% self-made, com os mais jovens da história e a brasileira Luana Lopes Lara. O que o padrão ensina.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

A lista de bilionários da Forbes de 2026, publicada em 10 de março, reúne 3.428 pessoas, um recorde, e mostra que 67% delas são self-made: construíram a fortuna em vez de herdá-la. Dois em cada três. A mesma edição registrou os bilionários self-made mais jovens da história, três sócios de 22 anos, e uma brasileira de 29 anos como a mulher self-made mais jovem do mundo, Luana Lopes Lara.

O que aconteceu

A edição de 2026 é a 40ª lista anual da Forbes. Os números gerais:

  • 3.428 bilionários, 400 a mais do que em 2025;
  • US$ 20,1 trilhões somados;
  • 390 estreantes;
  • 67% self-made;
  • 481 mulheres, 14% do total, das quais 122 construíram a própria fortuna;
  • por país, os Estados Unidos lideram com 989 nomes, seguidos por China com Hong Kong (610) e Índia (229).

Entre os mais jovens, a Forbes destacou o trio que fundou a Mercor, startup de recrutamento com inteligência artificial: Surya Midha, Brendan Foody e Adarsh Hiremath, todos com 22 anos e cerca de US$ 2,2 bilhões cada. São os self-made mais jovens já registrados pela revista. No total, 35 bilionários têm menos de 30 anos, e 12 deles construíram a fortuna do zero, também um recorde.

O Brasil aparece com 70 nomes. Ganhou 18 e perdeu 3 em relação ao ano anterior. Entre eles está Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, plataforma americana de mercados de previsão. Segundo a Forbes Brasil, ela foi bailarina profissional antes de se formar em engenharia no MIT e construiu a empresa com o sócio Tarek Mansour. A revista não informa quantos dos 70 brasileiros são self-made.

Por que importa

O dado de 67% derruba uma ideia comum: a de que a grande fortuna é, quase sempre, herança. Na lista de 2026, construir é o caminho mais frequente entre os que chegaram lá. O mesmo percentual já aparecia na Forbes 400 americana de 2024, o que sugere uma tendência, não um acaso de um ano.

Mas o número precisa ser lido com honestidade. A lista conta quem chegou, não quem tentou. Para cada nome ali, existem milhões de pessoas que começaram do zero, trabalharam tanto quanto e não ficaram ricas. Os casos mais jovens também chamam a atenção por concentrarem setores muito específicos, como inteligência artificial e mercados de previsão, em que o valor das empresas subiu depressa. O que a lista mostra é um padrão de origem, não uma receita de chegada.

Na visão de Bairo

Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, o que interessa na lista não é o tamanho das fortunas. É o ponto de partida. Ele estudou os traços que a pesquisa encontra em quem construiu algo grande e os organizou em O padrão dos que mudam o mundo. O primeiro deles é justamente começar do zero, tema que ele aprofunda em Características dos bilionários.

Na leitura dele, começar do zero não é uma desvantagem a esconder: é um inventário. Quem chegou ao Brasil em 2002, ficou sem chão ao deixar a empresa que o trouxe e recomeçou abrindo um salão com a companheira sabe do que é feito esse ponto de partida. Bairo conta que tudo o que construiu depois, até o CEASA Bank, saiu dali.

Para Bairo, traços como persistência, aceitar o risco, aprender sozinho e ver longe aumentam a chance de alguém construir algo que dure. Não garantem nada. Ele não promete riqueza a quem segue o padrão e não trata a lista como destino. Na visão dele, o que vale copiar dos nomes da Forbes não é o patrimônio, e sim a disposição de tentar de novo depois do não. É a lógica do Método Sétima Tentativa: provar pequeno, aprender com cada queda e medir o esforço em tempo de vida.

Onde isso encontra o ecossistema

As frentes que Bairo fundou nasceram, cada uma, de um começo com pouco. O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio, teve a base construída por ele em seis meses, em casa, sem saber programar. O CLAIN, orquestrador de agentes de inteligência artificial, é a proposta de colocar orientação de nicho ao alcance de quem está começando, para organizar a ideia e enxergar o risco antes de gastar. O Instituto CEASA carrega a parte social dessa visão.

Nada disso é apresentado como caminho para enriquecer. O texto descreve propostas, e a decisão de empreender continua sendo de cada pessoa.

Fontes

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