Bairo GonzalezLeandro · Martinez

O padrão · Fracasso

Fracassar antes de dar certo: o que a pesquisa diz

Quem já fracassou tem a mesma chance de sucesso de quem empreende pela primeira vez. A queda não tira ninguém do jogo; o que conta é o que se aprende.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Fracassar num negócio não impede ninguém de construir o próximo. É o que mostram os dados de uma das pesquisas mais citadas sobre empreendedores em série: quem já fracassou tem praticamente a mesma chance de sucesso que quem empreende pela primeira vez. A queda não é uma sentença. Às vezes, é a primeira aula.

O que a pesquisa mostra

Paul Gompers, Anna Kovner, Josh Lerner e David Scharfstein, de Harvard e do Federal Reserve de Nova York, estudaram milhares de empresas americanas apoiadas por capital de risco. Definiram sucesso de forma objetiva: a empresa chegou à bolsa de valores.

O resultado, publicado no Journal of Financial Economics em 2010: quem já tinha tido sucesso numa empresa anterior teve 30% de chance de repetir o feito. Quem empreendia pela primeira vez, 21%. E quem já tinha fracassado antes, 22% (Gompers et al.).

Há duas leituras honestas desse número. A primeira: o sucesso anterior ajuda, porque quem já acertou tende a ter habilidade e porque fornecedores e clientes confiam mais nele. A segunda, a que interessa a quem está no chão: o fracasso anterior não piorou a chance de ninguém. Quem caiu e voltou estava, no mínimo, empatado com quem nunca tinha tentado.

Há outro dado que pesa: a pesquisa só enxerga quem teve coragem de tentar de novo. Quem desistiu depois da primeira queda não aparece em nenhuma estatística de segunda empresa.

Quem viveu isso

Em 1922, em Kansas City, Walt Disney abriu o primeiro estúdio de animação, a Laugh-O-Gram Films. Um cliente que devia dinheiro ao estúdio quebrou antes de pagar. Disney cortou equipe, cortou salários, encolheu o espaço para duas salas. Chegou a dormir no escritório.

Em julho de 1923, a Laugh-O-Gram pediu falência. Disney partiu para Hollywood com pouco dinheiro e um filme inacabado debaixo do braço (Laugh-O-Gram Studio). Cinco anos depois, apresentava ao mundo um camundongo chamado Mickey.

Na trajetória de Bairo

A trajetória de Bairo Leandro Gonzalez Martinez é uma lista de quedas contadas sem maquiagem.

Os sócios o tiraram de um negócio que ele ajudou a criar, e a ideia ficou com eles. Com o capital que juntou depois, entrou como sócio investidor numa empresa que não era o que parecia e não se sustentou, com muita gente dependendo dele. Em seguida, decidiu construir uma moeda, um banco e uma rede, e o projeto deu errado porque os mesmos que ele tinha ajudado o deixaram na mão.

Ele fez de cada uma dessas portas fechadas um tijolo. O curso deixou método. A ideia que chegou cedo demais deixou o olho para o futuro. Os sócios deixaram a lição sobre com quem construir. A quebra deixou a coragem de fazer o que ele não sabia. É por isso que ele resume a vida numa frase: o não é a base do sim.

Como desenvolver este traço

  1. Faça a autópsia, não o julgamento. Liste o que dependia de você e deu errado, o que não dependia e o que deu certo. Essa lista é matéria-prima.
  2. Separe o fracasso do negócio do seu valor. Fracasso é evento, não identidade. Uma empresa fechou; você continua.
  3. Guarde o que funcionou. Quase todo negócio que fecha deixa algo de pé: um cliente fiel, um processo, uma habilidade. Leve isso para o próximo.
  4. Volte com um passo menor. Depois de uma queda, teste antes de apostar tudo. Valide a ideia com pouco dinheiro.
  5. Conte a história com honestidade. Quem esconde o fracasso perde a lição. Quem conta, sem drama e sem culpar os outros, ganha credibilidade.
  6. Se a dor não passa, procure ajuda. Tristeza que dura semanas pede cuidado profissional. O CVV atende no 188, de graça, 24 horas.

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