Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Agro · 17 de janeiro de 2026

Mercosul e UE: o que muda para o hortifrúti das CEASAs

O acordo Mercosul–UE, assinado em 17/01/2026, zera tarifas de frutas como uva, limão e melão. O que isso muda para quem produz e vende nas CEASAs.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O Mercosul e a União Europeia assinaram o acordo de parceria em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, depois de mais de 25 anos de negociação. Para a fruta brasileira, a mudança é concreta: a uva de mesa passou a entrar na Europa sem tarifa, e limão, lima, melão, melancia e abacate têm as tarifas eliminadas em prazos de até sete anos. Quem produz e vende fruta nas centrais de abastecimento ganhou um mercado mais aberto. O que ainda falta é o caminho até ele.

O que aconteceu

A assinatura veio depois de o Conselho da União Europeia aprovar o texto em 9 de janeiro de 2026. O acordo tem dois instrumentos: um acordo comercial interino, que trata de tarifas, e um acordo de parceria mais amplo, com pilares político e de cooperação. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil exportou US$ 21,8 bilhões em produtos agropecuários para o bloco europeu em 2025, ou US$ 25,2 bilhões quando se somam celulose, couro e madeira.

No caso das frutas, o calendário de desgravação é o que importa para quem está no campo. Pelo resumo publicado pela Agência Brasil, a uva fresca de mesa perde de imediato a tarifa de 11%. O abacate, que pagava 4%, fica livre em quatro anos. Limões e limas, com tarifa de 14%, e melões e melancias, com 9%, têm a cobrança retirada em até sete anos.

Com a aplicação provisória do acordo, a partir de 1º de maio de 2026, os primeiros embarques de uva com tarifa zero seguiram para a Europa. A CNN Brasil registrou a avaliação da Abrafrutas, a associação dos produtores e exportadores de frutas: o Brasil está entre os maiores produtores de fruta do mundo, mas ainda exporta pouco do que colhe. O limão foi citado como exemplo, com menos de 10% da produção indo para fora.

Por que importa

A fruta exportada e a fruta vendida na CEASA saem, muitas vezes, da mesma região e às vezes do mesmo pomar. Segundo a Conab, as 54 centrais de abastecimento acompanhadas pelo Prohort comercializaram 16,6 milhões de toneladas de frutas e hortaliças em 2025, num valor de R$ 68,7 bilhões. No mesmo levantamento, a exportação de frutas cresceu 19,7%, para cerca de 1,3 milhão de toneladas, com a União Europeia entre os principais destinos.

Tarifa zero não vira renda sozinha. Para vender à Europa, o produtor precisa cumprir exigência sanitária, rastrear o lote, falar a língua do contrato e receber em moeda estrangeira com segurança. O pequeno e o médio, que hoje vendem na central ou para um atravessador, raramente têm essa estrutura. Se nada mudar no meio do caminho, quem já exporta captura o ganho e quem vende no pavilhão continua onde está.

Na visão de Bairo

Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, o acordo confirma uma ideia que ele repete desde que começou a construir o CEASA Bank: o problema do produtor não é falta de mercado, é falta de conexão. Na leitura dele, um tratado que abre a Europa para o limão brasileiro vale pouco para a família que planta limão se ela continuar sem saber quanto o produto vale lá fora e sem um jeito simples de fechar a venda.

Bairo defende a conexão direta entre quem produz, quem comercializa e quem compra, com preço visível antes da negociação. Para ele, a cotação precisa partir de dados públicos e atualizados, como os boletins das CEASAs e os levantamentos da Conab, e mostrar ao produtor a diferença entre vender no pavilhão e vender para fora. Na visão dele, o pequeno só participa do comércio exterior quando a burocracia cabe no celular.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank é uma plataforma financeira do agronegócio, fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de uma instituição autorizada. Não é um banco autorizado pelo Banco Central. A proposta da plataforma conversa diretamente com o acordo: uma inteligência artificial de nicho que sugere preço de referência com dados das CEASAs e da Conab, calcula o frete de exportação e transforma a venda numa invoice pensada para sair em poucos minutos.

O desenho prevê ainda abertura de conta no país do comprador e registro da operação na BTZ Chain, a rede de registro do ecossistema, para que cada venda vire histórico verificável do produtor. Essas funções são descritas como proposta da plataforma, em construção, e não como serviço disponível em todas as centrais.

Fontes

  • Ministério da Agricultura e Pecuária, página oficial do Acordo Mercosul–União Europeia (assinatura em 17/01/2026; exportações agropecuárias à UE em 2025): gov.br/agricultura
  • MRE, MDIC e MAPA, nota conjunta sobre a assinatura do acordo, janeiro de 2026: gov.br/mdic
  • Agência Brasil, "Entenda como ficam exportações agrícolas após acordo Mercosul-UE", dezembro de 2024 (calendário das frutas): agenciabrasil.ebc.com.br
  • CNN Brasil, "Brasil faz primeiros embarques de uvas com tarifa zero à UE", 2026: cnnbrasil.com.br
  • Conab/Prohort, comercialização nas Ceasas em 2025, publicado em 28/07/2026: gov.br/conab

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