No mundo · Agro · 1 de julho de 2025
Plano Safra 2025/26: R$ 516 bilhões com juro mais alto
O Plano Safra 2025/26 liberou R$ 516,2 bilhões ao agro empresarial com custeio a 14% ao ano e Selic em 15%. O que isso pesou para quem produz.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
O Plano Safra 2025/26, lançado em 1º de julho de 2025 no Palácio do Planalto, colocou R$ 516,2 bilhões à disposição da agricultura empresarial, R$ 8 bilhões a mais que no ciclo anterior. O volume foi recorde em valor nominal, mas veio com o juro mais caro da série recente: a taxa principal de custeio subiu para 14% ao ano, num momento em que a Selic estava em 15%. Para o produtor médio e pequeno, o recado foi duplo: havia dinheiro, mas ele custava mais.
O que aconteceu
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o plano reservou R$ 414,7 bilhões para custeio e comercialização e R$ 101,5 bilhões para investimento, voltados a médios e grandes produtores. As taxas das linhas de custeio e investimento ficaram entre 8,5% e 14% ao ano, com desconto para quem adota práticas sustentáveis e mantém o Cadastro Ambiental Rural regular.
A Frente Parlamentar da Agropecuária publicou, em 4 de julho de 2025, uma análise com o título que resumia a crítica do setor: a maior taxa de juros já paga pelo produtor rural no programa. Pelos números da FPA, o custeio geral passou de 12% para 14%, o Pronamp, linha do médio produtor, de 8% para 10%, e o Moderfrota, de máquinas, de 8,5% para 13,5%. A entidade estimou que a Selic em 15% impunha um custo adicional de juros entre R$ 54 bilhões e R$ 58 bilhões aos produtores.
Um ano depois, ao lançar o plano seguinte, o próprio governo usou o 2025/26 como base de comparação. A Agência Brasil registrou que a taxa de custeio caiu de 14% para 12,5% no ciclo 2026/27, e o Pronamp, de 10% para 9%.
Por que importa
O Plano Safra é a principal política de crédito rural do país, mas não chega do mesmo jeito a todos. O juro controlado é limitado, e boa parte do volume anunciado circula a taxas livres, por instrumentos como a Cédula de Produto Rural e as Letras de Crédito do Agronegócio. Quem tem cadastro, garantia e relacionamento bancário consegue as melhores linhas. Quem não tem paga mais ou fica sem.
O ciclo 2025/26 coincidiu com uma onda de inadimplência no campo. A Bloomberg noticiou, em maio de 2025, que os calotes de produtores obrigavam o Banco do Brasil, maior financiador do agro, a rever suas contas. Juro alto, clima ruim e insumo caro formaram o cenário em que muita gente plantou com dinheiro mais caro do que a margem permitia.
Na visão de Bairo
Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, o Plano Safra mostra o tamanho do agro e, ao mesmo tempo, o tamanho da distância entre o anúncio e o pavilhão. Na leitura dele, o produtor que vende toda semana numa central de abastecimento movimenta dinheiro real e, ainda assim, não tem um histórico que um analista de crédito reconheça. Quando o juro sobe, esse produtor é o primeiro a sentir e o último a ser atendido.
Bairo defende que o crédito de safra nasça da operação real: a venda registrada, o pagamento rastreável, a regularidade comprovada. Para ele, a conexão direta entre produtor, comerciante e comprador, com cotação baseada em dados da CEASA e da Conab, é o que permite ao produtor vender na hora certa, e não na hora em que precisa de dinheiro.
Onde isso encontra o ecossistema
O CEASA Bank é uma plataforma financeira do agronegócio, fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de uma instituição autorizada. Não é um banco autorizado nem substitui o Plano Safra. A proposta é outra: organizar a cotação com inteligência artificial a partir de dados públicos das CEASAs e da Conab, emitir a cobrança em minutos e transformar cada venda em histórico.
O crédito ligado à safra aparece no desenho da plataforma como etapa seguinte, e a ideia é que o histórico registrado ajude o produtor a negociar condições melhores com instituições autorizadas. A plataforma não promete taxa nem aprovação de crédito.
Fontes
- Ministério da Agricultura e Pecuária, "Governo Federal lança Plano Safra 2025/2026 com R$ 516,2 bilhões para impulsionar o agro brasileiro", 01/07/2025: gov.br/agricultura
- Agência FPA, "Por dentro dos números do Plano Safra 2025/26: a maior taxa de juros já paga pelo produtor rural", 04/07/2025: agencia.fpagropecuaria.org.br
- Agência Brasil, "Brazil launches BRL 525.1B Crop Plan for 2026/2027", julho de 2026 (comparação com o ciclo 2025/26): agenciabrasil.ebc.com.br
- Bloomberg, "Farmer Defaults Force Reckoning at Banco do Brasil", 27/05/2025: bloomberg.com
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