No mundo · Agro · 28 de julho de 2026
As Ceasas movimentaram R$ 68,7 bilhões em 2025
Segundo a Conab, 54 Ceasas venderam 16,6 milhões de toneladas de frutas e hortaliças em 2025, ou R$ 68,7 bilhões. O que os números dizem sobre o produtor.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
As centrais de abastecimento do Brasil comercializaram 16,6 milhões de toneladas de frutas e hortaliças em 2025, num valor de R$ 68,7 bilhões. Os números são do Prohort, o programa da Companhia Nacional de Abastecimento que acompanha 54 Ceasas pelo país, e foram divulgados em 28 de julho de 2026. O volume ficou praticamente estável, com queda de 0,82% sobre 2024, e a explicação da Conab é o clima: condições adversas reduziram a oferta e mantiveram preços altos.
O que aconteceu
O relatório anual do Prohort mostra onde a comida fresca do país troca de mão. A Ceagesp, na capital paulista, liderou com 2,99 milhões de toneladas e R$ 13,9 bilhões em negócios, seguida por Juazeiro, na Bahia, Contagem, em Minas Gerais, e a Ceasa do Rio de Janeiro. O Sudeste concentrou mais da metade do volume e do valor: 52% das toneladas e 54% do dinheiro, segundo o resumo publicado pela CNN Brasil.
As hortaliças recuaram 2,8% em volume. Entre as 26 maiores centrais, seis registraram alta na venda de hortaliças, com destaque para Rio Branco, no Acre, que cresceu quase 45%. Do lado das frutas, o mesmo levantamento registrou alta de 19,7% na exportação, para cerca de 1,3 milhão de toneladas e US$ 1,56 bilhão, com a União Europeia entre os principais destinos e manga, melão e cítricos à frente.
Por que importa
O Prohort é uma das poucas fontes públicas, contínuas e nacionais sobre o mercado atacadista de alimento fresco. Ele registra volume, origem e preço praticado nas centrais, e por isso é a base mais sólida para quem quer saber quanto vale uma caixa de tomate em Contagem ou um quilo de banana no Ceagesp.
Ao mesmo tempo, o relatório revela uma assimetria. R$ 68,7 bilhões passam todo ano pelos pavilhões, mas a informação de preço chega tarde a quem planta. O produtor familiar, que segundo o Censo Agropecuário de 2017 do IBGE representa 77% dos estabelecimentos rurais, muitas vezes descobre o preço da carga depois de ela ter sido vendida. A queda de volume em 2025 por causa do clima mostra também o quanto essa renda é exposta: uma chuva fora de hora muda a safra e o caixa do ano.
Na visão de Bairo
Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, o relatório do Prohort é o retrato do lugar onde ele decidiu trabalhar. Na leitura dele, a central de abastecimento às quatro da manhã é o país funcionando, com caminhões chegando do interior e preços se formando em minutos, mas ainda com o produtor negociando no escuro.
Bairo defende que os dados públicos da CEASA e da Conab deixem de ficar em relatórios e passem a orientar a negociação no momento em que ela acontece. Para ele, a conexão direta entre produtor, comerciante e comprador, com um preço de referência visível antes de o caminhão ser carregado, é o que transforma estatística em poder de negociação. Na visão dele, informação de preço não é luxo; é a primeira ferramenta financeira de quem produz.
Onde isso encontra o ecossistema
O CEASA Bank nasceu dessa realidade. É uma plataforma financeira do agronegócio, fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de uma instituição autorizada; não é um banco autorizado pelo Banco Central. A proposta central é uma inteligência artificial de nicho que organiza dados das CEASAs e da Conab e sugere uma faixa de preço, deixando a decisão com o produtor ou o comerciante.
A partir da cotação, o desenho prevê a cobrança emitida em minutos, a conta e a maquininha oferecidas por meio de instituição autorizada e o registro de cada venda como histórico financeiro de quem a fez. O Instituto CEASA, outra frente fundada por Bairo, propõe usar o excedente dessas mesmas centrais para produzir alimento de longa duração.
Fontes
- Conab, "Comercialização de frutas e de hortaliças nas Ceasas brasileiras totalizam 16,6 milhões de toneladas em 2025", 28/07/2026: gov.br/conab
- Conab/Prohort, "Centrais de Abastecimento: comercialização de frutas e hortaliças 2025" (relatório em PDF): gov.br/conab
- CNN Brasil, "Comercialização de hortigranjeiros recua 0,82% em 2025, diz Conab", 2026: cnnbrasil.com.br
- IBGE, Censo Agropecuário 2017, agricultura familiar (77% dos estabelecimentos): censoagro2017.ibge.gov.br
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