O padrão · Começar do zero
Características dos bilionários: começar do zero
Dois em cada três da Forbes 400 de 2024 construíram a própria fortuna. Veja o que a pesquisa diz sobre quem começa do zero e como desenvolver esse traço.
A característica mais comum entre os bilionários de hoje não é a herança. Segundo a Forbes, a maioria dos mais ricos dos Estados Unidos construiu a própria fortuna. E uma parte pequena, mas real, saiu de baixo: da pobreza, da fila do auxílio, da falta de chão. Começar do zero não é exceção na história de quem construiu algo grande. É um ponto de partida frequente.
O que a pesquisa mostra
Desde 1982, a Forbes publica a lista dos 400 americanos mais ricos. Desde 2014, dá a cada um uma nota de 1 a 10 para medir o quanto a fortuna foi construída ou herdada. De 1 a 5, a pessoa herdou a maior parte. De 6 a 10, construiu.
Na lista de 2024, 267 dos 400 tiveram nota entre 6 e 10: 67% são classificados como self-made. A nota mais comum é 8, que indica origem de classe média. Só 25 pessoas tiraram 10, a nota de quem viveu abaixo da linha da pobreza ou enfrentou adversidade pesada no caminho (Forbes, 2024).
O número diz duas coisas ao mesmo tempo. A primeira inspira: construir é o caminho mais comum entre os que chegaram lá. A segunda é honesta: sair do zero absoluto é raro, e quem conseguiu enfrentou mais do que a média. Por isso essas histórias merecem ser contadas com cuidado, sem transformar exceção em regra.
Quem viveu isso
Jan Koum nasceu na Ucrânia e chegou aos Estados Unidos aos 16 anos, com a mãe. Os dois chegaram a viver de auxílio-alimentação. Anos depois, Koum fundou o WhatsApp com Brian Acton. Em fevereiro de 2014, quando assinou a venda da empresa ao Facebook, escolheu um lugar: a porta do antigo escritório de assistência social de Mountain View, onde tinha ficado na fila para receber o auxílio. A cena foi registrada pela Forbes (Forbes, 2014).
O gesto conta o traço melhor que qualquer definição. Quem começa do zero não esquece de onde veio. Carrega o ponto de partida como medida.
Na trajetória de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez chegou ao Brasil em 2002, trazido por uma empresa de educação, num cargo de gerência. O sonho de menino estava cumprido. Até o dia em que ele quis seguir o próprio caminho e sair da empresa.
Foi aí que descobriu como um imigrante pode ficar sem chão: sem documentos em mãos, longe de casa, com medo. Vieram anos difíceis, sem rumo e sem rede. Ele resume esse tempo numa frase: o sol é para todos, mas a sombra, no calor, é para poucos.
O recomeço teve endereço de bairro. Com a companheira, quando a filha nasceu, ele abriu um salão. Não deu tão certo quanto queriam, mas dali nasceu um curso de tratamentos capilares, numa área que só anos depois ganhou espaço no Brasil, a tricologia. Era o zero virando um. Tudo o que ele construiu depois partiu desse ponto.
Como desenvolver este traço
- Faça o inventário do que sobrou. Quem está no zero raramente está no vazio. Escreva o que você ainda tem: uma habilidade, um contato, um idioma, uma pessoa ao lado.
- Comece pelo menor negócio possível. Bairo começou com um salão. Koum, com um aplicativo simples. O primeiro passo não precisa ser o tamanho do sonho.
- Venda o que você sabe fazer. Um curso, um serviço, uma consultoria. Conhecimento é o capital de quem não tem capital.
- Guarde o ponto de partida. Anote onde você estava. Ele vai servir de medida e de lembrete nos dias bons e nos ruins.
- Peça ajuda sem vergonha. Programas públicos, associações de empreendedores e redes de imigrantes existem para isso. Usar não é fraqueza.
Começar do zero não decide o fim da história. Decide só por onde ela começa.