No mundo · Agro · 10 de setembro de 2026
El Niño muito forte em 2026: o que muda na safra
Depois da La Niña fraca de 2025/26, o Inmet vê mais de 90% de chance de um El Niño muito forte em 2026/27. O que isso significa para a safra e o preço.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
O Brasil entra na safra 2026/27 sob um El Niño que pode ser um dos mais fortes já medidos. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, o fenômeno foi declarado em junho de 2026 e tem probabilidade superior a 90% de ser muito forte na primavera e no verão de 2026/27. A expectativa é de chuva acima da média no Sul e de tempo mais seco no Norte, no Nordeste e em partes do Centro-Oeste. Para quem produz alimento, isso significa um ano de risco desigual entre as regiões.
O que aconteceu
O ciclo começou com o oposto. A safra 2025/26 foi marcada por uma La Niña de intensidade fraca, que se dissipou no início de 2026. Em boletim publicado em 10 de setembro de 2026, o Inmet reconstituiu essa virada: em janeiro, os modelos já indicavam transição para a neutralidade; em junho, o El Niño foi declarado; e, desde então, o aquecimento do Pacífico se intensificou rapidamente. O instituto aponta 75% de chance de o evento se tornar, entre outubro e dezembro, o mais forte registrado desde 1950, e reforça que se trata de previsão probabilística, não de certeza.
Os efeitos esperados variam por região. No Sul, em especial no Rio Grande do Sul, o risco é de chuva intensa e alagamento. No Norte e no Nordeste, de chuva abaixo da média e seca. No Brasil central, de temperaturas altas e períodos secos prolongados.
A projeção já chegou às planilhas. Em maio, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o Imea, estimou para a soja de Mato Grosso em 2026/27 produtividade de 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43%, e produção de 48,88 milhões de toneladas, segundo a CNA. Em 1º de setembro, o meteorologista John Baranick, da DTN, escreveu que as áreas mais próximas da Amazônia, como Mato Grosso, correm maior risco de seca prolongada, enquanto o Sul tende a ser favorecido.
Por que importa
Clima é o primeiro risco do agro e o que mais rapidamente vira preço. A Conab atribuiu a leve queda no volume de frutas e hortaliças vendidas nas centrais de abastecimento em 2025 justamente às condições climáticas adversas. Um El Niño forte pode repetir esse efeito em escala maior: excesso de água no Sul, falta no Norte e no Nordeste, oferta irregular e preços mais voláteis.
Para o produtor de hortifrúti, que trabalha com produto perecível e margem curta, a volatilidade é dupla. Uma chuva fora de hora derruba a qualidade da carga, e uma seca encarece a irrigação. Para o comerciante da central, a oferta incerta muda a negociação todos os dias. E para quem compra comida, a conta chega no prato.
Na visão de Bairo
Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, o El Niño mostra por que o produtor precisa de informação antes de precisar de crédito. Na leitura dele, o produtor sabe coisas que nenhuma planilha sabe, como quando a chuva vai atrasar a colheita, e uma boa tecnologia começa escutando essa sabedoria e termina devolvendo a ele uma ferramenta útil.
Bairo defende que a previsão climática, os preços das CEASAs e os levantamentos da Conab sejam lidos juntos, a favor de quem planta. Para ele, a conexão direta entre produtor, comerciante e comprador permite antecipar a venda, ajustar a oferta e negociar com dados, em vez de reagir ao prejuízo. Na visão dele, risco climático é também risco financeiro, e os dois precisam ser tratados na mesma tela.
Onde isso encontra o ecossistema
O CEASA Bank é uma plataforma financeira do agronegócio, fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de uma instituição autorizada. Não é um banco autorizado. Entre as propostas descritas pelo fundador está a predição agrícola para safras, ao lado da cotação com inteligência artificial a partir de dados das CEASAs e da Conab.
A ideia é que o produtor e o comerciante vejam, numa mesma tela, a referência de preço e os sinais de risco da safra, e decidam com mais informação. A predição é uma ferramenta de apoio à decisão, em construção, e não uma garantia de resultado: quem decide é sempre quem produz. O Instituto CEASA propõe ainda aproveitar o excedente das centrais, que tende a crescer em anos de oferta irregular.
Fontes
- Inmet, "De La Niña a um possível El Niño muito forte: veja a evolução das projeções em 2026", 10/09/2026: portal.inmet.gov.br
- Inmet, "El Niño em 2026?": portal.inmet.gov.br
- CNA, "El Niño poderá influenciar projeção da safra 2026/27 de soja em Mato Grosso", 07/05/2026 (projeção do Imea): cnabrasil.org.br
- DTN Progressive Farmer, John Baranick, "South America Preview: El Nino to Play Big Role During the 2026-2027 Season", 01/09/2026: dtnpf.com
- Conab/Prohort, comercialização nas Ceasas em 2025, 28/07/2026: gov.br/conab
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