Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Empreender · 7 de abril de 2026

Recuperação judicial bate recorde: 2.466 empresas em 2025

Serasa Experian: 2.466 empresas pediram recuperação judicial em 2025, o maior número da série. O agro lidera. O que o dado diz a quem empreende.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Em 2025, 2.466 empresas brasileiras entraram com pedido de recuperação judicial, o maior número desde que a Serasa Experian começou a série, em 2012. Os pedidos somaram 977 processos, o maior volume em dez anos, e o agronegócio passou a responder por 30,1% das empresas nessa situação. Ao mesmo tempo, os pedidos de falência caíram 19%.

O que aconteceu

O indicador de falências e recuperações da Serasa Experian, divulgado em 7 de abril de 2026, trouxe estes números para 2025:

  • 977 processos de recuperação judicial, alta de 5,5% sobre 2024;
  • 2.466 CNPJs envolvidos, alta de 13% e recorde da série;
  • 698 empresas com pedido de falência, queda de 19% no ano;
  • 62 pedidos de recuperação extrajudicial.

A diferença entre processos e empresas é o ponto que a Forbes Brasil destacou: os pedidos estão maiores e mais complexos, porque um só processo reúne cada vez mais empresas de um mesmo grupo. Por setor, o agronegócio respondeu por 30,1% das empresas em recuperação, seguido de serviços (30%), comércio (21,7%) e indústria (18,2%). Em 2012, o agro era 1,3% do total.

Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, a recuperação judicial seguiu sendo usada como forma de reequilíbrio financeiro num cenário de crédito mais restrito e juros altos. No mesmo levantamento, a Serasa registrou 8,7 milhões de empresas com dívidas negativadas em janeiro de 2026.

Por que importa

Recuperação judicial não é falência. É o instrumento da Lei 11.101/2005 que permite a uma empresa em crise suspender cobranças e negociar com os credores um plano de pagamento, sob supervisão da Justiça, para continuar funcionando. A queda das falências ao lado do recorde de recuperações mostra empresas escolhendo reorganizar em vez de fechar.

O peso do agro chama atenção. Em 2012, o setor era pouco mais de um em cada cem pedidos; em 2025, quase um em cada três. Num cenário de crédito caro e restrito, produtores e empresas rurais passaram a recorrer ao instrumento numa escala que a série nunca tinha registrado. Por trás de cada grande processo há uma cadeia inteira: fornecedores, transportadores, trabalhadores e comerciantes que esperam receber.

Na visão de Bairo

Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, um pedido de recuperação judicial é a forma jurídica de uma coisa que ele conhece de perto: chegar ao limite e decidir não desistir. Na história que ele conta, houve um momento em que um negócio no qual tinha confiado não se sustentou, com cinquenta pessoas dependendo dele. Em vez de reclamar, decidiu tentar o que não sabia fazer.

Na leitura dele, o não é a base do sim também para empresas: o não do caixa, quando chega cedo e é ouvido com calma, ainda deixa espaço para reorganizar. Quando chega tarde, só sobra o tribunal. O Método Sétima Tentativa tem um passo dedicado a isso: contar o caixa em semanas de fôlego e escrever, de cabeça fria, a linha vermelha em que se para, muda ou pede ajuda. Não é promessa de dinheiro nem de salvação; é disciplina para decidir antes da crise. A trajetória dele está em O fundador.

Onde isso encontra o ecossistema

O dado do agro toca diretamente o CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio fundada por Bairo, que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada. A proposta é que o produtor e o comerciante das centrais de abastecimento tenham preço de referência, cobrança rápida e histórico registrado de cada venda, para que o crédito ligado à safra deixe de depender apenas de garantia patrimonial. O crédito de safra está entre as etapas seguintes da plataforma, e não como serviço já disponível.

Na área jurídica, o SOSPROCESSOS propõe usar análise de casos semelhantes e de cenários para ajudar advogados a preparar estratégias, com o advogado conduzindo cada caso.

Fontes

Leia também