O padrão · Persistência
O que os empreendedores de sucesso têm em comum
Persistência com paixão, o que Angela Duckworth chamou de grit, prevê conquistas além do talento. Veja a pesquisa, quem viveu isso e como treinar.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Se fosse preciso escolher um único traço que aparece em quase todos os empreendedores que construíram algo grande, seria este: a capacidade de continuar perseguindo o mesmo objetivo por anos, mesmo depois de cair muitas vezes. A psicóloga Angela Duckworth deu um nome a isso, grit, que em português se aproxima de garra. Não é só talento. É talento sustentado no tempo.
O que a pesquisa mostra
Em 2007, Angela Duckworth, Christopher Peterson, Michael Matthews e Dennis Kelly publicaram seis estudos no Journal of Personality and Social Psychology. Eles definiram grit como "perseverança e paixão por objetivos de longo prazo" e mediram o traço em grupos muito diferentes: adultos, alunos de universidade de elite, cadetes da academia militar de West Point e participantes de um concurso nacional de soletração.
Em todos os grupos, a garra ajudou a prever quem chegava mais longe, e essa previsão ia além do que o QI e a disciplina já explicavam (Duckworth et al., 2007). A conclusão dos autores: alcançar objetivos difíceis exige não só talento, mas a aplicação constante e focada desse talento ao longo do tempo.
Vale uma nota honesta. Estudos posteriores discutiram o tamanho desse efeito, e a própria Duckworth diz que a garra é uma peça, não a explicação inteira do sucesso. Mesmo assim, é uma peça que quase nunca falta nas histórias de quem construiu.
Quem viveu isso
James Dyson ficou irritado com um aspirador de pó que perdia a força quando o saco enchia. Teve a ideia de usar um ciclone, como os que via numa serraria, para separar a poeira do ar. A primeira versão, de papelão e fita adesiva, funcionou mal.
Ele levou cinco anos e construiu 5.127 protótipos até chegar ao modelo que funcionava. Cada um falhou em alguma coisa, e cada falha mostrou o que precisava mudar. Em entrevistas, Dyson costuma defender o erro como parte do método, e não como desvio dele (Gizmodo). O aspirador sem saco que nasceu dali deu nome à empresa.
Na trajetória de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez não sabe dizer quantas vezes tentou. Nem quantas vezes pensou em parar. Sabe que foram muitas.
Houve o salão aberto com a companheira. O curso de tratamentos capilares. A ideia de inteligência artificial e realidade aumentada que chegou cedo demais. A marca própria de cosméticos naturais. O projeto de tecnologia do qual os sócios o afastaram. Os eventos e a impressão digital. O investimento que não se sustentou, com muita gente dependendo dele. O projeto em que foi deixado na mão por quem tinha ajudado.
O número que ele escolheu para contar a própria história é sete. A sétima tentativa foi a que deu certo. Não por sorte: foi a primeira que tinha todas as outras dentro dela. É garra no sentido exato da pesquisa: o mesmo objetivo de fundo, perseguido por anos, através de caminhos diferentes.
Como desenvolver este traço
- Escolha um objetivo que valha anos. Garra precisa de uma direção. Escreva, numa frase, o que você quer construir e por quê.
- Separe objetivo de método. Dyson nunca mudou o objetivo, mudou o protótipo. Mude o caminho quantas vezes for preciso; mantenha o destino.
- Registre cada tentativa. Anote o que tentou, o que falhou e o que aprendeu. A lista mostra progresso onde a memória só vê derrota.
- Pratique o difícil todo dia. Duckworth associa a garra à prática focada, aquela que trabalha justamente o que você ainda faz mal.
- Cerque-se de quem persiste. Garra também se aprende por convivência. Procure pessoas que já atravessaram o que você está atravessando.
- Descanse sem desistir. Parar um dia não é desistir. Desistir é mudar de destino porque o caminho ficou difícil.