Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Saúde · 1 de abril de 2026

Luto na pandemia: o risco ao coração medido em estudo

Estudo com 5 milhões de adultos, na JAMA Network Open, mostra que o luto eleva o risco ao coração, mais ainda na pandemia. O que isso pede de cuidado.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Perder alguém próximo aumenta o risco de doenças do coração, e esse efeito foi maior durante a pandemia de covid-19. É o que mostra um estudo publicado em abril de 2026 na JAMA Network Open, com dados de mais de 5 milhões de adultos na Suécia. Os autores sugerem que despedidas interrompidas, menos apoio social e atraso no acompanhamento psicológico podem ter agravado o peso da perda.

Se a dor do luto estiver pesada demais, o CVV atende de graça, 24 horas, pelo 188.

O que aconteceu

Os pesquisadores compararam dois períodos: antes da pandemia, em 2018 e 2019, e durante a crise sanitária, em 2020 e 2021. Nos dois, quem perdeu parceiro, filho, pai, mãe ou irmão teve mais chance de desenvolver problemas como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Segundo a reportagem da Veja, de 28 de abril de 2026:

  • a morte do parceiro elevou o risco cardiovascular em 30% antes da pandemia e em 46% durante;
  • a perda de um irmão, em 16% antes e 23% durante;
  • a morte de um filho, em 25% antes e 28% durante;
  • a perda de pai ou mãe, em cerca de 32% antes e 34% durante.

O risco atinge o pico logo depois da perda, sobretudo na primeira semana, e continua elevado nos três meses seguintes. Os autores citam limitações: casos leves podem ter ficado de fora, e fatores como tabagismo e obesidade não puderam ser considerados.

Outro estudo, publicado em outubro de 2025 na revista Frontiers in Public Health e noticiado pela Agência Einstein na IstoÉ, acompanhou 1.735 pessoas enlutadas na Dinamarca durante dez anos. Cerca de 6% seguiram uma trajetória de luto intenso e persistente, e esse grupo usou mais serviços de saúde e remédios psiquiátricos e teve maior mortalidade ao longo da década.

Por que importa

O luto não é doença, e a maior parte das pessoas atravessa a perda com o tempo e com apoio. Mas os estudos lembram que ele mexe com o corpo inteiro, e que uma parte dos enlutados precisa de acompanhamento. Os psiquiatras chamam de transtorno de luto prolongado o sofrimento intenso que dura mais de um ano e compromete a vida.

O dado da pandemia também diz algo sobre o Brasil, que perdeu centenas de milhares de pessoas para a covid-19 e viveu as mesmas restrições a velórios e despedidas. Muitas famílias carregam lutos que não puderam ser vividos como se vive um luto. Cuidar de quem ficou é parte da saúde pública, inclusive nas primeiras semanas, quando o risco ao coração é maior.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez fala da dor da perda como uma das dores que não aparecem em exame. Na leitura dele, quem perdeu alguém precisa, antes de tudo, de presença: alguém que pergunte como a pessoa está, e que perceba quando a tristeza deixou de se mover. As páginas de dor, fé e reconexão tratam disso em luto e fé, e quando procurar ajuda profissional mostra os sinais de que é hora de pedir ajuda.

Para Bairo, a tecnologia pode ajudar a perceber a tempo, desde que não substitua o cuidado humano. No Hospital Triage, a proposta de acompanhamento diário com um assistente clínico serve para isso: notar quando algo muda e chamar um profissional, que valida e decide. Na Xperienc Global Labs, a segunda opinião clínica amplia o acesso a especialistas, inclusive de outros países.

Onde isso encontra o ecossistema

O Hospital Triage prevê perguntas diárias em linguagem simples e, diante de qualquer sinal de risco, uma regra fixa que interrompe a conversa e mostra o 192 para emergências e o CVV 188 para quem precisa conversar. O sistema está em fase de protótipo e não substitui o acompanhamento profissional. Ele foi criado com o CLAIN, o orquestrador de agentes de IA do ecossistema.

Fontes

  • Yang F, Li S, Barker MM, Li H et al., "Bereavement and Risk of Cardiovascular Disease Before and During the COVID-19 Pandemic", JAMA Network Open, abr. 2026: PubMed 42030045
  • Veja, "O que o luto pode fazer com o coração e o que a pandemia de covid-19 tem a ver com isso", 28/4/2026: veja.abril.com.br
  • IstoÉ (Agência Einstein), "Luto persistente afeta a saúde mental e eleva o risco de mortalidade", 18/11/2025: istoe.com.br

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