No mundo · Alimento · 21 de maio de 2026
Fome na Colômbia: o que o DANE mediu em 2025
Na Colômbia, a insegurança alimentar moderada ou grave caiu para 21,1% dos lares em 2025, segundo o DANE. Chocó, Sucre e La Guajira seguem perto da metade.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
A insegurança alimentar moderada ou grave caiu na Colômbia em 2025: atingiu 21,1% dos lares, contra 25,5% em 2024, segundo o boletim do Departamento Administrativo Nacional de Estatística, o DANE, publicado em 21 de maio de 2026. Contadas as pessoas, ainda são cerca de 12 milhões vivendo essa situação, e em três departamentos ela chega perto da metade dos lares.
O que aconteceu
O DANE mede a fome com a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar, a FIES, criada pela FAO. São oito perguntas sobre os últimos 12 meses, da preocupação de não ter comida suficiente até passar um dia inteiro sem comer. As perguntas entram na Pesquisa Nacional de Qualidade de Vida desde 2022, com amostra de mais de 85 mil lares.
Os resultados de 2025, segundo o boletim técnico do DANE:
- Lares em insegurança moderada ou grave: 21,1%, contra 25,5% em 2024.
- Lares em insegurança grave: 3,4%, contra 5,0% em 2024.
- Pessoas em insegurança moderada ou grave: 22,8% da população, ou 12 milhões e 78 mil pessoas, contra 27,6% no ano anterior.
- Pessoas em insegurança grave: 3,7%, cerca de 1 milhão e 968 mil. Foram 779 mil pessoas a menos nessa condição em um ano.
A queda não foi igual em todo o país. Os departamentos com a maior proporção de lares em insegurança moderada ou grave foram Chocó, com 56,8%, Sucre, com 50,1%, e La Guajira, com 47,8%, segundo o El Tiempo. No Chocó, o índice subiu de 36,3% para 56,8% em um ano, de acordo com a tabela do próprio DANE. Bogotá ficou em 9,6%.
O quadro regional vem do relatório SOFI 2026, das agências da ONU. Na América Latina e no Caribe, a fome crônica atingiu 4,8% da população em 2025. Na América do Sul, grupo que inclui Colômbia e Brasil, ficou em 3,5%, enquanto o Caribe seguiu em 16,6%, segundo a ONU News. Ainda assim, 22,9% dos latino-americanos viveram insegurança alimentar moderada ou grave, e a dieta saudável na região é a mais cara do mundo, 4,91 dólares em paridade de poder de compra por pessoa por dia, segundo a FAO.
Por que importa
A média nacional esconde mapas muito diferentes. Nas regiões onde a estrada é ruim, a energia falha e o alimento fresco chega caro ou não chega, a fome resiste mesmo quando o país melhora. Chocó, na costa do Pacífico, e La Guajira, no deserto do norte, são exemplos de lugares onde a distância e o clima pesam tanto quanto a renda.
A comparação com o Brasil ajuda a entender o momento da região. Os dois países melhoraram seus indicadores, e a ONU atribui a queda na América do Sul à combinação de alimentação escolar, transferência de renda e apoio à agricultura familiar. Mas nos dois ficam bolsões em que a política pública ainda não chega com a mesma força, e em que a logística do alimento é parte do problema.
Na visão de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez nasceu na Colômbia, em 1982, e vive no Brasil, onde construiu as frentes que fundou. Para ele, os números do DANE têm rosto. Na leitura de Bairo, a fome na Colômbia e no restante da América Latina é, em boa parte, a mesma que ele aprendeu a ver no Brasil: comida que existe numa região e falta em outra, por falta de caminho, de frio ou de informação.
Ele vê na queda de 2025 uma boa notícia, e nos departamentos que ficaram para trás o lugar onde a próxima resposta precisa chegar. Para Bairo, regiões como Chocó e La Guajira são justamente aquelas em que um alimento que dispensa geladeira e viaja bem faria mais diferença.
Onde isso encontra o ecossistema
O Instituto CEASA, frente humanitária fundada por Bairo, propõe transformar o excedente das centrais de abastecimento em alimento estável, pensado para lugares sem cadeia de frio. Hoje o projeto está em implantação e voltado às centrais brasileiras; levar o modelo a outros países da região é visão de futuro, não plano com data. A meta de durabilidade de até dois anos fora da geladeira depende de estudo de estabilidade e de registro sanitário. Site informado: institutoceasa.org (site em construção).
A Xperienc, que Bairo também fundou, propõe, na saúde, aproximar pacientes e profissionais que falam línguas diferentes. A mesma preocupação, que ninguém fique de fora por causa de fronteira ou de língua, atravessa a proposta humanitária.
Fontes
- DANE, 21/05/2026: Boletín técnico: Inseguridad alimentaria a partir de la escala FIES, 2025
- El Tiempo, 22/05/2026: Colombia reduce la inseguridad alimentaria grave: 779.000 personas salieron de la crisis, pero 12 millones aún padecen hambre
- ONU News, 21/07/2026: América Latina y Asia lideran la reducción del hambre mundial
- FAO, 21/07/2026: UN report: Global hunger levels ease for third consecutive year as regional disparities persist
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