Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Inteligência artificial · 7 de abril de 2025

Custo da IA caiu mais de 280 vezes: o que diz o AI Index

O AI Index de Stanford mostrou que usar uma IA do nível do GPT-3.5 ficou mais de 280 vezes mais barato em dois anos. O que essa queda abre.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Usar inteligência artificial ficou muito mais barato, muito depressa. Segundo o AI Index 2025, da Universidade Stanford, publicado em abril de 2025, o custo de rodar um sistema com desempenho no nível do GPT-3.5 caiu mais de 280 vezes entre novembro de 2022 e outubro de 2024. No mesmo período, o custo do hardware caiu cerca de 30% ao ano e a eficiência energética melhorou cerca de 40% ao ano.

O que aconteceu

O AI Index é o relatório anual do Instituto de IA Centrada no Humano (HAI) de Stanford. A edição de 2025 trouxe a frase que virou referência: impulsionado por modelos pequenos cada vez mais capazes, o custo de inferência de um sistema do nível do GPT-3.5 caiu mais de 280 vezes em menos de dois anos, de acordo com o relatório.

Inferência é o custo de usar o modelo já pronto: cada pergunta, cada resposta, cada tarefa. É o que o usuário e a empresa pagam no dia a dia, medido em tokens. Os números que acompanharam o lançamento, divulgados pela Business Wire e pelo THE Journal, mostram o outro lado da queda de preço: 78% das organizações disseram usar IA em 2024, contra 55% no ano anterior.

A edição de 2026, publicada em abril, mostrou que a curva continuou e que o dinheiro seguiu o uso. Segundo os destaques do AI Index 2026, o investimento corporativo global em IA chegou a US$ 581,7 bilhões em 2025. O relatório também aponta a conta que o preço baixo não apaga: energia, água e centros de dados que crescem junto com o uso.

Por que importa

Quando o preço de uma tecnologia cai centenas de vezes, quem ela atende muda. O que era projeto de grande empresa vira ferramenta de escritório pequeno. Um comerciante, um produtor rural ou uma clínica de bairro passam a ter acesso a um tipo de ajuda que, há três anos, custaria caro demais.

Mas preço por pergunta baixo não é o mesmo que conta baixa. Um agente que trabalha sozinho por minutos consome muitos tokens. Por isso a queda de custo não acaba com o problema do acesso. Ela muda o problema: em vez de "dá para pagar uma IA?", a pergunta passa a ser "dá para pagar a IA certa, do tamanho certo, para a tarefa certa?".

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que o CLAIN nasceu exatamente desse muro. Ao construir, sem saber programar, a base do CEASA Bank, ele entendeu que a IA consome tokens e que tokens custam caro. Quem mais precisa de ajuda costuma ser quem menos pode pagar por ela. O nome CLAIN vem de claim, reivindicar: a ideia de que cada pessoa pode reivindicar acesso a uma inteligência que antes era cara.

Na leitura dele, a queda de custo medida por Stanford confirma a direção, e as IAs de nicho são o passo seguinte. Um modelo pequeno, especialista, gasta menos do que um modelo enorme que tenta saber tudo. Por isso o CLAIN é desenhado como uma equipe de especialistas baratos, coordenados, com uma pessoa decidindo no fim. A meta das 142 IAs de nicho em 142 dias, anunciada por ele em 1º de outubro de 2026, é uma meta pública, não um resultado.

Para Bairo, IA barata só faz sentido se for extensão do humano: mais gente com mais alcance, e não mais máquina no lugar de gente.

Onde isso encontra o ecossistema

  • No CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, a proposta é que a cotação feita por agente fique barata o suficiente para servir ao comerciante de uma central de abastecimento, não só ao grande exportador.
  • No SOSPROCESSOS, ferramenta para advogados em desenvolvimento, a ideia nasceu da mesma conta: análise de decisões e cenários a um custo que caiba no escritório pequeno e, por meio dele, em quem não poderia pagar uma grande banca.
  • No Hospital Triage, em desenvolvimento, o custo menor é o que torna possível pensar uma pré-consulta com assistente clínico acessível, sempre validada por profissional.

Fontes

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