Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Inteligência artificial · 9 de dezembro de 2025

MCP e a Agentic AI Foundation: o padrão aberto dos agentes

Em dezembro de 2025, Anthropic, OpenAI e Block levaram MCP, AGENTS.md e goose para a Linux Foundation. Por que um padrão aberto de agentes muda o jogo.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Em 9 de dezembro de 2025, a Linux Foundation criou a Agentic AI Foundation (AAIF), uma casa neutra para os padrões abertos dos agentes de IA. A Anthropic doou o Model Context Protocol (MCP), a OpenAI doou o AGENTS.md e a Block doou o goose. Google, Microsoft, Amazon Web Services, Bloomberg e Cloudflare entraram como membros. Na prática, concorrentes concordaram em falar a mesma língua para ligar agentes a ferramentas e dados.

O que aconteceu

Segundo o comunicado da Linux Foundation, a fundação nasceu com três projetos:

  • MCP, o protocolo que conecta modelos e agentes de IA a ferramentas, dados e aplicativos. A Anthropic o abriu em novembro de 2024. Na criação da fundação, já eram mais de 10 mil servidores MCP publicados, usados em produtos como Claude, ChatGPT, Gemini, Microsoft Copilot, Cursor e VS Code.
  • AGENTS.md, um arquivo simples, criado pela OpenAI, que diz a um agente de programação como trabalhar dentro de um projeto. Mais de 60 mil projetos de código aberto já o adotavam.
  • goose, da Block, uma estrutura de agente local e aberta, construída sobre o MCP.

A OpenAI apresentou a fundação como cofundadora. Ao TechCrunch, o engenheiro da OpenAI Nick Cooper descreveu os protocolos como uma língua comum, que deixa agentes e sistemas diferentes trabalharem juntos sem que cada desenvolvedor reinvente as integrações.

Por que importa

Antes de um padrão, cada ligação entre uma IA e um sistema era feita sob medida: uma ponte para o e-mail, outra para a planilha, outra para o banco de dados. Cada empresa repetia o trabalho, e cada troca de fornecedor de IA obrigava a refazer tudo.

Um padrão aberto, com governança neutra, muda três coisas:

  • Custo. A integração é feita uma vez e serve a vários modelos.
  • Liberdade. Um pequeno negócio não fica preso a um único fornecedor de IA.
  • Segurança. Com um padrão comum, as boas práticas de segurança e de permissão podem ser discutidas e melhoradas por todos, em vez de cada um inventar as suas.

É o mesmo movimento que fez a internet funcionar: protocolos abertos que ninguém possui sozinho.

Na visão de Bairo

Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, um padrão comum de agentes é a condição para que a IA seja, de fato, uma extensão do humano ao alcance de qualquer pessoa, e não um privilégio de quem pode pagar integrações caras. Ele conta que esbarrou cedo nesse muro: IA consome tokens, tokens custam, e quem mais precisa costuma ser quem menos pode pagar. Na leitura dele, padrão aberto baixa esse muro.

A ideia conversa com o desenho do CLAIN, o orquestrador de agentes que ele fundou. O CLAIN trabalha como equipe: agentes especialistas, cada um num nicho, e um orquestrador que junta o resultado e devolve a decisão a uma pessoa. Para muitos especialistas conversarem entre si e com sistemas de fora, eles precisam de uma língua comum. A meta das 142 IAs de nicho em 142 dias, anunciada por Bairo em 1º de outubro de 2026, é uma meta, e um padrão aberto é o que torna esse tipo de multiplicação viável.

Bairo gosta de lembrar que a regra que atravessa todas as células é uma só: a máquina organiza, a pessoa decide. Um padrão aberto não muda essa regra. Só faz com que ela valha para mais gente.

Onde isso encontra o ecossistema

  • O CLAIN está em desenvolvimento e em operação interna, coordenando células de agentes que servem às frentes do ecossistema.
  • A BTZ Chain propõe ser, nas palavras do fundador, um orquestrador que fala com outras redes: a mesma lógica de interoperabilidade, aplicada aos registros.
  • A qrqbits trabalha a proteção de arquivos com criptografia pós-quântica, um cuidado que cresce de importância quando agentes passam a circular dados entre sistemas.

Cada frente é uma entidade distinta, com registro próprio. O que as liga é a escolha de construir sobre padrões que outros também podem usar.

Fontes

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