Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Migração · 31 de julho de 2026

Sebrae 2026: Brasil passa de 106 mil MEIs estrangeiros

Em junho de 2026, o Brasil passou de 106 mil microempreendedores estrangeiros, 24% a mais em um ano. Quem são, onde estão e o que isso revela.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O Brasil chegou a mais de 106 mil microempreendedores individuais (MEIs) estrangeiros ativos em junho de 2026, um recorde. O número, divulgado pela Agência Sebrae em 31 de julho de 2026, é 24% maior que o de um ano antes e mais que o dobro dos 42,9 mil registrados em 2019. Venezuelanos, bolivianos e colombianos são, nessa ordem, os que mais abrem o próprio CNPJ no país.

O que aconteceu

O levantamento do Sebrae cruza a base de MEIs da Receita Federal com a nacionalidade dos titulares. Os estrangeiros ainda são uma fatia pequena do total, 0,78% dos 13,5 milhões de MEIs do país, mas é a fatia que mais cresce. A série mostra a aceleração: 74,2 mil em 2023, 76,8 mil em 2024, 85,4 mil em 2025 e 106 mil em 2026.

Por origem, a lista dos dez primeiros é quase toda latino-americana:

  • Venezuela: 26.345 MEIs, 25% do total;
  • Bolívia: 15.361, 14,5%;
  • Colômbia: 10.547, 10%;
  • Argentina: 8.607, 8,1%;
  • depois vêm Cuba, Haiti, Uruguai, Paraguai, Peru e Portugal.

Metade desses negócios está no Sudeste (50,5 mil) e um terço no Sul (35,2 mil). São Paulo concentra cerca de 39 mil, seguido de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. As atividades mais comuns são o comércio de roupas e acessórios, a confecção, os serviços de cabeleireiro e beleza, o ensino e os restaurantes.

Por que importa

O MEI é a porta mais simples da formalidade no Brasil. Quem vira MEI passa a emitir nota, contribuir para a Previdência e ter um histórico que um banco consegue ler. Para o imigrante, é muitas vezes o documento de trabalho inicial que depende só dele.

O número também desfaz uma imagem comum. O imigrante que aparece nesses dados não está só disputando vaga. Está criando o próprio trabalho, numa costura no Brás, num salão de bairro, numa cozinha de comida colombiana ou numa aula de espanhol. Os dados do OBMigra para 2025 vão na mesma direção: mais de 400 mil imigrantes com carteira assinada e um recorde de vagas criadas para eles.

O que os números não mostram é o caminho até ali. Abrir um MEI exige CPF e documento migratório em dia, e quem ainda está regularizando a situação fica de fora. A formalidade cresce mais rápido onde o acesso à informação e ao documento é mais fácil.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez, colombiano radicado no Brasil desde 2002, faz parte da história que esses números contam. Antes de fundar empresas registradas no Brasil e em Londres, ele começou por um negócio de bairro: um salão aberto com a companheira, quando a filha nasceu, e depois um curso de tratamentos capilares. Não por acaso, beleza e ensino estão entre as atividades que mais aparecem na lista do Sebrae.

Na leitura dele, quem atravessou uma fronteira já fez a coisa mais difícil, que é recomeçar do zero. Abrir um negócio, depois disso, assusta menos. Para Bairo, o imigrante que empreende não está pedindo favor ao país: está devolvendo trabalho, imposto e ponte com outros mercados.

Ele costuma dizer que o sol é para todos, mas a sombra, no calor, é para poucos. Para Bairo, cada CNPJ aberto por um estrangeiro é um pouco de sombra construída por conta própria. A história está em O sol é para todos, e o começo dela, em A capoeira foi a ponte.

Onde isso encontra o ecossistema

O microempreendedor imigrante esbarra quase sempre na mesma parede: crédito. Sem holerite e sem histórico bancário longo, quem vende há dois anos numa feira continua invisível para o sistema financeiro tradicional. O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, parte de uma ideia que serve de modelo para esse problema: olhar a transação real, a venda que aconteceu, e não só o papel que a pessoa tem. Hoje o foco do CEASA Bank é o produtor e o comerciante das centrais de abastecimento.

Na visão de Bairo, agentes de IA de nicho criados pelo CLAIN podem ajudar o pequeno empreendedor estrangeiro a entender, na própria língua, como formalizar, emitir nota e organizar o caixa, sempre com orientação humana quando a decisão pesa. É uma proposta em desenvolvimento.

Fontes

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