Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Migração · 31 de julho de 2026

Colombianos no Brasil: o que dizem os números de 2025

Colombianos são a 3ª origem de MEIs estrangeiros no Brasil e cresceram nos pedidos de refúgio em 2025. Os dados do OBMigra, do Sebrae e de Bogotá.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

A comunidade colombiana no Brasil é menor que a venezuelana ou a boliviana, mas aparece em quase todos os indicadores de 2025 e 2026. Os colombianos são a terceira origem de microempreendedores estrangeiros do país, com 10.547 MEIs ativos em junho de 2026, segundo o Sebrae. No OBMigra, aparecem no terceiro bloco de nacionalidades que mais registraram residência em 2025 e entre as que mais aumentaram os pedidos de refúgio.

O que aconteceu

Três fontes oficiais, de dois países, ajudam a desenhar o retrato.

No Brasil, o OBMigra. O relatório Dados Consolidados da Imigração no Brasil 2025, do Observatório das Migrações Internacionais, mostra que os venezuelanos seguiram como os que mais se regularizam no país, seguidos dos bolivianos e, num terceiro bloco, de haitianos e colombianos. O mesmo documento registra que, com a queda dos pedidos venezuelanos de refúgio, outras nacionalidades ganharam peso relativo nos pedidos, entre elas angolanos, colombianos, peruanos e marroquinos.

No Brasil, o Sebrae. No levantamento divulgado em 31 de julho de 2026, a Colômbia é a terceira origem dos MEIs estrangeiros, com 10% do total, atrás de Venezuela (25%) e Bolívia (14,5%). Os setores mais comuns entre os MEIs estrangeiros são comércio de roupas, confecção, beleza, ensino e restaurantes.

Na Colômbia, Migración Colombia. O relatório Migración y coyuntura: el caso de Brasil, publicado em dezembro de 2025 pelo observatório de migrações do órgão colombiano, lembra que os dois países dividem cerca de 1.645 km de fronteira amazônica, com o eixo Leticia–Tabatinga como principal ponto de contato. Em 2024, os brasileiros fizeram 166 mil entradas na Colômbia, o maior número desde 2019.

Há ainda o dinheiro que volta para casa. O Banco de la República informou que a Colômbia recebeu US$ 13,1 bilhões em remessas em 2025, 10,5% a mais que no ano anterior. Segundo o banco central colombiano, os Estados Unidos respondem por mais da metade desse valor.

Por que importa

A migração colombiana para o Brasil é, em boa parte, uma migração de projeto. Diferente de quem chega por crise humanitária, muitos colombianos vêm para trabalhar, estudar ou empreender, e contam com um caminho jurídico simples: desde 2012, a Colômbia participa do Acordo de Residência do Mercosul, que permite pedir residência temporária de dois anos à Polícia Federal e depois transformá-la em residência por prazo indeterminado.

Os números de MEI confirmam esse perfil. Uma comunidade que responde por 10% dos microempreendedores estrangeiros do país, sendo bem menor que outras, é uma comunidade que empreende acima do seu tamanho.

Também há o outro lado. O aumento dos pedidos de refúgio de colombianos lembra que nem toda saída é escolha. Pedir refúgio é dizer ao Estado brasileiro que voltar não é seguro, e cada pedido é analisado pelo Conare.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez nasceu na Colômbia, em 1982, e vive no Brasil desde 2002. Na história que ele conta, o Brasil foi sonho antes de ser endereço: desde menino dizia que moraria aqui, e a capoeira foi a ponte. O capítulo A capoeira foi a ponte conta esse começo.

Na leitura dele, o colombiano que empreende no Brasil carrega duas vantagens que quase nunca aparecem nas estatísticas: fala a língua de um mercado de mais de 50 milhões de pessoas do outro lado da fronteira e conhece por dentro a cultura dos dois países. Para Bairo, isso faz de cada pequeno negócio colombiano no Brasil uma ponte comercial em potencial.

Ele costuma dizer que o sol é para todos, mas a sombra, no calor, é para poucos. Para Bairo, os números mostram uma comunidade que, em vez de esperar a sombra, foi construí-la. A trajetória dele está em O fundador.

Onde isso encontra o ecossistema

As frentes que Bairo fundou nasceram de alguém que circula entre países. O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, tem como visão ligar produtores e compradores de diferentes países, com cotação por IA e invoice rápida, e uma entidade boliviana em constituição. A Colômbia, grande produtora de café, frutas e flores, é o tipo de mercado em que essa visão faria sentido, como proposta e não como operação já existente.

Na saúde, a Xperienc Global Labs propõe o Global Language, em que paciente e especialista conversam cada um no próprio idioma, numa segunda opinião clínica que não substitui o laudo do médico local.

Fontes

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