No mundo · Migração · 30 de abril de 2026
OBMigra 2025: 2 milhões de migrantes vivem no Brasil
O OBMigra de 2025 conta cerca de 2 milhões de migrantes no Brasil, de 200 nacionalidades, e recorde de empregos formais. O que os números dizem.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
O Brasil tem hoje cerca de 2 milhões de migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio, de aproximadamente 200 nacionalidades. O número está no 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em 30 de abril de 2026, com dados de 2025. O mesmo estudo registra um recorde: 78,4 mil empregos formais criados para imigrantes num só ano.
O que aconteceu
O OBMigra é o observatório que reúne, numa só base, dados da Polícia Federal, do Itamaraty, do Ministério do Trabalho, do Conare, do IBGE e do Banco Central. A cada ano ele publica dois documentos: o relatório anual, mais analítico, e os "Dados Consolidados da Imigração no Brasil", mais enxuto. Os dois de 2025 contam a mesma história com números que se completam.
Os principais achados:
- Cerca de 1,9 milhão de registros de residência ativos no fim de 2025, a maior parte de venezuelanos, bolivianos, portugueses, haitianos e argentinos. Somando refugiados e solicitantes de refúgio, a estimativa passa um pouco de 2 milhões de pessoas.
- 199,6 mil imigrantes regularizados pela Polícia Federal só em 2025.
- 75,6 mil pedidos de refúgio, 10,9% a mais que em 2024. Os cubanos passaram a ser a principal nacionalidade entre os solicitantes.
- 13.140 naturalizações concedidas no ano, com os haitianos à frente.
- Cerca de 410 mil trabalhadores imigrantes com carteira assinada no fim do ano, segundo a base RAIS-CTPS-Caged. Dos 78,4 mil empregos criados para eles em 2025, 66,3% ficaram nos estados do Sul.
- Saldo de US$ 2,5 bilhões em transferências pessoais, o segundo maior da série histórica do Banco Central.
O relatório anual acrescenta o lado que os números de entrada não mostram: menos de 5% dos municípios brasileiros têm acordos formais de atendimento a migrantes, e só 1,4% oferecem serviço em outro idioma. As matrículas de estudantes migrantes na educação básica cresceram 437% entre 2010 e 2024.
Por que importa
Durante décadas, o Brasil se viu como país de emigração, de gente que saía. Os dados de 2025 mostram outra coisa: o país recebe, regulariza e emprega um volume de imigrantes que já pesa na economia de regiões inteiras. Num frigorífico de Santa Catarina, num comércio de São Paulo ou numa obra no Paraná, o trabalhador imigrante deixou de ser exceção.
O próprio OBMigra chama atenção para o desequilíbrio. A porta de entrada funciona, mas a porta de dentro, a do atendimento na língua de quem chega, ainda é estreita. Quem não entende o formulário não consegue exercer o direito que a lei já garante.
Na visão de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez é um desses números. Nasceu na Colômbia, em 1982, e chegou ao Brasil em 2002. Na história que ele conta, o Brasil já existia dentro dele antes de ele pisar no país: desde menino dizia que moraria aqui, e a capoeira foi a ponte, como está em A capoeira foi a ponte.
Na leitura dele, por trás de cada registro de residência há alguém que atravessou uma fronteira, uma língua e muitas vezes um período de medo, e que decidiu ficar de pé. Para Bairo, o dado mais forte do relatório não é o total de migrantes. É o de empregos criados: gente que chegou para trabalhar e, cada vez mais, para fazer trabalho existir.
Ele costuma dizer que o sol é para todos, mas a sombra, no calor, é para poucos. Para Bairo, os números do OBMigra mostram as duas coisas ao mesmo tempo: um país que abre a porta e ainda não oferece sombra suficiente para quem chega. O capítulo O sol é para todos conta como ele recomeçou depois de chegar.
Onde isso encontra o ecossistema
O gargalo que o relatório aponta, informação na língua de quem chega, é exatamente o tipo de problema que Bairo quer endereçar com agentes de inteligência artificial. O CLAIN, orquestrador de agentes do 1420mhz, propõe agentes de nicho que expliquem direitos, documentos e caminhos de regularização em espanhol, francês, crioulo haitiano ou inglês, com a decisão final sempre de uma pessoa e o encaminhamento para a Defensoria ou o serviço público certo.
Na saúde, a Xperienc Global Labs trabalha com a proposta do Global Language, em que paciente e especialista falam cada um no próprio idioma, numa teleconsulta de segunda opinião clínica, não laudo. Para o migrante que ainda não domina o português, é a diferença entre ser ouvido e ser só atendido. São propostas em desenvolvimento, não serviços públicos.
Fontes
- OBMigra / Ministério da Justiça e Segurança Pública, Dados Consolidados da Imigração no Brasil 2025, 2026: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/seus-direitos/migracoes/portal-de-imigracao-laboral/obmigra-1/relatorios-obmigra/dados-consolidados/2025/Dados2025.pdf/@@download/file/Dados2025.pdf
- OIM Brasil, "Relatório do OBMigra aponta 2 milhões de migrantes no Brasil e destaca desafios de integração", 05/05/2026: https://brazil.iom.int/pt-br/news/relatorio-do-obmigra-aponta-2-milhoes-de-migrantes-no-brasil-e-destaca-desafios-de-integracao
- Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, "MDHC participa do lançamento da 12ª edição do Relatório Anual OBMigra 2025", maio de 2026: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/mdhc-participa-do-lancamento-da-12a-edicao-do-relatorio-anual-obmigra-2025
- Poder360, "Brasil tem 2 milhões de imigrantes de 200 nacionalidades, diz relatório", 01/05/2026: https://www.poder360.com.br/poder-brasil/brasil-tem-2-milhoes-de-imigrantes-de-200-nacionalidades-diz-relatorio/
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