Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Migração · 18 de junho de 2026

Remessas à América Latina batem recorde em 2025

Migrantes enviaram cerca de US$ 174 bilhões à América Latina em 2025, segundo o BID. E mandar dinheiro ainda custa caro, diz o Banco Mundial.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

As remessas enviadas por migrantes para a América Latina e o Caribe chegaram a cerca de US$ 174 bilhões em 2025, o maior valor já registrado, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Foi o 16º ano seguido de alta. Em junho de 2026, o banco informou que o ritmo desacelerou entre janeiro e março, com crescimento de 5,7%, e que o Brasil liderou a expansão na América do Sul, com alta de 11%. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial mostra que mandar dinheiro para casa continua caro.

O que aconteceu

Em novembro de 2025, o relatório anual do BID, Las remesas a América Latina y el Caribe en 2025: adaptaciones en un contexto de incertidumbre, estimou o total do ano em US$ 174,4 bilhões, US$ 11,7 bilhões a mais que em 2024. Os números consolidados, publicados pelo banco em junho de 2026, ficaram muito perto disso: US$ 173,7 bilhões, alta de 7,3%.

O crescimento foi desigual:

  • América Central: alta de cerca de 20%, puxada por Honduras, Guatemala, Nicarágua e El Salvador;
  • América do Sul: cerca de 10%;
  • México: queda de 4,5%, ainda assim o maior receptor da região.

O BID explica a alta de 2025 pelo comportamento dos próprios migrantes diante da incerteza da política migratória nos Estados Unidos, origem de mais da metade das remessas da região. Muitos anteciparam envios, usaram poupança e trabalharam mais horas. Em 2026, essa reserva começou a se esgotar, daí a desaceleração.

A Colômbia é a terceira maior receptora da região. Segundo o Banco de la República, recebeu US$ 13,1 bilhões em 2025, 10,5% a mais que no ano anterior. Em setembro de 2026, um relatório do FIDA, o fundo agrícola da ONU, calculou por outra metodologia que as remessas para a região mais que dobraram em uma década.

Do lado do custo, a base Remittance Prices Worldwide, do Banco Mundial, mostra que o custo médio global de enviar US$ 200 segue acima de 6% do valor enviado. A meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é ficar abaixo de 3% até 2030.

Por que importa

Remessa não é estatística financeira. É a mensalidade da escola, o remédio, o telhado consertado. Na Colômbia, segundo dados do banco central do país citados pela imprensa, equivale a quase 3% do PIB.

O Brasil aparece dos dois lados. É destino de remessas de brasileiros no exterior e origem do dinheiro que imigrantes mandam para casa. Segundo o OBMigra, com dados do Banco Central, o saldo das transferências pessoais do país foi de US$ 2,5 bilhões em 2025, o segundo maior da série, e entre os principais destinos das saídas estão Haiti, Peru e Bolívia. A ausência da Venezuela, nota o relatório, sugere que boa parte desse dinheiro circula fora do sistema financeiro.

Quando cada envio perde 6% no caminho, quem paga é quem tem menos. A diferença entre 6% e 3%, somada em milhões de envios, é dinheiro que deixa de chegar às famílias.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez é colombiano e vive no Brasil desde 2002. Na leitura dele, a remessa é a prova mais concreta de que o imigrante não vive só para si: trabalha em um país pensando em outro. A história da chegada dele está em A capoeira foi a ponte.

Para Bairo, o custo de mandar dinheiro é uma forma silenciosa de cobrar mais de quem tem menos. Na visão dele, é aí que a tecnologia deveria servir: para que o valor do trabalho de uma pessoa chegue inteiro a quem ela ama. Ele costuma dizer que o sol é para todos, mas a sombra, no calor, é para poucos. Na leitura dele, sistemas financeiros caros e lentos são um jeito de manter essa sombra para poucos.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank não é um serviço de remessas. É uma plataforma financeira do agronegócio que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, focada em quem produz e vende alimento. O que conecta o CEASA Bank a esse tema é a visão: pagamentos internacionais de uma carga com rastreio, mensageria no padrão ISO 20022 e conta aberta no país do cliente, para que o dinheiro do comércio entre países chegue mais rápido e com menos intermediários. São propostas em desenvolvimento, sujeitas à regulação de cada país.

A BTZ Chain registra transações com prova de vida humana e usa o BICOIN como régua de propósito, em que 1 BTZ equivale a 1 minuto de vida humana. É medida de valor do tempo, não preço, nem promessa de retorno, nem meio de remessa.

Fontes

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