Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Migração · 31 de agosto de 2026

Brasil e Colômbia: US$ 5,4 bilhões em comércio em 2025

Brasil e Colômbia trocaram US$ 5,4 bilhões em 2025, e as exportações brasileiras subiram 24,3% em 2026, diz a ApexBrasil. O que liga os dois países.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O comércio entre Brasil e Colômbia somou US$ 5,4 bilhões em 2025. As exportações brasileiras chegaram a US$ 3,4 bilhões, alta de 6,2%, e o Brasil fechou o ano com superávit de cerca de US$ 1,5 bilhão. Os números estão no Perfil de Comércio e Investimentos – Colômbia, lançado pela ApexBrasil no fim de agosto de 2026, que também registra alta de 24,3% nas vendas brasileiras ao país entre janeiro e julho de 2026 e mapeia 1.544 oportunidades para produtos brasileiros no mercado colombiano.

O que aconteceu

A ApexBrasil, agência federal de promoção de exportações, publica perfis de países para orientar empresas brasileiras. O da Colômbia traz um retrato de um parceiro que cresce em silêncio:

  • Pauta brasileira: o setor automotivo lidera, com carros de passeio, autopeças e veículos de carga, seguido de café verde, papel e cartão, perfumaria, medicamentos, máquinas elétricas e pneus;
  • 2026: a alta de 24,3% nas exportações até julho foi puxada por barras de ferro e aço;
  • Oportunidades: 1.544 nichos ativos, sobretudo em máquinas, equipamentos de transporte, químicos, manufaturados e alimentos;
  • Investimento: o estoque de investimento direto colombiano no Brasil era de US$ 1,1 bilhão em 2024, em seguros, serviços digitais, agronegócio e infraestrutura.

A Colômbia tem 53,4 milhões de habitantes e um PIB de US$ 457,1 bilhões em 2025, segundo o mesmo estudo. O contexto brasileiro ajuda a medir o peso: em 2025, o país bateu o recorde histórico de exportações, com US$ 349 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A relação também é de fronteira. Os dois países dividem cerca de 1.645 km de Amazônia, com o eixo Leticia–Tabatinga como principal ponto de contato, segundo relatório de Migración Colombia de dezembro de 2025. A visita do presidente Lula a Bogotá, em abril de 2024, abriu uma agenda para ampliar comércio e cooperação.

Por que importa

Para o Brasil, a Colômbia é um mercado de renda média, vizinho, que compra produtos industrializados, justamente o que o país mais precisa vender fora da pauta de commodities. Para a Colômbia, o Brasil é a maior economia da região e um destino de investimento.

O comércio entre vizinhos também mexe com pessoas. Cada contêiner de autopeças ou de café pede alguém que fale as duas línguas, entenda as duas burocracias e confie nos dois lados. Os imigrantes são, muitas vezes, esse elo. Segundo o Sebrae, os colombianos já são a terceira origem de microempreendedores estrangeiros no Brasil, com 10.547 MEIs.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez nasceu na Colômbia, em 1982, e vive no Brasil desde 2002. Na história que ele conta, a capoeira foi a ponte entre os dois países antes de qualquer negócio. O capítulo A capoeira foi a ponte conta esse começo.

Na leitura dele, o comércio entre Brasil e Colômbia ainda é pequeno para o tamanho dos dois países, e o que falta não é produto: é conexão. Para Bairo, o produtor colombiano de frutas e o comerciante brasileiro de uma central de abastecimento poderiam negociar direto, com preço de referência e pagamento rastreado, sem cinco intermediários no meio. Ele costuma dizer que o sol é para todos, mas a sombra, no calor, é para poucos. Na visão dele, o comércio que passa por poucas mãos é uma dessas sombras.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, foi pensado exatamente para esse elo. A proposta inclui cotação de cargas por agente de IA com dados das centrais de abastecimento e da Conab, cálculo de frete de exportação, invoice gerada em poucos minutos e conta aberta no país do cliente. A operação internacional é visão em desenvolvimento, sujeita às regras de câmbio e à regulação de cada país.

Na outra ponta, o CLAIN propõe agentes de IA de nicho que traduzam e organizem a burocracia de exportar e importar entre os dois países, com uma pessoa sempre responsável pela decisão.

Fontes

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