Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Finanças · 4 de novembro de 2025

Drex: o Banco Central muda o rumo e foca em garantias

O Banco Central desligou a plataforma piloto do Drex e voltou o projeto para a conciliação de gravames. O que muda no crédito e no agro.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O Drex, projeto do Banco Central do Brasil para uma infraestrutura de ativos digitais, mudou de rumo entre 2025 e 2026. Depois de duas fases de piloto numa plataforma de registro distribuído, o Banco Central anunciou em novembro de 2025 que desligaria essa plataforma e que a primeira entrega do projeto seria mais simples: uma solução centralizada para conciliar gravames, os registros de bens dados em garantia no crédito.

O que aconteceu

O piloto do Drex começou em 2023, com bancos, cooperativas e empresas de tecnologia testando operações com ativos tokenizados numa rede baseada em Hyperledger Besu, uma tecnologia de blockchain permissionada. A primeira fase testou operações básicas, como a compra e venda de títulos públicos federais tokenizados, e terminou com um relatório público do Banco Central. A segunda fase, concluída no primeiro semestre de 2025, testou casos de uso propostos pelo mercado.

O desafio central apareceu cedo: conciliar a transparência de um registro distribuído com o sigilo bancário e a proteção de dados pessoais. Em agosto de 2025, o Banco Central sinalizou que a primeira entrega do Drex deixaria de lado a blockchain e a tokenização, e se concentraria na conciliação de gravames. Em 4 de novembro de 2025, anunciou que desligaria a plataforma piloto.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou à Exame que, depois de quatro anos, a tecnologia testada "não se revelou viável", e que hoje existem outros caminhos para chegar a uma rede de ativos tokenizados com segurança e liquidez. Ele também deixou claro que o projeto não acabou e que o Drex não é uma moeda digital de banco central no sentido tradicional.

Por que importa

Gravame é a marca jurídica que diz que um bem já está comprometido: o carro alienado, o imóvel hipotecado, a máquina financiada. Hoje, saber se um bem está livre para servir de garantia exige consultar registros diferentes, em lugares diferentes. Isso atrasa o crédito e encarece quem toma dinheiro emprestado.

Para o agro, o tema é central. Trator, colheitadeira, safra futura e terra são as garantias típicas do crédito rural. Se o sistema financeiro passar a enxergar, de forma rápida e confiável, o que já está comprometido e o que está livre, o produtor pode ter acesso a crédito com menos papel e menos espera.

A mudança também ensina algo sobre tecnologia. O Banco Central não abandonou a ideia de ativos tokenizados. Escolheu resolver primeiro um problema concreto com a ferramenta que funciona hoje. É uma lição de humildade institucional: o propósito vem antes da tecnologia.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez costuma dizer que o dado da venda pode ser a garantia que o pequeno produtor nunca teve. Na leitura dele, o novo rumo do Drex aponta na mesma direção: o crédito do futuro depende menos de quem você conhece e mais do que você consegue provar.

Para Bairo, o ponto mais importante da decisão do Banco Central é a ordem das coisas. Primeiro, provar que um registro é confiável. Depois, construir o que vem em cima dele. É a mesma ordem que ele defende para a infraestrutura que liga o agro ao mundo: preço com fonte, venda registrada, histórico verificável, e só então crédito.

Ele mede tudo pelo tempo de vida. Um pedido de crédito que leva semanas para checar uma garantia consome o tempo de quem planta. Na visão dele, cada registro que dispensa uma ida ao cartório devolve horas a alguém, e é por isso que esse tipo de infraestrutura merece atenção, mesmo quando parece só bastidor.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de instituição autorizada, tem no desenho o crédito ligado à safra e o registro de cada venda como histórico financeiro de quem vendeu. A proposta é que esse histórico ajude a abrir crédito, sempre por meio de instituição autorizada a concedê-lo.

A BTZ Chain parte de um caminho diferente do escolhido pelo Banco Central: é uma rede pública, em que qualquer pessoa pode conferir blocos e transações no explorador. As duas escolhas não competem. O Drex trata da infraestrutura regulada do sistema financeiro nacional; a BTZ Chain propõe registrar fatos verificáveis do ecossistema, com prova de que há uma pessoa real por trás de cada ato. O BICOIN, moeda de governança dessa rede, segue a régua "1 BTZ = 1 minuto de vida humana", que é propósito e não preço.

Fontes

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