Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Finanças · 24 de setembro de 2026

Pix internacional: BCB e BCE estudam ligar Pix ao TIPS

Em 24/09/2026, BCB e BCE começaram a estudar a ligação do Pix ao TIPS europeu. O Nexus e o custo das remessas mostram por que isso importa.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu começaram, em 24 de setembro de 2026, um estudo de viabilidade para ligar o Pix ao TIPS, o sistema europeu de pagamentos instantâneos que opera em euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa. Se a ligação sair do papel, uma pessoa no Brasil poderá, um dia, mandar dinheiro para a Europa com a mesma lógica de um Pix, e o contrário também.

O que aconteceu

O anúncio foi feito pelo Banco Central do Brasil. A comunicação oficial trata de um estudo, não de uma decisão: as duas instituições vão avaliar se a interligação é possível e como ela funcionaria. O Banco Central lembrou a escala do lado brasileiro, com cerca de 250 milhões de transações por dia no Pix.

Segundo o Poder360, o cronograma preliminar prevê uma fase de exploração até março de 2027 e uma implantação possível entre abril de 2027 e junho de 2028. Esse calendário aparece só na reportagem e ainda depende do resultado do estudo.

A iniciativa não é isolada. O Banco de Compensações Internacionais, o BIS, desenvolveu o Projeto Nexus, que propõe ligar sistemas nacionais de pagamento instantâneo numa rede comum, em vez de cada país negociar conexões uma a uma. O BIS passou o projeto à Nexus Global Payments, organização criada em 2025 pelos bancos centrais de Índia, Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia. Na prática, os sistemas instantâneos que cada país construiu para dentro começam a procurar caminhos para fora.

Por que importa

Mandar dinheiro de um país para outro ainda é caro. Segundo o relatório das Nações Unidas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o custo médio global para enviar US$ 200 era de 6,7% no segundo trimestre de 2024. A meta dos ODS é de 3%. Em outras palavras, quem manda pouco dinheiro paga, proporcionalmente, mais que o dobro do que o mundo considera aceitável.

Esse custo pesa sobre quem menos pode pagar: o migrante que manda parte do salário para a família, o pequeno exportador que recebe por uma carga, o estudante que paga uma taxa no exterior. Cada intermediário na rota cobra a sua parte e acrescenta tempo.

Ligar sistemas instantâneos entre si é uma das formas de cortar essa cadeia. Se o Pix e o TIPS conversarem diretamente, o dinheiro pode cruzar o oceano com menos etapas, e a conversão de moeda pode ficar mais clara para quem paga. Ainda não há números sobre custo final, porque o estudo acabou de começar. Mas a direção é a mesma do Nexus: reduzir a distância entre o pagamento dentro de casa e o pagamento para fora.

Para quem exporta alimento para a Europa, um trilho mais curto entre os dois lados poderia simplificar o recebimento de vendas menores, em que a tarifa da remessa pesa mais em relação ao valor da carga.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez nasceu na Colômbia, vive no Brasil e atua em negócios com mais de um país. Na leitura dele, quem vive entre países aprende cedo que o dinheiro que sai de um lado raramente chega inteiro do outro, e o estudo entre o BCB e o BCE é a confirmação de que infraestrutura de pagamento é ponte entre pessoas, não só entre bancos.

Para Bairo, a pergunta certa não é se o dinheiro vai atravessar mais rápido, e sim quem passa a caber nessa travessia. O produtor de uma central de abastecimento que um dia vender para um comprador europeu precisa de um caminho com a menor fricção possível, do pedido à entrega e da entrega ao pagamento. Na visão dele, cada intermediário a menos é uma margem que volta para quem produziu.

Ele mede tudo pelo tempo de vida. Uma remessa que leva dias e perde quase 7% no caminho custa dinheiro e custa horas de trabalho de alguém. Para Bairo, encurtar essa estrada é devolver tempo.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio fundada por Bairo, que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, foi desenhado para ligar a cotação, a invoice e o pagamento de uma carga de alimento, inclusive em vendas para fora do país. Pagamentos e câmbio passam sempre por instituições autorizadas em cada país.

A BTZ Chain é a rede pública de registro do ecossistema, conferível por qualquer pessoa no explorador, proposta para provar que uma venda aconteceu e que há uma pessoa real por trás de cada ato. O BICOIN, moeda de governança dessa rede, segue a régua "1 BTZ = 1 minuto de vida humana", que mede propósito: não é preço, não é oferta e não é convite a comprar.

Fontes

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