No mundo · Finanças · 28 de setembro de 2026
Sibos Miami 2026: o ledger do Swift entra em uso
No Sibos 2026, em Miami, o Swift mostrou seu ledger em blockchain para depósitos tokenizados. O que isso muda para quem exporta alimento.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
O Swift, a rede de mensagens que liga bancos do mundo inteiro, levou ao Sibos 2026, em Miami, entre 28 de setembro e 1º de outubro, o seu ledger em blockchain para pagamentos internacionais com depósitos tokenizados. Em julho, a cooperativa já tinha anunciado que a ferramenta estava pronta para uso inicial, com 17 bancos de seis continentes, entre eles o Itaú Unibanco, preparando as primeiras transações reais.
O que aconteceu
O Sibos é a conferência anual do Swift. Na edição de 2025, a cooperativa anunciou que acrescentaria um livro-razão compartilhado, baseado em blockchain, à sua infraestrutura, com o desenho inicial feito em parceria com a Consensys e mais de 30 instituições financeiras envolvidas.
Em 9 de julho de 2026, o Swift comunicou que o ledger estava pronto para uso inicial. Dezessete bancos se preparavam para pilotar transações reais: ANZ, BNP Paribas, BNY, Citi, DBS, First Abu Dhabi Bank, FirstRand, HSBC, Itaú Unibanco, Lloyds, Mashreq, MUFG, OCBC, Standard Chartered, UBS, UOB e Wells Fargo. A proposta é que cada banco emita depósitos tokenizados no próprio livro e use o ledger do Swift como camada de orquestração, movendo valores à noite e nos fins de semana, com a liquidação final pelos sistemas que já existem.
Pela primeira vez, o Sibos foi realizado em Miami, no Miami Beach Convention Center. Segundo a cobertura da FXC Intelligence, na plenária de abertura o presidente do Swift, Javier Pérez-Tasso, disse que o ledger está em funcionamento e que "pelo menos 19 bancos" devem usá-lo até o fim de 2026, em cinco moedas principais. Na mesma semana, empresas de tecnologia como IBM e Oracle anunciaram conexões com o ledger, segundo a The Block.
Por que importa
Durante décadas, o Swift foi um sistema de mensagens: dizia a um banco que outro banco ia pagar. O dinheiro mesmo andava por outros caminhos, em horário comercial e com uma fila de intermediários. Um ledger compartilhado muda a natureza da coisa. A mensagem e o registro do valor passam a morar no mesmo lugar, e o registro pode funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana.
Para o comércio exterior, isso tem efeito concreto. Uma carga de frutas não espera a segunda-feira. Um contêiner refrigerado tem prazo. Quando o pagamento internacional deixa de depender do expediente bancário de dois países, o produtor que exporta ganha previsibilidade, e quem compra ganha confiança para fechar mais rápido.
Há também um recado sobre o tipo de blockchain que o sistema financeiro está adotando. Não é uma rede aberta a qualquer um: é um registro permissionado, entre instituições reguladas, que conversa com o padrão de mensagens ISO 20022. A tecnologia de registro distribuído entrou no centro do sistema pela porta da regulação.
Na visão de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez acompanha esse movimento desde que começou a desenhar o CEASA Bank, quando, segundo ele conta, ouviu de bancos que a solução que propunha, com mensageria ISO 20022, blockchain e tokenização, não seria integrada. Na leitura dele, o anúncio do Swift confirma a direção: o dinheiro do mundo está aprendendo a andar junto com o registro do que aconteceu.
Para Bairo, a pergunta que importa é quem fica conectado a essa infraestrutura nova. Os 17 bancos do piloto são grandes. O produtor que entrega tomate numa central de abastecimento às cinco da manhã não está na lista. A infraestrutura que liga o agro ao mundo só cumpre o que promete quando chega até a ponta, e é essa ponte que ele diz querer construir.
Há ainda a régua que ele usa para tudo: o tempo de vida. Cada fim de semana em que um pagamento fica parado é tempo de alguém esperando. Na visão dele, um sistema que funciona 24 horas devolve tempo às pessoas, e é isso, mais do que a tecnologia, que vale celebrar.
Onde isso encontra o ecossistema
O CEASA Bank é uma plataforma financeira do agronegócio, fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de instituição autorizada. O desenho dela prevê falar a língua ISO 20022 desde o início e ligar a cotação, a invoice e o pagamento de uma carga de alimento entre países. A conexão com redes como a do Swift depende sempre de instituições participantes e autorizadas.
A BTZ Chain segue outra lógica, complementar: é uma rede pública que qualquer pessoa pode conferir no explorador, proposta para registrar o que é verdade e provar que há uma pessoa real por trás de cada ato. O BICOIN, moeda de governança dessa rede, carrega a régua "1 BTZ = 1 minuto de vida humana", que mede propósito e não é preço nem convite a comprar.
Fontes
- Swift, página oficial do Sibos 2026 Miami, 28/09 a 01/10/2026: swift.com
- Swift, comunicado "Swift's blockchain ledger ready for use as 17 banks set to pioneer tokenised cross-border payments", julho de 2026: swift.com
- CoinDesk, 09/07/2026: Swift rolls out new blockchain ledger to bring 24/7 banking to 17 global giants
- The Block, julho de 2026: Swift launches blockchain ledger for tokenized deposit pilot with 17 banks
- FXC Intelligence, 02/10/2026: Highlights and key takeaways from Sibos 2026
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