No mundo · Finanças · 29 de junho de 2025
Tokenização de ativos reais: BUIDL, BIS e McKinsey
O fundo tokenizado BUIDL, da BlackRock, o relatório do BIS e a projeção da McKinsey mostram a tokenização de ativos reais entrando no sistema.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
A tokenização de ativos reais, conhecida pela sigla em inglês RWA, é a representação digital, num registro compartilhado, de um ativo que existe fora da rede, como um título público, um imóvel ou um recebível. Entre 2024 e 2025, ela deixou de ser experimento: a BlackRock lançou o fundo tokenizado BUIDL, o Banco de Compensações Internacionais, o BIS, apontou a tokenização como base do próximo sistema monetário, e a McKinsey projetou um mercado de cerca de US$ 2 trilhões em ativos financeiros tokenizados até 2030, no cenário-base.
O que aconteceu
Em 20 de março de 2024, a BlackRock anunciou o BlackRock USD Institutional Digital Liquidity Fund, o BUIDL, emitido na rede Ethereum, com a Securitize como responsável pela tokenização. O fundo aplica em caixa, títulos do Tesouro americano e operações compromissadas, e é restrito a investidores qualificados. Em março de 2025, segundo a Markets Media, passou de US$ 1 bilhão em patrimônio e já circulava em várias redes, como Ethereum, Aptos, Arbitrum, Avalanche, Optimism e Polygon, com o BNY Mellon como custodiante.
Em junho de 2024, a McKinsey publicou o estudo "From ripples to waves", que estima em cerca de US$ 2 trilhões o valor de ativos financeiros tokenizados até 2030 no cenário-base, sem contar criptoativos e stablecoins, e o dobro disso num cenário otimista. O mesmo estudo foi franco sobre as dificuldades: a adoção ampla ainda está longe, e o mercado enfrenta um problema de "partida a frio", em que falta liquidez porque faltam usuários, e faltam usuários porque falta liquidez.
Em 29 de junho de 2025, o BIS publicou o capítulo III do seu Relatório Econômico Anual, dedicado ao próximo sistema monetário e financeiro. A tese é que a tokenização num registro unificado, que reúna reservas do banco central, depósitos bancários e títulos, pode integrar mensagem, conciliação e liquidação numa única operação. O mesmo relatório foi duro com as stablecoins, que, segundo o BIS, falham nos testes de singularidade, elasticidade e integridade do dinheiro.
Por que importa
Hoje, um ativo real passa por vários livros de registro diferentes: o do emissor, o do custodiante, o da bolsa, o do banco. Cada passagem custa tempo e abre espaço para erro. A tokenização propõe que o registro e a transferência aconteçam no mesmo lugar, a qualquer hora, com regras programadas.
Para o agro, a ideia tem um apelo direto. Uma safra futura, um estoque armazenado ou um recebível de venda podem, em tese, ser representados digitalmente e servir de base para crédito, sem que o produtor precise oferecer a terra ou a casa em garantia. A tokenização não cria valor do nada: ela só funciona quando há um ativo real, um registro confiável e uma estrutura jurídica por trás.
Os dados também pedem prudência. O próprio BIS e a própria McKinsey dizem que o caminho é longo, e no Brasil a oferta de ativos tokenizados ao público segue as regras da CVM e do Banco Central.
Na visão de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez conta que, quando começou a construir o CEASA Bank, ouviu de bancos que não integrariam uma solução baseada em mensageria ISO 20022, blockchain e tokenização de ativos reais. Na leitura dele, o movimento da BlackRock e o relatório do BIS mostram que a direção estava certa, mesmo que o caminho ainda seja longo.
Para Bairo, o ativo real mais importante do agro brasileiro não está no balanço de um grande fundo. Está na venda feita às cinco da manhã numa central de abastecimento, que, registrada e verificável, pode virar o histórico que abre crédito a quem nunca teve. A infraestrutura que liga o agro ao mundo, na visão dele, é a que permite provar o que existe de verdade.
Ele mede também pelo tempo de vida. Um ativo que pode ser verificado em minutos poupa semanas de papel. Para Bairo, é esse tempo devolvido que dá sentido à tecnologia.
Onde isso encontra o ecossistema
No desenho do CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio que opera sobre a infraestrutura de instituição autorizada, está a proposta de o produtor buscar recursos a partir da representação digital de ativos ligados à produção, com estrutura jurídica própria e instituição autorizada em cada operação. É proposta em implantação, não produto pronto.
A BTZ Chain é a rede pública de registro do ecossistema, que qualquer pessoa pode conferir no explorador. O BICOIN, moeda de governança dessa rede, segue a régua "1 BTZ = 1 minuto de vida humana", que é propósito, sem preço e sem convite a comprar.
Fontes
- BIS, Relatório Econômico Anual 2025, cap. III, 29/06/2025: The next-generation monetary and financial system
- BlackRock e Securitize, 20/03/2024: BlackRock Launches Its First Tokenized Fund, BUIDL, on the Ethereum Network
- McKinsey, junho de 2024: From ripples to waves: The transformational power of tokenizing assets
- Markets Media, 14/03/2025: BlackRock Tokenized Fund Surpasses $1bn in AUM
- Yahoo Finance (CoinDesk): McKinsey Sees Just $2T of Tokenized RWAs by 2030 in Base Case
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