Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Finanças · 13 de agosto de 2026

Bancos digitais na América Latina: o Nubank em 2026

No 2º trimestre de 2026, o Nubank somou 139 milhões de clientes, passou de 5 milhões na Colômbia, abriu banco no México e entrou nos EUA.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

No segundo trimestre de 2026, a Nu Holdings, dona do Nubank, chegou a 139 milhões de clientes na América Latina e teve lucro de US$ 1,1 bilhão, o primeiro trimestre da empresa acima de US$ 1 bilhão. A Colômbia passou de 5 milhões de clientes, o México ganhou um banco completo em agosto e, em setembro, o Nubank começou a operar nos Estados Unidos.

O que aconteceu

Os números estão no formulário 6-K que a Nu Holdings entregou à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, em 13 de agosto de 2026. A base de 139 milhões de clientes se divide em cerca de 118 milhões no Brasil, 15,8 milhões no México e mais de 5 milhões na Colômbia.

O lucro de US$ 1,1 bilhão representou alta de 49% em um ano. A receita chegou a US$ 5,9 bilhões, com crescimento de 39%, e o retorno sobre o patrimônio, o ROE, ficou em 33%. Segundo a Exame, o trimestre também trouxe um sinal de atenção: a inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,9%.

No México, a empresa lançou em agosto de 2026 um banco completo, o que amplia o leque de serviços que ela pode oferecer no país. E em 11 de setembro de 2026, segundo o American Banker, o Nubank estreou nos Estados Unidos por meio de um banco patrocinador, o Lead Bank. Nesse modelo, a instituição licenciada nos EUA mantém as contas, e a marca digital cuida da experiência do cliente.

Por que importa

Os bancos digitais mudaram a forma como milhões de latino-americanos entraram no sistema financeiro. Conta sem tarifa de manutenção, cartão pedido pelo celular e atendimento sem agência derrubaram barreiras que, por décadas, deixaram muita gente de fora. O Global Findex 2025, do Banco Mundial, mostra o tamanho do desafio: 79% dos adultos do mundo têm conta, mas 1,3 bilhão ainda não tem, e 900 milhões desses têm celular.

A Colômbia acima de 5 milhões de clientes mostra que o modelo atravessa fronteiras dentro da região. Mercados com regras, moedas e hábitos diferentes estão adotando o mesmo tipo de serviço, o que indica que a dor era parecida: acesso caro, lento e cheio de papel.

A entrada nos Estados Unidos por meio de um banco patrocinador mostra outro caminho, o de uma marca digital que usa a infraestrutura de uma instituição autorizada para chegar a um mercado novo. Esse arranjo separa quem desenha a experiência de quem detém a licença.

O dado de inadimplência lembra o limite do crescimento. Incluir é dar acesso ao crédito, mas também cuidar para que esse crédito não vire armadilha para quem acabou de entrar.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez nasceu na Colômbia, em 1982, e construiu a vida no Brasil. Na leitura dele, ver um serviço financeiro digital passar de 5 milhões de clientes no país onde nasceu é sinal de que a América Latina aprendeu a construir infraestrutura que conecta quem estava fora.

Para Bairo, o passo seguinte é levar essa mesma lógica para onde a economia real acontece: as centrais de abastecimento, os produtores e os compradores de alimento. Na visão dele, a conta no celular resolveu a entrada da pessoa no sistema; falta resolver a entrada da produção, com cotação, invoice, pagamento e histórico ligados, do produtor ao comprador e com a menor fricção possível.

Ele também lê o modelo do banco patrocinador como uma confirmação do caminho que escolheu: construir a experiência e a tecnologia, e deixar a parte regulada com quem tem licença para isso. E mede tudo pela régua do tempo de vida. Para Bairo, cada fila que um aplicativo elimina é tempo devolvido a quem trabalha.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio fundada por Bairo, que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, segue esse desenho: a tecnologia, a cotação e a experiência são dele, e conta, cartão e meios de pagamento passam por instituição autorizada. O foco é o produtor e o comprador das centrais de abastecimento, e parte do desenho está em implantação.

A BTZ Chain é a rede pública de registro do ecossistema, que qualquer pessoa confere no explorador, proposta para provar que uma venda aconteceu e que há uma pessoa real por trás dela. O BICOIN, moeda de governança dessa rede, segue a régua "1 BTZ = 1 minuto de vida humana", que mede propósito e não é preço nem convite a comprar.

Fontes

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