Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Finanças · 31 de agosto de 2026

Open Finance no Brasil: 240 milhões de consentimentos

O Open Finance Brasil chegou a 240 milhões de consentimentos, alta de 54%. Mas 61,5% das consultas às APIs devolvem dados que não mudaram.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O Open Finance Brasil, o sistema em que o cliente autoriza uma instituição financeira a ver os dados que ele tem em outra, chegou a 240 milhões de consentimentos, alta de 54%, segundo reportagem da Exame de 31 de agosto de 2026. O mesmo levantamento trouxe um alerta: um estudo da Zetta mostrou que 61,5% das consultas às APIs do sistema devolvem dados que não mudaram.

O que aconteceu

O Open Finance nasceu como Open Banking e foi implantado no Brasil em fases. A fase 2, iniciada em 13 de agosto de 2021, colocou em funcionamento o compartilhamento de dados dos clientes entre instituições, sempre com autorização deles. A fase 3, com início previsto para 30 de agosto de 2021, levou para o sistema os serviços de pagamento. A fase 4, de 15 de dezembro de 2021, expandiu o compartilhamento para outros produtos e serviços financeiros.

Cinco anos depois, o sistema tem escala. Cada consentimento é uma autorização dada por um cliente para que uma instituição veja ou movimente dados que estão em outra, por um prazo e com uma finalidade definidos. Os 240 milhões de consentimentos mostram que a ideia saiu do papel.

O estudo da Zetta, citado pela Exame, olhou para o outro lado. Quando 61,5% das consultas às APIs trazem de volta exatamente a mesma informação, boa parte do tráfego do sistema é repetição: instituições perguntando de novo algo que já sabiam. Isso custa processamento, infraestrutura e dinheiro para quem mantém as APIs no ar.

Em 2026, o Open Finance também ganhou uma mudança de regra. A Instrução Normativa BCB 746, de 16 de junho de 2026, tirou o teto fixo de R$ 500 da jornada sem redirecionamento do Open Finance, a mesma regra que valia para o Pix por aproximação. Desde 1º de outubro de 2026, cada instituição define o limite do seu cliente.

Por que importa

Durante décadas, a história financeira de uma pessoa ficou presa ao banco onde ela tinha conta. Quem quisesse crédito em outro lugar começava do zero. O Open Finance muda essa lógica: o dado é do cliente, e ele decide com quem compartilha. Isso pode significar crédito mais barato, ofertas mais adequadas e menos papelada.

O desperdício apontado pela Zetta mostra que o sistema ainda precisa amadurecer. Se a maior parte das consultas é repetida, há espaço para regras e tecnologias que avisem quando algo mudou, em vez de obrigar cada instituição a perguntar o tempo todo. Um sistema mais eficiente custa menos e pode chegar a mais gente.

O fim do teto de R$ 500 na jornada sem redirecionamento aproxima o Open Finance do uso diário. O pagamento iniciado de dentro de outro aplicativo, sem pular de tela em tela, passa a servir também para valores maiores, conforme o perfil de cada cliente.

Na visão de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez lê o Open Finance como uma conquista de quem sempre ficou do lado de fora. Para ele, o produtor que vende toda semana numa central de abastecimento tem uma história financeira real, mas ela raramente chega a quem decide o crédito. Na leitura dele, quando o dado passa a ser do cliente, essa história pode, enfim, viajar com ele.

Para Bairo, os 61,5% de consultas repetidas são uma lição de desenho. Infraestrutura que conecta quem estava fora precisa ser leve, com a menor fricção possível, do produtor ao comprador. Na visão dele, perguntar mil vezes a mesma coisa é o contrário disso: é custo que alguém paga no fim da cadeia, e quase sempre é o menor.

Ele mede pela régua do tempo de vida. Cada formulário repetido, cada extrato pedido de novo, é tempo que não volta. Para Bairo, um sistema que lembra o que já sabe devolve esse tempo a quem trabalha.

Onde isso encontra o ecossistema

O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio fundada por Bairo, que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, foi desenhado para transformar cada venda nas centrais de abastecimento em histórico, para que o produtor possa, com a autorização dele, mostrar o que já fez. Conta, pagamento e crédito passam por instituição autorizada, e parte do desenho está em implantação.

A BTZ Chain é a rede pública de registro do ecossistema, que qualquer pessoa confere no explorador, proposta para provar que um fato aconteceu sem expor o dado pessoal de ninguém. O BICOIN, moeda de governança dessa rede, segue a régua "1 BTZ = 1 minuto de vida humana", que mede propósito e não é preço nem convite a comprar.

Fontes

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