No mundo · Saúde · 7 de dezembro de 2023
Dor lombar crônica: o que a diretriz da OMS recomenda
A diretriz da OMS de 7/12/2023 para dor lombar crônica indica exercício, educação e terapias psicológicas e desaconselha opioides, cintas e tração.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
A dor lombar é a principal causa de incapacidade no mundo, e a Organização Mundial da Saúde publicou em 7 de dezembro de 2023 uma diretriz sobre como tratar a forma crônica dela na atenção primária. A recomendação central é tratar a pessoa inteira: educação, exercício, terapias físicas e psicológicas, em conjunto. E a lista do que evitar inclui opioides, cintas lombares e tração.
O que aconteceu
A diretriz trata da dor lombar crônica primária, aquela que dura mais de três meses sem uma doença de base que a explique. Segundo a OMS, em 2020 cerca de 619 milhões de pessoas viviam com dor lombar, uma em cada 13 no planeta, 60% a mais do que em 1990. A projeção para 2050 é de 843 milhões.
O que a OMS recomenda, como parte do cuidado de adultos, inclusive idosos:
- programas de educação que ensinem estratégias de autocuidado;
- programas de exercício estruturado;
- terapias físicas, como manipulação da coluna e massagem, e terapias de agulhamento, como acupuntura;
- terapias psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental;
- anti-inflamatórios não esteroides.
E o que desaconselha: 14 intervenções, entre elas cintas e suportes lombares, tração e analgésicos opioides, pelo risco de overdose e dependência. Segundo a RTP, a OMS considerou que, nesses casos, os danos potenciais provavelmente superam os benefícios. A emissora portuguesa também registrou que a organização não encontrou evidência suficiente para recomendar ou desaconselhar algumas abordagens, entre elas mindfulness, paracetamol, benzodiazepínicos e tratamentos à base de cannabis.
Por que importa
No Brasil, a dor crônica é um problema de saúde pública. Uma revisão sistemática publicada no BrJP em 2021, com 35 estudos brasileiros, encontrou prevalência média de 45,59% de dor crônica entre os estudos analisados, com variação de 23% a 76% e maior peso entre as mulheres. A região lombar aparece entre as mais citadas.
A diretriz desloca o foco do remédio isolado para um conjunto de cuidados, e isso conversa com pesquisas recentes. Em setembro de 2026, o Extra noticiou uma revisão de pesquisadores da Adelaide University, com mais de 150 estudos e 221 mil participantes, segundo a qual o exercício reduziu, em média, mais de um ponto numa escala de dor de 0 a 10, com bons resultados para atividades leves como ioga, pilates e tai chi.
Para quem convive com dor todos os dias, a mensagem é dupla. Há caminhos com evidência, e eles pedem acompanhamento contínuo, não uma solução única. E o primeiro passo continua sendo um profissional de saúde.
Na visão de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez diz que encontrou na dor a sua base, mas faz questão de separar as dores. A dor da alma, a do fracasso, da perda e do vazio, ele conta nas páginas de dor, fé e reconexão. A dor do corpo, para ele, começa num consultório. O caminho pessoal que ele viveu com a planta está em a planta que o reconectou, contado como relato, nunca como indicação. E quando a dor de todo dia pesa também na cabeça, ele lembra que o CVV atende de graça pelo 188.
Na leitura dele, quem tem dor crônica sofre também com o vaivém: conta a mesma história a cada profissional, esquece metade do que mudou desde a última consulta, não sabe se o que sente hoje é motivo para procurar ajuda. É aí que Bairo vê lugar para o assistente clínico. No Hospital Triage, a proposta é acompanhar a pessoa no dia a dia e chamar um profissional, que valida e decide, quando algo muda. Na Xperienc Global Labs, uma segunda opinião clínica de um especialista de outro país pode ampliar o olhar do médico que acompanha o caso.
Onde isso encontra o ecossistema
O Hospital Triage prevê, para condições crônicas, uma pergunta diária em linguagem simples e um sinal para o profissional quando as respostas fogem do padrão daquela pessoa. É um sinal para alguém olhar, não uma conclusão. O sistema está em fase de protótipo.
A Xperienc Global Labs une teleconsulta, o tradutor Global Language e pesquisa em biotecnologia, inclusive com cannabis medicinal. Diante de uma diretriz que diz faltar evidência para tratamentos à base de cannabis na dor lombar, o lugar da Xperienc é o da pesquisa e da gradação honesta do que se sabe, sem promessa de resultado.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde, "WHO releases guidelines on chronic low back pain", 7/12/2023: who.int
- RTP, "OMS emite orientações sobre o que funciona no tratamento da dor nas costas", 2024: rtp.pt
- Aguiar DP et al., "Prevalência de dor crônica no Brasil: revisão sistemática", BrJP, 2021;4(3):257-67: scielo.br
- Extra, "Exercício leve alivia dor crônica tanto quanto remédios, aponta revisão de 157 estudos", 25/9/2026: extra.globo.com
Leia também
Mais sobre este tema
- Triagem por IA no pronto-socorro: o que dizem os estudos
- OMS: faltarão 11,1 milhões de profissionais de saúde
- Setembro Amarelo 2026: escutar é estar presente
- Meu SUS Digital: saúde mental por teleatendimento
- ANPD e os dados de 500 mil pacientes: o que a LGPD exige
- Barreira de idioma na consulta: o risco que não se vê