No mundo · Finanças · 16 de julho de 2025
Global Findex 2025: 1,3 bilhão de adultos ainda sem conta
O Global Findex 2025, do Banco Mundial, mostra que 79% dos adultos têm conta, mas 1,3 bilhão segue de fora. O que isso diz sobre quem produz comida.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
O Global Findex 2025, a pesquisa do Banco Mundial sobre como os adultos do mundo guardam, pagam, pedem emprestado e enfrentam imprevistos, mostrou que 79% dos adultos já têm uma conta em instituição financeira ou de dinheiro móvel. Ao mesmo tempo, cerca de 1,3 bilhão de adultos ainda não têm conta nenhuma, e a maioria deles vive em economias em desenvolvimento. Desses, cerca de 900 milhões já têm celular.
O que aconteceu
O Global Findex é publicado pelo Banco Mundial desde 2011, com base em entrevistas com adultos em mais de 140 economias. A edição de 2025, com dados coletados em 2024, trouxe o retrato mais recente da inclusão financeira no mundo.
Os números principais, segundo o Banco Mundial: 79% dos adultos têm conta; 40% dos adultos das economias em desenvolvimento guardaram dinheiro numa conta financeira em 2024, 16 pontos percentuais a mais do que em 2021; 42% dos adultos fizeram pagamento digital ao comércio em 2024, contra 35% em 2021; entre os gêneros, 77% das mulheres e 81% dos homens têm conta; 84% dos adultos de países de renda baixa e média têm celular, e 3 bilhões de pessoas usam smartphone. Só 56% dos adultos disseram que conseguiriam, com segurança, dinheiro extra numa emergência. E um em cada quatro adultos nos países de renda baixa e média enfrentou um desastre natural nos três anos anteriores.
O relatório confirma uma tendência que vem de edições anteriores: o celular virou a principal porta de entrada para o sistema financeiro, e os pagamentos digitais, de salários a benefícios do governo, puxam a abertura de contas.
Por que importa
Ter conta não é luxo. É o que permite receber pagamento sem risco de assalto, guardar dinheiro sem perdê-lo para a inflação debaixo do colchão, construir um histórico e, um dia, pedir crédito. Quem fica de fora paga mais caro por tudo: pelo empréstimo informal, pelo envio de dinheiro, pelo tempo gasto em filas.
O dado sobre emergências é o mais duro. Quase metade dos adultos do mundo não tem certeza de que conseguiria dinheiro extra num imprevisto. Para quem vive da terra, o imprevisto tem nome: seca, chuva fora de hora, praga, queda de preço. Quando a colheita falha e não há reserva nem crédito, a família vende o que tem, e às vezes vende o futuro.
O celular muda o jogo, mas não sozinho. Ter o aparelho é condição, não garantia. A inclusão de verdade depende de serviços feitos para a realidade de quem está na ponta: produtor rural, comerciante de feira, trabalhador informal.
Na visão de Bairo
Bairo Leandro Gonzalez Martinez conhece por experiência própria o que é trabalhar e não existir no papel. Ele conta que, depois de chegar ao Brasil, ficou sem documentos em mãos, e anos depois, quando perdeu tudo, aprendeu que quem não consegue provar o que fez não consegue crédito para recomeçar. Na leitura dele, o 1,3 bilhão do Findex não é estatística: é gente que trabalha e continua invisível.
Para Bairo, a infraestrutura que liga o agro ao mundo começa por enxergar quem produz. O produtor que vende toda semana numa central de abastecimento tem uma história financeira real, mas ela vive em cadernos e conversas. Na visão dele, transformar essa história em registro verificável é a ponte entre quem trabalha e o crédito que ainda não chegou.
E ele mede pela régua que usa para tudo, o tempo de vida. A fila no banco, a viagem até a cidade para sacar, a semana esperando um pagamento: tudo isso é tempo que não volta. Para Bairo, incluir é devolver esse tempo.
Onde isso encontra o ecossistema
O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio fundada por Bairo, que opera sobre a infraestrutura de instituição autorizada, foi desenhado para caber no celular de quem trabalha nas centrais de abastecimento: preço de referência, cobrança em minutos, conta e meios de pagamento por meio de instituição autorizada, e cada venda virando histórico. Parte disso está em implantação.
A BTZ Chain é a rede pública de registro do ecossistema, que qualquer pessoa confere no explorador, proposta para provar fatos e a presença de uma pessoa real por trás de cada ato. O BICOIN, moeda de governança dessa rede, tem a régua "1 BTZ = 1 minuto de vida humana": mede propósito, não é preço e não é convite a comprar. O Instituto CEASA, frente humanitária, propõe ampliar o acesso a alimento.
Fontes
- Banco Mundial, The Global Findex Database 2025: worldbank.org
- Banco Mundial, relatório completo Global Findex 2025 (PDF): openknowledge.worldbank.org
- Banco Mundial, comunicado de 16/07/2025: A tecnologia dos celulares impulsiona a poupança nas economias em desenvolvimento
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