No mundo · Empreender · 18 de fevereiro de 2026
Venture capital na América Latina: o retrato da LAVCA 2026
O relatório da LAVCA de 2026 mostra um venture capital mais seletivo, o México encostando no Brasil e US$ 2,2 bilhões em rodadas iniciais em 2025.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
O relatório Trends in Tech de 2026 da LAVCA, a associação de investimento de capital privado na América Latina, publicado em 18 de fevereiro de 2026, mostra que o venture capital na região ficou estável em valor em 2025, mas com menos rodadas e cheques maiores. As rodadas iniciais somaram US$ 2,2 bilhões, 52% do total, o maior valor nessa etapa desde 2022. E o México encostou no Brasil: as startups mexicanas captaram 21% a mais do que no ano anterior e ficaram só 14% atrás das brasileiras.
O que aconteceu
A LAVCA acompanha há anos os investimentos de risco em startups latino-americanas. Os destaques do relatório sobre 2025:
- Investimento seletivo. O valor investido se manteve, mas o número de negócios caiu. O dinheiro está mais concentrado, em cheques maiores e em menos empresas;
- US$ 2,2 bilhões em rodadas de estágio inicial, 52% do total;
- cinco empresas concentraram cerca de 25% de todo o capital de risco do ano: Plata, ADDI, Klar, Omie e Kavak;
- metade dos cheques de estágio inicial, entre 2023 e 2025, foi de rodadas de continuação para empresas que já estavam no portfólio;
- mais de US$ 2 bilhões em dívida, por linhas de crédito, dívida estruturada e FIDCs, foram captados por startups que já tinham investimento de risco, para ganhar fôlego sem diluir os sócios;
- as startups de inteligência artificial com investimento de risco na região se concentram em aplicações para empresas.
O avanço do México já tinha aparecido no meio do ano. Em agosto de 2025, o NeoFeed mostrou, com dados da LAVCA, que no semestre inicial de 2025 as startups mexicanas tinham captado mais do que as brasileiras, com 46% do capital da região contra 23% do Brasil.
Por que importa
Para quem empreende no Brasil, o retrato tem duas leituras. Uma é de mercado: o dinheiro existe, mas ficou mais exigente. Fundos preferem reforçar quem já está no portfólio a apostar em nomes novos, e cobram tração antes do cheque. A outra é de país: os juros altos e o ambiente de negócios pesam na decisão de quem investe de fora, e a proximidade econômica do México com os Estados Unidos virou vantagem competitiva.
O crescimento da dívida como fonte de capital também diz muito. Startups estão buscando crédito para não vender participação barata, o que exige caixa organizado e receita previsível. Num cenário assim, disciplina financeira deixa de ser detalhe e vira condição de acesso.
Na visão de Bairo
Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, um mercado mais seletivo não fecha a porta; muda a pergunta que se faz antes de bater nela. Ele conta que construiu a base do que viria a ser o CEASA Bank em seis meses, em casa, sem saber programar, e que ouviu de bancos que não integrariam a solução. O não é a base do sim: na leitura dele, o investidor que recusa costuma estar apontando a prova que ainda falta.
Na visão de Bairo, a América Latina tem justamente o que os relatórios mostram como valioso: problemas reais, de economia real, esperando tecnologia. O Método Sétima Tentativa propõe provar pequeno antes de pedir capital, com conversas, compromissos e números de verdade. Não é promessa de captação nem de dinheiro. A trajetória dele, com as quedas e o que veio depois, está em O fundador.
Onde isso encontra o ecossistema
As frentes que Bairo fundou se apoiam na economia real da região. O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio que opera sobre infraestrutura de instituição autorizada, olha para as centrais de abastecimento, onde circula a comida do país. A expansão para outros países da região, como a Bolívia, aparece como projeto em construção. A Xperienc Global Labs, laboratório de P&D registrado em Londres, trabalha na interseção entre saúde e tecnologia.
Nenhuma dessas frentes é apresentada aqui como oportunidade de investimento: o texto descreve propostas e visão.
Fontes
- LAVCA, 2026 LAVCA Trends in Tech, 18/02/2026: https://www.lavca.org/research/2026-lavca-trends-in-tech/
- LAVCA, 2025 Latin American Startup Ecosystem Insights, agosto de 2025: https://www.lavca.org/research/2025-latin-american-startup-ecosystem-insights/
- NeoFeed, "México sobe e o Brasil cai: o novo mapa dos investimentos em startups na América Latina", 13/08/2025: https://neofeed.com.br/startups/mexico-sobe-e-o-brasil-cai-o-novo-mapa-dos-investimentos-em-startups-na-america-latina/
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