Bairo GonzalezLeandro · Martinez

O padrão · Imigração

Por que imigrantes empreendem mais?

55% das startups bilionárias dos EUA têm um fundador imigrante. Entenda o que a pesquisa mostra, quem viveu isso e o que o imigrante leva na mala.

Imigrantes aparecem com frequência acima do esperado entre os fundadores de empresas que mudaram mercados. Há explicações possíveis: quem atravessa uma fronteira já tomou a decisão mais arriscada da vida, aprendeu a se virar sem rede e enxerga o novo país com olhos de fora, vendo oportunidades que quem nasceu ali deixa passar. Não há uma causa única. Mas o padrão é consistente.

O que a pesquisa mostra

A National Foundation for American Policy (NFAP), um centro de estudos dos Estados Unidos, acompanha há anos a origem dos fundadores das startups americanas avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais, os chamados unicórnios.

No levantamento de 2022, 319 das 582 startups bilionárias tinham pelo menos um fundador imigrante: 55%. Um quarto delas (143) tinha um fundador que chegou ao país como estudante internacional. E quase 80% tinham um imigrante como fundador ou em cargo-chave, como presidente ou diretor de engenharia (NFAP, 2022).

Os imigrantes são uma parcela bem menor da população americana do que esses 55%. Ou seja: entre os que construíram as empresas de crescimento mais rápido, quem veio de fora está muito acima da sua proporção.

O dado é dos Estados Unidos e de startups com capital de risco. Não vale automaticamente para o Brasil nem para todo tipo de negócio. Mas ajuda a enxergar uma coisa que muitos imigrantes sentem na pele: a travessia, quando não quebra a pessoa, costuma fortalecer.

Quem viveu isso

Sergey Brin nasceu em Moscou, em 1973. Em 1979, aos seis anos, deixou a União Soviética com os pais e o irmão, numa das últimas levas de famílias judias autorizadas a sair antes da era Gorbachev. O pai virou professor de matemática na Universidade de Maryland; a mãe, pesquisadora num centro da NASA (The Immigrant Learning Center).

Anos depois, em Stanford, Brin conheceu Larry Page. Os dois fundaram o Google em 1998. O menino que atravessou uma fronteira aos seis anos ajudou a criar a ferramenta que bilhões de pessoas usam hoje sem pensar.

Na trajetória de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez nasceu na Colômbia, em 1982. Desde menino, dizia a quem quisesse ouvir que um dia moraria no Brasil. Não era plano; era certeza dita em voz alta, antes de existir qualquer caminho.

O caminho veio por uma roda. A capoeira foi a primeira coisa do Brasil que ele aprendeu com o corpo, antes da língua e antes do país. Em 2002, ele chegou, trazido por uma empresa de educação, num cargo de gerência.

Depois vieram os anos sem chão, como para tantos imigrantes antes e depois dele. E veio também o que a travessia ensina: começar de novo onde ninguém conhece seu nome, aprender as regras de um país que não é o seu e enxergar oportunidade onde outros veem rotina. Bairo diz que não existem coincidências nem casualidades. Existem propósitos, sonhos e execução.

Como desenvolver este traço

Não é preciso mudar de país para usar o que a imigração ensina.

  1. Olhe seu mercado com olhos de estrangeiro. Pergunte por que as coisas são feitas assim. Muitas respostas são "sempre foi assim", e ali mora a oportunidade.
  2. Construa rede do zero, de propósito. O imigrante não herda contatos. Aprenda a apresentar-se, a pedir e a retribuir.
  3. Transforme diferença em vantagem. Idioma, cultura e contatos de fora são ativos. Liste os seus.
  4. Se você é imigrante, cuide da documentação primeiro. Situação regular abre portas que nenhum talento abre. Procure a Defensoria Pública da União ou entidades de apoio ao migrante.
  5. Não carregue sozinho. Comunidades de imigrantes, associações e grupos de empreendedores encurtam o caminho.

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