Bairo GonzalezLeandro · Martinez

O padrão · Visão

Visão de longo prazo: ver antes dos outros

Empresas geridas para o longo prazo cresceram 47% mais em receita, mostrou o McKinsey Global Institute. Veja o que a pesquisa diz e como treinar a visão.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

Visão de longo prazo é a capacidade de decidir hoje pensando em anos, não em semanas. Quem tem esse traço aceita resultados lentos, enxerga tendências antes de virarem moda e suporta ser incompreendido enquanto o resto do mundo não alcança. A pesquisa mostra que essa postura costuma compensar. Mas também mostra o preço de chegar cedo demais.

O que a pesquisa mostra

Em 2017, o McKinsey Global Institute analisou 615 empresas americanas de capital aberto entre 2001 e 2015 e separou as que eram geridas com foco no longo prazo das demais. De 2001 a 2014, a receita das empresas de longo prazo cresceu, em média, 47% mais, com menos oscilação. O lucro cresceu 36% mais (McKinsey Global Institute, 2017).

Ver longe, porém, não basta: é preciso estar no tempo certo. Bill Gross, fundador da incubadora Idealab, analisou cerca de 200 empresas, as da própria incubadora e outras conhecidas, e comparou cinco fatores: ideia, equipe, modelo de negócio, financiamento e momento. Na análise dele, apresentada numa palestra TED em 2015, o momento foi o fator que mais pesou, à frente da ideia e da equipe (Bill Gross, TED). É uma análise de um investidor, não um estudo acadêmico, mas ajuda a entender um fenômeno comum: ideias certas que chegam antes da hora.

Quem viveu isso

Em 1997, a Amazon era uma livraria on-line que dava prejuízo. Na primeira carta aos acionistas, Jeff Bezos escreveu uma seção chamada "Tudo é sobre o longo prazo". Ali avisou que a empresa tomaria decisões de investimento pensando na liderança de mercado no longo prazo, e não no lucro de curto prazo nem na reação imediata de Wall Street (carta de 1997).

A Amazon passou anos sem dar lucro. Bezos anexou essa mesma carta, todos os anos, às cartas seguintes.

Na trajetória de Bairo

Bairo Leandro Gonzalez Martinez chegou cedo mais de uma vez.

Criou um curso de tratamentos capilares quando a área ainda engatinhava no Brasil; hoje a tricologia tem pós-graduação em escolas de saúde. Quis levar inteligência artificial e realidade aumentada ao negócio quando isso parecia ficção. Ouviu que não daria certo, acreditou e, mesmo assim, desistiu. Anos depois, a mesma coisa virou tendência. Apostou em cosméticos de base natural quando pouca gente apostava neles, e eles também viraram tendência.

Dessas experiências ele tirou uma lição dupla. Ter razão antes da hora não paga as contas, mas mostra que o olho está certo. E chegar cedo demais também é chegar sozinho. Para Bairo, a imagem que resume esse traço é a de Walt Disney: conta-se que, quando o Walt Disney World abriu, em 1971, alguém lamentou que Walt não tivesse vivido para ver o parque, e ouviu como resposta: "Ele viu. Por isso está aqui."

Como desenvolver este traço

  1. Escreva onde você quer estar em dez anos. Não metas de vendas: o que você quer ter construído. Releia todo ano.
  2. Separe o que é tendência do que é moda. Tendência resolve um problema que não vai sumir. Moda resolve um desejo passageiro.
  3. Observe os sinais fracos. Leia o que pesquisadores, jovens e mercados de fora estão fazendo. O futuro costuma chegar primeiro nas bordas.
  4. Planeje o tempo de espera. Se você chegar cedo, quanto tempo aguenta até o mercado alcançar? Ter caixa e paciência faz parte da visão.
  5. Não desista da ideia, ajuste o momento. Se o mercado ainda não está pronto, guarde a ideia, acompanhe os sinais e volte quando a hora chegar.

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