O padrão · Fé e propósito
Fé e propósito nos negócios: o que a pesquisa diz
Uma meta-análise de 75 estudos liga religião e empreendedorismo, e o propósito aumenta a persistência. Veja a pesquisa, quem viveu isso e como cultivar.
Fé e propósito não aparecem em planilha, mas aparecem em muitas histórias de quem construiu algo que durou. A pesquisa confirma uma relação, pequena e real, entre religiosidade e empreendedorismo, e uma relação mais clara entre propósito e persistência. O que esses estudos sugerem é simples: quem trabalha por algo maior do que o próprio ganho costuma aguentar mais tempo quando o caminho fica difícil.
O que a pesquisa mostra
Em 2025, Erik Lehmann e Laurenz Weiße, da Universidade de Augsburg, na Alemanha, reuniram 75 estudos empíricos e 306 medidas de efeito sobre religião e empreendedorismo. A conclusão: existe uma correlação positiva, mas pequena, entre os dois, e ela varia conforme a religião, o país e o tipo de resultado medido (Lehmann e Weiße, 2025). Ou seja, a fé não fabrica empreendedores. Mas também não está fora da história deles.
O propósito tem efeito mais visível. Em 2008, o psicólogo Adam Grant estudou bombeiros e operadores de telemarketing que arrecadavam doações para uma universidade. Quem tinha vontade de ajudar os outros e, ao mesmo tempo, gostava do próprio trabalho persistiu mais, fez mais ligações e arrecadou mais dinheiro um mês depois (Grant, 2008). O propósito sozinho não bastava. Junto com o gosto pelo que se faz, virou combustível.
Quem viveu isso
Truett Cathy abriu um pequeno restaurante em 1946, na Geórgia, com o irmão. Já tinha trabalhado em lanchonetes abertas 24 horas, sete dias por semana. Por convicção cristã, decidiu desde o primeiro dia que o restaurante fecharia aos domingos, para que ele e os funcionários tivessem um dia de descanso, de família e, para quem quisesse, de culto.
Do restaurante nasceu a Chick-fil-A, uma das maiores redes de restaurantes dos Estados Unidos. Até hoje, todas as lojas fecham aos domingos, como explica a própria empresa (Chick-fil-A). Abrir mão de um dia inteiro de vendas, toda semana, é uma decisão de negócio que só se entende pela fé.
Na trajetória de Bairo
Em algum ponto da estrada, Bairo Leandro Gonzalez Martinez estava sem dinheiro, sem saída aparente e sem mais nenhum plano na gaveta. Ainda tinha uma chama de esperança e de fé.
No fundo do poço, numa congregação cristã, ele ouviu relatos e testemunhos de pessoas comuns que tinham atravessado o impossível. Ouvindo, passou a acreditar no Deus do impossível. Ouvindo mais, passou a confiar no Deus do amor. A fé, para ele, ganhou uma definição simples: confiar em algo que não se vê.
Dessa fé saiu também um propósito. Bairo diz que não existem coincidências nem casualidades: existem propósitos, sonhos e execução. E faz questão de uma coisa: para ele, quem confia no seu Deus da criação está certo, independentemente da crença religiosa. É a experiência dele, contada como ele a viveu; cada um encontra a própria.
O propósito aparece nas frentes que ele fundou, como o Instituto CEASA, cuja proposta é ampliar o acesso a alimento.
Como desenvolver este traço
- Escreva por que você faz o que faz. Não o que vende, mas quem você quer ajudar. Uma frase basta.
- Junte propósito e gosto. A pesquisa de Grant mostra que propósito rende mais quando você também gosta do trabalho. Procure a parte do seu negócio que você faria de graça.
- Defina o que você não negocia. Cathy fechava aos domingos. Quais são os seus limites? Valores claros evitam decisões ruins sob pressão.
- Cultive sua fé, seja ela qual for. Religião, espiritualidade ou um conjunto de valores: o que importa é ter onde se apoiar nos dias em que nada faz sentido.
- Ouça histórias de quem atravessou. Testemunhos, biografias, conversas com quem já caiu e levantou fortalecem a esperança.
- Não use a fé como argumento de venda. Fé é força interna, não estratégia de marketing.