Bairo GonzalezLeandro · Martinez

No mundo · Empreender · 26 de fevereiro de 2026

GEM 2025/2026: o medo de fracassar e quem tenta de novo

O GEM 2025/2026 mostra que o medo de fracassar trava 2 em cada 5 adultos, mas quem já fechou um negócio tende a tentar de novo. O que isso ensina.

Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em

O relatório global do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025/2026, lançado em 26 de fevereiro de 2026, mostra que o medo de fracassar continua sendo um dos maiores freios do empreendedorismo no mundo: na maioria das 53 economias pesquisadas, pelo menos dois em cada cinco adultos que enxergam uma boa oportunidade desistem dela por medo. O mesmo relatório traz o dado que muda a conversa: quem já encerrou um negócio tem mais intenção de abrir outro do que quem nunca tentou.

O que aconteceu

O GEM é a maior pesquisa contínua sobre empreendedorismo do mundo e está no 27º ano. A edição 2025/2026, chamada From Uncertainty to Opportunity ("da incerteza à oportunidade"), ouviu mais de 160 mil pessoas e foi apresentada no Tecnológico de Monterrey, no México.

No Brasil, a pesquisa é conduzida pela Anegepe com o Sebrae. Em 2025, foram 2.350 entrevistas feitas entre junho e agosto. Os números brasileiros, apresentados pelo Sebrae em março de 2026, mostram três coisas ao mesmo tempo:

  • 31,6% dos adultos estão envolvidos em alguma atividade empreendedora, numa leve queda atribuída ao mercado de trabalho mais aquecido;
  • "ter o próprio negócio" passou de 34% para 40% e virou o segundo maior sonho do brasileiro, atrás apenas da casa própria;
  • 42,5 milhões de pessoas ainda não empreendem, mas querem abrir um negócio em até três anos.

O medo segue alto por aqui. No ciclo anterior do GEM, o relatório executivo brasileiro registrou que 51,8% dos adultos dizem que o medo de fracassar os impediria de começar um negócio, abaixo dos 54,6% do ano anterior, mas ainda mais da metade.

Por que importa

Juntos, os números desenham um país que sonha mais do que se arrisca. O desejo de empreender cresceu justamente num ano em que menos gente empreendeu. O espaço entre o sonho e a decisão tem nome: medo de fracassar.

O achado global sobre quem já fechou um negócio inverte a leitura habitual do fracasso. Em vez de marca que afasta, a saída de um negócio aparece como experiência que aproxima da próxima tentativa. O próprio GEM recomenda que governos e mercado tratem o encerramento como aprendizado e renovação econômica, não como estigma. Para o Brasil, onde fechar uma empresa ainda pesa como vergonha pessoal, a recomendação é direta.

Na visão de Bairo

Para Bairo Leandro Gonzalez Martinez, o dado do GEM confirma o que a vida dele ensinou antes de qualquer pesquisa: o não é a base do sim. Na história que ele conta, foram várias tentativas que não deram certo, um salão, uma ideia de tecnologia que chegou cedo demais, uma sociedade da qual foi tirado, um investimento que não se sustentou com cinquenta pessoas dependendo dele, antes de a sétima tentativa ficar de pé.

Na leitura dele, quem já fechou um negócio volta com mais chance porque volta com inventário: sabe com quem não construir, quanto caixa precisa ter e que tipo de não merece ser ouvido. É a lógica do Método Sétima Tentativa, que ele organizou em sete passos com exercícios práticos. O método não tira o medo, e Bairo não promete resultado nem dinheiro com ele. Propõe andar com o medo do tamanho que dá para carregar: testar pequeno, com prazo e com limite de perda.

Para Bairo, o número que mais importa no GEM não é o percentual de quem tem medo. É o de quem tenta de novo. A trajetória dele está contada em O fundador.

Onde isso encontra o ecossistema

As frentes que Bairo fundou partem, cada uma, de um não que ele ouviu. O CEASA Bank, plataforma financeira do agronegócio, nasceu depois que bancos se recusaram a integrar a solução que ele construiu. O CLAIN, orquestrador de agentes de IA, foi pensado para que quem mais precisa de orientação não dependa de pagar caro por ela. A proposta é que um agente de nicho ajude o pequeno empreendedor a organizar a ideia, testar o mercado e enxergar o risco antes de gastar, com a decisão sempre nas mãos de uma pessoa.

Fontes

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