Fracasso
Como superar o fracasso?
Viva o luto, extraia a lição por escrito, faça um passo pequeno e concreto e não decida sua vida inteira no pior dia. Fracasso é evento, não identidade.
Equipe bairogonzalez.com, a partir da história de Bairo · Publicado em
Fracassar é sentir que o mundo inteiro viu você cair. Mas quase ninguém está olhando tanto quanto você imagina, e quase todo mundo que construiu alguma coisa já caiu antes. O que define a história não é a queda; é o que vem depois dela.
O que fazer agora
- Dê nome ao que aconteceu. Escreva numa frase, sem adjetivos: "O projeto não vendeu o suficiente." "Fui demitido." "A sociedade acabou." Fracasso descrito com precisão fica do tamanho real.
- Permita o luto, com prazo. Ficar triste é natural. Dê a si alguns dias para sentir, sem fingir que está tudo bem. Depois, volte a agir, mesmo devagar.
- Faça a autópsia, não o julgamento. Liste três coisas que dependiam de você e deram errado, três que não dependiam de você e três que deram certo. Essa lista é matéria-prima para a próxima tentativa.
- Não tome decisões gigantes no pior dia. Vender tudo, largar tudo, mudar de cidade: decisões assim pedem cabeça descansada. No fundo do poço, decida só o próximo passo.
- Escolha um passo pequeno para hoje. Uma ligação, um currículo, uma conversa com um credor, uma caminhada. Movimento devolve a sensação de controle.
- Converse com quem já caiu. Pessoas que atravessaram fracassos ajudam a ver que existe o outro lado. Grupos de apoio, mentores, amigos de longa data.
- Se a dor não passa, procure ajuda. Tristeza que dura semanas, falta de vontade de tudo, ideias de morte: isso pede cuidado profissional. CVV no 188, gratuito, 24 horas; UBS e CAPS pelo SUS.
Quando aconteceu com Bairo
A trajetória de Bairo Leandro Gonzalez Martinez é uma lista de quedas contadas sem maquiagem. Um salão que não deu tão certo quanto ele e a companheira queriam. Uma ideia de inteligência artificial e realidade aumentada da qual ele mesmo desistiu depois de ouvir que não daria certo, e que anos depois virou tendência. Sócios que o tiraram de um negócio que ajudou a criar. Um investimento que não se sustentou, com muita gente dependendo dele. Um projeto em que foi deixado na mão por quem tinha ajudado.
Ninguém sabe ao certo quantas vezes ele tentou, pensou em parar e quase desistiu. Nem ele faz essa conta. O número que ele escolheu para contar a própria história é outro: sete. Foi a sétima tentativa que deu certo.
O caminho
Bairo resume tudo numa frase: o não é a base do sim. Cada fracasso dele deixou um tijolo: o curso deixou método, a ideia precoce deixou olho para o futuro, os sócios deixaram a lição sobre com quem construir. A tentativa que deu certo não foi sorte. Foi a que tinha todas as outras dentro dela. O seu fracasso de hoje pode ser um desses tijolos.
Cuidado com a pressa de provar que você não fracassou. Muita gente, ferida, pula logo para a próxima aposta só para apagar a anterior, e repete os mesmos erros. Dê a si o tempo de aprender a lição inteira antes de começar de novo. O próximo começo vai ser mais forte se carregar o que este fracasso ensinou, e não apenas a vontade de esquecê-lo.