Bairo GonzalezLeandro · Martinez

Fracasso

Como lidar com o fracasso profissional?

Separe carreira de valor pessoal, faça o inventário do que você sabe fazer e transforme a experiência em argumento. Toda trajetória sólida tem quedas.

Uma demissão, um cargo perdido, um projeto que deu errado na frente de todo mundo. O fracasso profissional atinge o orgulho e a conta ao mesmo tempo. Mas carreira não é linha reta, e a sua não terminou neste capítulo.

O que fazer agora

  1. Garanta o básico. Se perdeu o emprego, verifique o seguro-desemprego, o saque do FGTS a que tiver direito e as verbas rescisórias. Organize um orçamento de transição para os próximos meses.
  2. Faça o inventário do que você sabe. Liste tudo o que aprendeu a fazer, inclusive o que não está no currículo: liderar gente, vender, resolver crise, aprender rápido. Muitas vezes o fracasso esconde competências que você não enxerga.
  3. Conte a história de um jeito honesto e útil. Em entrevistas, a pergunta "o que deu errado?" vai aparecer. Responda com o fato, o que você aprendeu e o que faria diferente. Recrutador experiente confia mais em quem sabe explicar uma queda do que em quem diz que nunca caiu.
  4. Peça retorno a quem viu de perto. Um ex-chefe, um colega, um cliente. Pergunte o que poderia ter sido diferente. Dói, mas economiza anos.
  5. Experimente caminhos vizinhos. Às vezes a próxima porta é ao lado: outra função, outro setor, trabalho por projeto, um negócio pequeno usando o que você já sabe.
  6. Estude o que o mercado está pedindo. Cursos gratuitos de instituições públicas e do Sistema S (Senai, Senac, Sebrae) ajudam a atualizar o que falta.
  7. Cuide da autoestima. Se a sensação de inutilidade não passa, procure apoio: CVV no 188, UBS ou CAPS.

Quando aconteceu com Bairo

Bairo conta que chegou ao Brasil em 2002, jovem, para ocupar um cargo de gerência numa empresa de educação. Era jovem para mandar em alguém, e mandava. Quando decidiu sair para seguir o próprio caminho, perdeu muito mais que o cargo: ficou sem documentos em mãos e sem rede.

Depois disso, reinventou a carreira várias vezes. Criou um curso de tratamentos capilares, numa área que hoje tem nome próprio, a tricologia. Construiu uma marca de cosméticos. Trabalhou com eventos e impressão digital. Cada mudança parecia recomeço do zero, e cada uma levava alguma coisa da anterior.

Anos depois, conta ele, sem saber programar, passou seis meses em casa, diante do computador, construindo a base de uma plataforma financeira para o agronegócio.

O caminho

Fracasso profissional não apaga competência; ele a testa. A trajetória de Bairo mostra que cada função perdida deixou uma ferramenta nova na caixa. Na roda da capoeira, que foi a ponte dele para o Brasil, quem para, cai. Na carreira também: a ginga é continuar se movendo, mudando de lado, sem ficar parado tempo bastante para ser derrubado de vez.

Olhe para o fracasso profissional com a distância de quem lê a biografia de outra pessoa. Se fosse a carreira de um amigo, você diria que ela acabou? Provavelmente diria que foi um capítulo difícil, e perguntaria qual é o próximo. Faça a si mesmo essa pergunta. A resposta costuma estar mais perto do que parece, numa competência que você ainda não valorizou.

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